OS MONGES E A CRISTIANIZAÇÃO


Por  Ronaldo Amaral

O movimento monástico primitivo, caracterizado sobretudo pela vida eremítica,ou seja, por aquela que se levava na solidão do deserto ( eremus), marcada ainda por uma austera ascese e pela vida contemplativa, nos coloca diante de um modus vivendi dos mais sui generis que a cristandade nascente pôde apresentar.
 fuga mundi nos revela de modo magnífico o mundo mental destes homens, os primeiro monges solitários,2 seus medos, suas aspirações, e particularmente a eficácia de uma nova religiosidade, a cristã, que realizou um cambio radical nas formas do pensar e do agir na vida humana com o seu advento. E, embora saibamos que o movimento monástico, sobretudo o eremitico e ascético, devesse muito de suas vicissitudes, e formas de conceber sua espiritualidade, à tradição clássica neoplatonica e as demais escolas filosóficas helenísticas, como o estoicismo, fora sem dúvida o cristianismo seu principal propulsor. Propagandeador de um tempo linear e findo, de um Deus uno, íntimo e redentor, mas também juiz e moralizador, e sobretudo, de um mundo marcado pela instabilidade, pelo prazer corruptível e condenável, pelo pecado vigente deste
Assentado sobremaneira na atitude da
seus primórdios, e pelo demônio como seu príncipe constantemente a espreita do homem para corrompe-lo e fazer-lo cair em culpa, o cristianismo edificou e propiciou as razões e as condições necessárias para que seu juízo e apreciação a vida terrena fosse escrita com as mais negras tintas. Leia o texto completo

Fonte:

Seculum Revista de História [18]; João Pessoa, jan/ jun. 2008


Anfilóquio, 23 Novembro

Bispo de Icônio,  395

Anfilóquio foi amigo íntimo de São Gregório de Nazianzeno, seu primo, e de São Basílio, ainda que fosse mais jovem que ambos. As cartas que estes dois santos enviaram a Anfilóquio constituem a principal fonte de informação. Anfilóquio nasceu na Capadócia. Em sua juventude, foi retórico em Constantinopla onde, ao que parece, passou por dificuldades econômicas. Sendo ainda jovem, retirou-se para um lugar solitário nas proximidades de Nazianzo, juntamente com seu pai que já contava idade bastante avançada. São Gregório dava ao seu amigo um pouco de grãos em troca de alguns legumes que Anfilóquio e seu pai colhiam em sua horta. Numa de suas cartas, queixa-se de sempre sair perdendo no negócio. No ano 374, quando estava com 35 anos de idadeAnfilóquio foi eleito bispo de Icônio, aceitando este cargo muito a contragosto.  O pai de Anfilóquio queixou-se a Gregório de que, assim, haviam lhe privado da companhia de seu filho. Em sua resposta, São Gregório afirmou que não havia participado desta nomeação e que ele também sofria, vendo-se privado da companhia do amigo. São Basílio, que muito provavelmente tenha sido o principal responsável por esta eleição, escreveu a Anfilóquio uma carta de felicitações. Nela, exorta ao amigo a nunca se deixar seduzir pelo mal, ainda que lhe pareça estar na moda ou que existam outros precedentes, já que foi chamado a guiar seu rebanho, e não a deixar-se guiar por ele. Imediatamente após sua consagração, Santo Anfílóquio foi visitar São Basílio em Cesaréia. Lá pregou ao povo, e suas homilias foram apreciados, ainda mais que de todos os estrangeiros que haviam pregado naquela cidade. Santo Anfilóquio consultava com freqüência a São Basílio acerca de diversos aspectos da doutrina e disciplina, e graças ao pedido de São Basílio, escreveu o Tratado sobre o Espírito Santo. Foi ainda Santo Anfilóquio quem pregou o panegírico de São Basílio em seus funerais. Mais tarde, reuniu em Icônio um concílio contra os hereges macedonianos que negavam a divindade do Espírito Santo. No ano 381, participou do Concílio Ecumênico de Constantinopla contra os mesmos hereges. Nesta ocasião conheceu São Jerônimo a quem leu seu próprio Tratado sobre o Espírito Santo. Anfilóquio pediu ao imperador Teodósio I que proibisse as reuniões de arianos, mas o imperador se negou por julgar demasiado rigorosa esta medida. Mais tarde o santo se dirigiu ao palácio, quando Arcádio, seu filho, já havia sido proclamado imperador e o encontrou junto ao seu pai. Santo Anfilóquio saudou Teodósio, ignorando a presença de seu filho Arcádio. Quando Teodósio o fez notar, Anfilóquio acariciou as bochechas de Arcádio deixando Teodósio furioso com esse seu gesto. Então, Anfilóquio lhe disse: “Vejo como não suportas que teu filho seja tratado com leviandade. Como podes, pois, permitir que desonrem ao Filho de Deus?” Impressionado com essas palavras, o imperador proibiu logo depois aos arianos de realizarem suas reuniões, pública ou privadamente.  Santo Anfilóquio também combateu zelozamente a heresia nascente dos messalianos, maniqueus e “iluminados” que punham a essência da religião exclusivamente na oração. Em Sida da Panfilia, Santo Anfilóquio presidiu um sínodo contra estes tais hereges. São Gregório Nazianzeno chamava Santo Anfilóquio de “bispo irrepreensível”, anjo e arauto da verdade. O pai de nosso santo afirmava que ele curava os enfermos através de suas orações.

Fonte:

Ecclesia

O imperador Nero e as perseguições aos cristãos no I século D.C.: um estudoda obra Annales de Tácito

Por  Semíramis Corsi Silva

O presente artigo visa, a luz da obra Annales do historiador romano Cornelio Tacito (55 - 120), a analise da primeira perseguicao sistematica perpetrada pelas potencias imperiais efrentada pelos cristaos durante o regime de Nero (54 – 68). Procuraremos compreender nao apenas o desenrolar da perseguicao em si, mas o contexto e a motivacao que influenciaram a inclusao deste episodio na composicao dos Annales. Trataremos tambem de analisar o uso de determinados termos empregados por Tacito durante a sua narrativa e a sua relacao com o pensamento do proprio autor, bem como buscaremos compreender qual era a situacao dos cristaos na capital do Imperio por volta do terceiro quartel do primeiro seculo.


Fonte:

Linguagem Acadêmica, Batatais, v. 1, n. 1, p. 157-172, jan./jun. 2011


INTERAÇÃO, CONFLITOS E DESAFIOS NA IDENTIDADE DO CRISTIANISMO

Por José Luiz Izidoro


Aconstrução das identidades dos povos oriundos de diversas nações e geografias irá apresentar uma constituição flexível e de tensão no seu processo de interação com outros povos e culturas. O Cristianismo, procedendo do judaísmo, implantou-se e desenvolveu-se em ambientes greco-romanos, assimilando, integrando e reinterpretando muitos elementos socioculturais e categorias de pensamentos neles encontrados;
interagindo com os mesmos. Assim, abre-se às diversidades e às múltiplas experiências na construção de sua identidade, não obstante os conflitos e tensão inerente ao processo. Leia o texto completo


Fonte:
Revista Brasileira de História das Religiões –
Ano I, no. 1 – Dossiê Identidades Religiosas e História.

CONCÍLIOS ECUMÊNICOS MEDIEVAIS

Trecho do livro História da Paz  leia o texto completo

Por  José Rivair Macedo

No período usualmente denominado de Idade Média, que compreende,grosso modo, aos mil anos transcorridos entre o século V e o XV na Europa Ocidental, as concepções políticas e religiosas estavam entrelaçadas, e a religião era um dos canais de expressão daquilo que na atualidade costuma-se denominar de esfera política. A aproximação entre essas instâncias deu origem a práticas bem diferentes daquelas que passaram a vigorar com o Estado moderno.

A Idade Média nasceu dos escombros do Império Romano. O período de oficialização da Igreja e da religião cristã, nos séculos IV e V, coincide com o momento de crise do mundo clássico, e já se disse com justa razão que a Igreja Católica veio a ser a grande herdeira do legado imperial, preservando em parte a cultura latina nas bibliotecas dos mosteiros, tomando de empréstimos modelos administrativos e organizacionais, adotando o latim como forma de expressão oficial, pretendendo se impor em âmbito universal (daí chamar-se catholica, quer dizer, “universal”), e situando sua sede de governo em Roma.



 

LINHAS DOMINANTES DA PATRÍSTICA GREGA

Por Maria Cândida Monteiro Pacheco

Na sequência de S. Paulo, na sua 1ª Epístola aos Coríntios, (4,15),escrevia Ireneu de Lyon em Adversus Hareses (4,41,2): “Quando alguém recebeu da boca de outrem um ensinamento, é considerado filho daquele que o instruiu e este último pode dizerse seu pai.” E Clemente de Alexandria, em Estromatas (I, I,2-2,1), glosando o mesmo tema, afirma: “As palavras são a progenitura da alma (...): Assim, chamamos pais a todos os que nos ensinam (...) e todo o homem que recebe instrução é, na verdade, filho do seu mestre”.

Estes dois textos, na sua brevidade complexa, realçam, de forma inequívoca a profunda dimensão paidemática da cultura clássica que se transmite ao Cristianismo emergente, trasnmutada pelo sentido inspirado da Nova Revelação – Cristo é Logos – e encaminham-nos, desde logo, para a possibilidade de entendimento abrangente do que pode entender-se por Patrologia e Patrística, na sua dimensão etimológica: a ciência que estuda os Padres –Patêr, pater de que derivam pai e padre.

Poderá dizer-se, então, num sentido tradicional, que Patrologia e Patrística, de significados próximos e aparentemente idênticos, abrangem os autores cristãos primitivos, ortodoxos e heterodoxos, que abordaram temas teológicos, designando também a diversidade totalizante de todos os seus escritos. No entanto, mesmo nesta visão ampla, releve-se, desde logo, que se concede uma atenção especial aos escritores que representam a doutrina eclesiástica tradicional.

Se o termo de Patrologia é utilizado, pela primeira vez, na obra publicada em 1653 pelo teólogo luterano João Gerhard, o facto é que a ideia de uma história da literatura cristã, no seu sentido mais amplo, remonta a Eusébio e à sua História Eclesiástica, o que o torna uma fonte extremamente importante, já que cita escritos desaparecidos posteriormente e autores de que é a única referência. S. Jerónimo, tomando como modelo o De viribus illustris, de Suetónio, escreve o seu De viribus illustris, com propósitos apologéticos de defesa da literatura cristã perante os pagãos. É curioso notar que St Agostinho, sem tomar em linha de conta as inexactidões e as opiniões subjectivas que a obra contém, critica-a, sobretudo, pela não separação dos autores ortodoxos e heréticos.

Na sequência dessa espécie de catalogação histórica, podem apontar-se a obra de Genádio de Marselha, de finais do século V, que tenta completar a obra de S. Jerónimo, embora deixando adivinhar a sua posição de semi-pelagiano; o De viris illustris , de Isidoro de Sevilha, escrito, possivelmente entre 615 e 618, centrando-se,sobretudo em escritores espanhoes; Ildefonso de Toledo, na mesma linha e com menor interesse. Só nos fins do século XI e desvelando a preocupação que começa a despontar pelo conhecimento mais aprofundado da Antiguidade clássica e cristã, encontramos um De viris illustris de Siegeberto de Gembloux, monge beneditino que, aborda, na seqüência de S. Jerónimo e Genádio, os antigos autores eclesiásticos, compondo notícias biográficas e bibliográficas, sobre os teólogos latinos da Alta Idade Média. Podem citar-se, ainda, Honório de Autun que, no início do século XII escreve uma obra semelhante, o De luminaribus ecclesia e o Anónimo de Melk que, já em finais do século XV, publica De scriptoribus ecclesiasticis. Os séculos XVI e XVII são marcados pelo renovar do interesse pela literatura da antiguidade cristã e originam as primeiras grandes coleções de escritos patrísticos e algumas edições individuais que, no entanto, não seguem ainda regras científicas
cursus completus. editada por Migne, que reimprime todos os textos publicados até então. Faz-se sentir cada vez mais a necessidade de edições rigorosas e críticas o que leva ao início da publicação do Corpus Christianorum, abrangendo três séries, a latina, a grega e a oriental, num movimento que se prolonga e continua nos nossos dias, utilizando-se agora os meios informáticos mais recentes (CETEDOC).

Facilmente se constata, pois, que houve sempre, desde os inícios do Cristianismo, a preocupação de conservar os escritos dos autores primitivos e que, desde cedo se tentou traçar uma demarcação entre os autores segundo a linha de ortodoxia que se ia, gradualmente, definindo, Assim, já em 434, Vicente de Lérins, na sua obra Commonitorium, aponta como Padres “aqueles que em todo o tempo e lugar, permaneceram na unidade da fé e foram considerados mestres” e no Decretum Gelasianum de recipiendis et non recipiendis libris, do século VI, elabora-se, pela primeira vez, uma lista de autores cristãos considerados Padres da Igreja. Releve-se que esta mesma perspectiva se projecta na actual definição de Padres da Igreja, na medida em que, se apresentam, como condições necessárias para esta designação a antiguidade, a ortodoxia, a santidade de vida e a aprovação eclesiástica. Nesta ordem de ideias, e num sentido mais restrito, distingue-se Patrologia e Patrística, designando a primeira todos a produção cristã, ortodoxa ou não e Patrística os autores que a tradição eclesiástica considera garantes da fé e da ortodoxia, abrindo-se, assim, a uma História dos Dogmas. Entende-se, ainda, dever fazer-se uma distinção entre Padres e Doutores da Igreja, cumprindo estes todos os requisitos apontados, menos o de antiguidade

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Fonte:

Repositório Aberto da Universidade do Porto

Introdução: A MISTAGOGIA EM CIRILO DE JERUSALÉM

Tese de Doutorado de Rosemary Fernandes da Costa PUC - Rio de Janeiro

Estamos em tempos nos quais emergem revisões conceituais e práticas diante das grandes transformações que a sociedade vem experimentando. A mudança paradigmática que se desenvolveu no final do século XIX e ganhou corpo no século passado ainda se faz sentir na virada do milênio. A pessoa humana se encontra diante de si mesma, de suas relações e do mundo em uma perspectiva crítica. Foi afetada em sua construção subjetiva, em suas escolhas fundamentais e em suas crenças, pelo paradigma da modernidade e seu
desenvolvimento, interpretado como crise da modernidade, como pósmodernidade, ou ainda como modernização reflexiva. Não se manteve à parte desse processo a dimensão da religiosidade, do encontro com o Transcendente, as instituições religiosas, a transmissão da fé no âmbito familiar e educativo. Trabalhamos no campo da Educação Religiosa e na Pastoral, em escolas e comunidades eclesiais, por 30 anos e, ao longo deste período, viemos observando uma tensão crescente entre a razão de ser da instituição religiosa e a missão efetivamente realizada. Muitas vezes, os grupos de trabalho se defrontam com testemunhos paradoxais à sua filosofia e princípios, até mesmo negando a fé cristã. Alunos, adolescentes, jovens e adultos que passam por uma experiência em uma instituição ou comunidade cristã, nem sempre
expressam um eixo referencial coerente com a proposta  proposta evangélica em suas palavras e atitudes. A fé cristã possui um papel específico e um compromisso com a sociedade. Se há um processo de reconstrução das relações humanas e sociais, configurando um novo jeito de ser pessoa e uma nova sociedade, como o Cristianismo vai dialogar com essa realidade? Para ler o texto completo, clique aqui

Leia Também :

A MISTAGOGIA


JERUSALÉM




PUC- RIO

Idade Média, Tempo do Sacramento

Por  MARCUS BACCEGA
 
Este breve artigo ensaia a proposição de uma compreensão sistêmica que possa abranger todo o período medieval a partir de uma lógica singular. Propõe-se aqui um recorte cronológico estendido de Santo Agostinho (século IV da Era Cristã) a João Calvino (século XVI da Era Cristã) para se pensar a longa duração medieval e nela perscrutar um elemento central de identificação e singularização, que a justifique enquanto recorte temporal e epistemológico. Valendo-se do conceito teológico de sacramento, cuja elaboração se deu, gradativamente, ao longo de todo o período medieval, o ensaio procura compreender esta formulação conceitual da existência mistérica cristã como eixo estruturador do imaginário medieval. Este complexo articulado de representações mentais será enfocado sob o signo da idéia de sistema. Propugna-se, destarte, por um retorno à compreensão sistêmica da própria história medieval. Para ler o texto completo, clique aqui

Fonte:

Revista Ágora, Vitória, n.10, 2009, p.1.-28

A VISÃO DA EUCARISTIA NO PERÍODO PÓS-NICENO


Prof. Dr. Pe. Vital Corbellini

Os Padres desse período eclesial e patrístico terão mais presente o Evangelho de João, capítulo seis, do que os relatos sinóticos e de São Paulo sobre a instituição da Eucaristia. Eles realçam a Eucaristia como o corpo e sangue do Senhor, alimento superior ao maná no deserto. Cristo Jesus é o enviado do Pai, o pão descido do céu, dado em alimento para todos. A sua recepção traz vida em abundância ao ser humano, ainda que o fiel deva um dia morrer. Quem comer do seu corpo e beber do seu sangue une-se a Cristo, neste mundo, para um dia gozar da eternidade. A Eucaristia impulsiona ao testemunho de vida, ao amor fraterno. Há uma profunda ligação dos acontecimentos da última ceia com os da cruz: a sua paixão, morte e ressurreição. A Eucaristia é a memória e a ressurreição de Cristo na história. Para ler o texto completo, clique aqui


Fonte:
Rev. Trim. Porto Alegre v. 36 Nº 151 Mar. 2006 p. 003-024 PUCRS

A Santidade Episcopal no Final da Antiguidade

Por Miriam Lourdes Impellizieri Silva
Professora Assistente de História Antiga e Medieval da UERJ
miriamlils@gmail.com

O primeiro modelo de santidade cristã é o do mártir, "testemunha" por excelência do Cristo, a quem seguiu, fielmente, na morte. No final do século IV, passado já, há muito, o período das perseguições, não apenas se expande o culto aos santos mártires, como também se inicia o culto àqueles que, apesar de não terem vertido sangue pela fé, passaram por sofrimentos morais e espirituais em defesa do Cristianismo. Assim, a santidade martirial cede lugar à santidade confessional. A partir dos exemplos de Cipriano, bispo de Cartago (séc. III), e de Ambrósio, bispo de Milão (séc. IV), discutiremos as mudanças ocorridas na percepção da santidade pelos cristãos, assim como a forma como se desenvolveu a santidade episcopal e suas implicações religiosas e políticas nos séculos finais da Antiguidade, no Ocidente. Para ler o texto completo, clique aqui


Fonte:

Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. IX, ano 5, n.º 1, julho de 2010.
www.ichs.ufop.br/cadernosdehistoria

O CANTO NA LITURGIA PATRÍSTICA


De Jerusalém, o cristianismo espalha-se através da cultura grega, cuja teoria musical "proporciona uma base técnica sólida ao canto das comunidades cristãs" (34). A união destas duas influências vai resultar no canto bizantino (a oriente, em grego) e no gregoriano (a ocidente, em latim). A liberdade de culto, concedida pelo Edito de Milão, em 313, reflecte-se no próprio canto, pelo aparecimento de "novas formas litúrgicomusicais e novas maneiras de estruturar o canto" (35), difundidas por Santo Ambrósio (36). Contra a opinião negativa de alguns autores, Santo Agostinho reconhecia a utilidade ao canto, recordando sempre as lágrimas vertidas na catedral de Milão, graças aos cânticos da assembleia, "não pelos seus acentos mas pelas palavras moduladas, pela sua justa expressão,
pela pureza da voz" (37). O canto é inevitável na liturgia, na medida em que "cantar é próprio
de quem ama" (38).

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Fonte

Inscrição de Abércio

Ásia Menor, no séc. II,
 
A inscrição a seguir é considerada, pelos estudiosos, como a mais importante da antiguidade cristã. Foi composta na Ásia Menor, no séc. II, por Abércio, bispo de Hierápolis, que relata, em forma figurada sua viagem a Roma e à Síria. Entre outras coisas, fala sobre a eucaristia ministrada sob as duas espécies de pão e vinho e pressupõe a prática da oração pelos mortos.  A inscrição, gravada sobre pedra, foi descoberta em 1883 pelo arqueólogo protestante W.Ramsay, nas proximidades de Hierápolis (Frígia) e hoje se encontra no museu de Latrão.
 
Cidadão de pátria ilustre,
Construí este túmulo durante a vida,
Para que meu corpo - num dia - pudesse repousar.
Chamo-me Abércio:
Sou discípulo de um Santo Pastor1,
Que apascenta seu rebanho de ovelhas,
Por entre montes e planícies.
Ele tem enormes olhos que tudo enxergam,
Ensinou-me as Escrituras da Verdade e da Vida
E enviou-me até Roma para vislumbrar sua soberana majestade
E ver a Rainha2 com vestes e sandálias de ouro:
Lá conheci um povo marcado com um sinal resplandecente.
Também fui à planície da Síria
E vi cidades - como Nísibe - para lá do [rio] Eufrates.
Por toda parte encontrei irmãos
E tive Paulo por companheiro.
Por toda parte a fé me guiou
E ela me serviu de alimento
Com um Peixe3 de fonte, grande e puro,
Pescado por uma Santa Virgem,
Que o entregava a seus amigos.
Ela possui um vinho delicioso
E o serve misturado com pão.
Eu, Abércio, ditei este texto
E o fiz gravar na minha presença
Aos setenta e dois anos.
O irmão que o ler por acaso
Ore por Abércio.
E ninguém erga outro túmulo sobre o meu,
Sob pena de multa:
Duas mil peças de ouro para o fisco romano
E mil para Hierápolis,
Minha pátria ilustre!
isto é, Jesus Cristo.
2ou seja, a Igreja.
3isto é, a eucaristia.


Fonte:

 Agnus Dei

 

A história da Igreja Caldeia

 O Apóstolo Tomé, antes de seguir o seu caminho até à Índia, terá deixado na região dois discípulos, Mar Addai e Mar Mari. Da sua pregação nasceu uma Igreja que, nos primeiros séculos do cristianismo, demonstrou uma enorme vitalidade e se espalhou nas regiões que hoje são a Síria, o Irão e o Iraque.
Estas comunidades representam umas das mais antigas comunidades cristãs do Oriente, remontando ao século II. As suas raízes cristãs são testemunhadas por mosteiros e conventos nos séculos V e VI.
Esta Igreja, chamada Igreja Assíria do Oriente, obteve a autonomia no concílio de Markbata, em 492, com a possibilidade de eleger um Patriarca com o título de “Católico”.
O fulgor inicial foi-se desvanecendo e já no século XV confronta-se com uma grave crise, originada por uma sucessão hereditária de Patriarcas, como se de uma monarquia se tratasse. A reacção a este estado de coisas levou a que um grupo de Bispos Sírios se empenhasse na recuperação da tradição monástica oriental, elegendo o monge Yuhannan Sulaka como seu Patriarca e enviando-o a Roma para pedir o reconhecimento do Papa.
Foi assim que, em 1553, o Papa Júlio III nomeou o “Patriarca dos Caldeus” e deu origem, oficialmente, à Igreja Caldeia. Durante mais de 200 anos existiram tensões nesta zona entre as comunidades a favor ou contra o reconhecimento da universalidade da Igreja de Roma e a situação só estabilizou quando em 1830 o Papa Pio VIII nomeou o “Patriarca da Babilónia dos Caldeus” como chefe de todos os católicos caldeus.
A sede deste Patriarcado era Mosul, no norte do Iraque, e seria transferida para Bagdad em 1950, após a II Guerra Mundial.

A RIQUEZA DO RITO CALDEU

Um rito é um modo específico de adorar Deus no contexto de determinado povo, uma maneira particular e coerente de chegar até Deus.
O rito Caldeu é um dos 5 principais ritos do cristianismo oriental e desenvolveu-se entre os séculos IV e VII, antes da conquista árabe. A denominação de “caldeu” prevalece no Ocidente desde o séc. XVII, embora os habitantes da região prefiram a designação “siro-oriental”.
As celebrações conservam o uso do aramaico e possuem gestos, espaços e ritmos muito especiais, que remontam ao tempo dos primeiros apóstolos, em alguns casos. Escutar a Palavra de Deus, celebrar o mistério do Corpo e Sangue de Jesus e participar no banquete do pão e do vinho são as traves-mestras da celebração eucarística.
A Palavra é proclamada desde o “bema”, uma tribuna situada no meio da Igreja, como sinal de Jerusalém, centro do mundo, onde Jesus ensinou. Este simbolismo indica que o leitor ou o pregador mais não fazem do que transmitir a Palavra recebida do Senhor. A consagração eucarística, chamada “santificação” tem lugar no “santo dos santos”, símbolo do céu, e a comunhão desenrola-se no “gestroma”, um local entre a assembleia e o santuário, como sinal do paraíso.
uma maneira particular e coerente de chegar até Deus.
O rito Caldeu é um dos 5 principais ritos do cristianismo oriental e desenvolveu-se entre os séculos IV e VII, antes da conquista árabe. A denominação de “caldeu” prevalece no Ocidente desde o séc. XVII, embora os habitantes da região prefiram a designação “siro-oriental”.
As celebrações conservam o uso do aramaico e possuem gestos, espaços e ritmos muito especiais, que remontam ao tempo dos primeiros apóstolos, em alguns casos. Escutar a Palavra de Deus, celebrar o mistério do Corpo e Sangue de Jesus e participar no banquete do pão e do vinho são as traves-mestras da celebração eucarística.
A Palavra é proclamada desde o “bema”, uma tribuna situada no meio da Igreja, como sinal de Jerusalém, centro do mundo, onde Jesus ensinou. Este simbolismo indica que o leitor ou o pregador mais não fazem do que transmitir a Palavra recebida do Senhor. A consagração eucarística, chamada “santificação” tem lugar no “santo dos santos”, símbolo do céu, e a comunhão desenrola-se no “gestroma”, um local entre a assembleia e o santuário, como sinal do paraíso.

Fonte:

Agência Ecclesia

PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

DIRECTRIZES PARA A ADMISSÃO À EUCARISTIA ENTRE A
IGREJA CALDEIA E A IGREJA ASSÍRIA DO ORIENTE


Considerando a grande desolação em que vivem muitos fiéis caldeus e assírios, tanto na sua pátria como na diáspora, o que impede que uma boa parte deles viva uma vida sacramental normal, em conformidade com a sua própria tradição e no contexto ecuménico do diálogo bilateral entre a Igreja católica e a Igreja assíria do Oriente, apresentou-se o pedido de admissão à Eucaristia entre a Igreja caldeia e a Igreja assíria do Oriente. Em primeiro lugar, este pedido foi analisado pela Comissão conjunta para o diálogo teológico entre a Igreja católica e a Igreja assíria do Oriente. Em seguida, estas directrizes foram elaboradas pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, conjuntamente com a Congregação para a Doutrina da Fé e a Congregação para as Igrejas Orientais.
1. Necessidade pastoral
O pedido de admissão à Eucaristia entre a Igreja caldeia e a Igreja assíria do Oriente está vinculado à singular situação geográfica e social em que, na realidade, os seus fiéis estão a viver. Devido a várias circunstâncias, às vezes dramáticas, muitos fiéis assírios e caldeus abandonaram a sua pátria e partiram para o Médio Oriente, a Escandinávia, a Europa ocidental, a Austrália e a América do Norte. Dado que não é possível poder contar com um sacerdote para cada comunidade local numa diáspora tão vasta, muitos fiéis caldeus e assírios devem enfrentar uma situação de necessidade pastoral em relação à administração dos sacramentos. Os documentos oficiais da Igreja católica oferecem regulamentos especiais para tais situações, nomeadamente, o Código de Direito Canónico para as Igrejas Orientais (cf. cân. 671 2-3) e o  Directório  para  a  Aplicação  dos Princípios  e  das  Normas  sobre  o Ecumenismo (cf. n. 123).
2. Aproximação ecuménica
O pedido está ligado também ao processo permanente da aproximação ecuménica entre a Igreja católica e a Igreja assíria do Oriente. Com a Declaração cristológica conjunta, assinada em 1994 pelo Papa João Paulo II e pelo Patriarca Mar Dinkha IV, foi resolvido o principal problema dogmático entre a Igreja católica e a Igreja assíria. Por conseguinte, a aproximação ecuménica entre a Igreja caldeia e a Igreja assíria do Oriente entrou também numa ulterior fase de desenvolvimento. No dia 19 de Novembro de 1996, o Patriarca Mar Rafael Bidawid e o Patriarca Mar Dinkha IV assinaram uma lista de propostas conjuntas, em ordem ao restabelecimento da plena unidade eclesial entre ambos os herdeiros da antiga Igreja do Oriente. No dia 15 de Agosto de 1997, este programa foi aprovado pelos seus respectivos Sínodos e confirmado num Decreto sinodal conjunto. Coadjuvados pelos seus respectivos Sínodos, ambos os Patriarcas aprovaram outra série de iniciativas para promover o restabelecimento progressivo da sua unidade eclesial. Este processo recebeu o beneplácito tanto da Congregação para as Igrejas Orientais como do Pontifício Conselho para  a  Promoção  da  Unidade  dos Cristãos.
3. A Anáfora de Addai e Mari
A principal questão para a Igreja católica, no que diz respeito à aceitação deste pedido, estava relacionada ao problema da validade da Eucaristia celebrada com a Anáfora de Addai e Mari, uma das três Anáforas tradicionalmente usadas na Igreja assíria do Oriente. A Anáfora de Addai e Mari é célebre porque, desde tempos imemoráveis, foi sempre usada sem a recitação da chamada Narração da Instituição. Dado que a Igreja católica considera as palavras da Instituição eucarística uma parte constitutiva e, portanto, indispensável da Anáfora, ou Oração Eucarística, empreendeu-se um prolongado e atento estudo da Anáfora de Addai e Mari, a partir dos pontos de vista histórico, litúrgico e teológico, no final do qual a Congregação para a Doutrina da Fé concluiu, a 17 de Janeiro de 2001, que esta Anáfora podia considerar-se válida. E Sua Santidade o Papa João Paulo II aprovou esta decisão. Tal conclusão está assente sobre três argumentações principais: 
1. Em primeiro lugar, a Anáfora de Addai e Mari é uma das mais antigas, dado que remonta à época da Igreja primitiva; foi composta e era usada com a clara intenção de celebrar a Eucaristia em plena continuidade com a Última Ceia e em conformidade com a intenção da Igreja; a sua validade nunca foi oficialmente contestada no Oriente ou no Ocidente cristãos.
2. Em segundo lugar, a Igreja católica reconhece a Igreja assíria do Oriente como uma verdadeira Igreja particular, edificada sobre a fé ortodoxa e a sucessão apostólica. A Igreja assíria do Oriente conservou também a plena Fé eucarística na presença do nosso Senhor, sob as espécies do pão e do vinho e no carácter sacrificial da Eucaristia. Por conseguinte, embora não viva em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja assíria do Oriente contém "verdadeiros sacramentos e sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia" (Unitatis redintegratio, 15).
3. E por fim, as palavras da Instituição eucarística encontram-se, efectivamente, presentes na Anáfora de Addai e Mari, não de forma narrativa e coerente, e ad litteram, mas acima de tudo de maneira eucológica e disseminada, ou seja, integrada nas sucessivas orações de acção de graças, de louvor e de intercessão.
4. Directrizes para a admissão à Eucaristia
Considerando a tradição litúrgica da Igreja assíria do Oriente, o esclarecimento doutrinal relativo à validade da Anáfora de Addai e Mari, o contexto contemporâneo em que estão a viver os fiéis tanto assírios como caldeus, os regulamentos próprios, previstos pelos documentos oficiais da Igreja católica e o processo de aproximação entre a Igreja caldeia e a Igreja assíria do Oriente,  tomaram-se  as  seguintes providências: 
1. Quando for necessário, aos fiéis assírios será permitido participar nas celebrações caldeias da santa Eucaristia e receber a sagrada Comunhão; de igual modo, os fiéis caldeus que forem física ou moralmente impedidos de recorrer a um ministro católico, podem participar nas celebrações assírias da santa Eucaristia e receber a sagrada Comunhão.
2. Em ambos os casos, os ministros assírios e caldeus celebram a santa Eucaristia em conformidade com as prescrições litúrgicas e os costumes das tradições que lhes são próprias.
3. Quando os fiéis caldeus participarem numa celebração assíria da santa Eucaristia, o ministro assírio é calorosamente exortado a inserir as palavras da Instituição na Anáfora de Addai e Mari, em conformidade com quanto é previsto pelo santo Sínodo da Igreja assíria do Oriente.
4. As supramencionadas considerações sobre o uso da Anáfora de Addai e Mari, assim como as presentes directrizes para a admissão à Eucaristia, devem ser entendidas exclusivamente em relação à celebração eucarística e à admissão à Eucaristia, por parte dos fiéis da Igreja caldeia e da Igreja assíria do Oriente, em conformidade com as necessidades pastorais e com o contexto ecuménico, segundo quanto já se mencionou acima.

Roma, 20 de Julho de 2001.

Fonte:
Vaticano

Tadeu de Edessa, 5 de agosto

século I d.C. em Edessa
Abgar recebendo o manto de Tadeu
(ícone em pintura eucáustica, Mosteiro de Santa Catarina, Monte Sinai)

Entre os ortodoxos, Santo Addai foi um discípulo de Cristo enviado pelo apóstolo Tomé para Edessa para curar o Rei Abgar V de Osroena, que estava enfermo. Santo Addai então permaneceu para evangelizar e acabou convertendo Abgar e seu povo, incluindo Santo Aggai e São Maris. Santo Addai também é conhecido como Addeus— ou Thaddeus, que é a razão identificado como sendo um dos Setenta Apóstolos, Tadeu de Edessa. Não se deve confundi-lo porém com São Judas Tadeu.
Ele é considerado um dos primeiros Catholicós, logo após Tomé. Ele e Santo Mari são acreditados como criadores da Divina Liturgia de Addai e Mari.

Veneração por Igreja Assíria do Oriente, Igreja Católica Caldéia, Igreja Ortodoxa, Igreja Católica, Igreja Ortodoxa Oriental. Festa litúrgica 5 de agosto

Acácio de Melitene, 31 de março

Foi um bispo de Melitene no século III d.C.


Ele viveu no tempo das perseguições aos cristãos do imperador Décio e, embora seja certo que ele fora convocado pelo tribunal de Marciano a dar um testemunho de sua fé, não há certeza de que ele tenha morrido nelas. Ele foi de fato condenado à morte, mas o imperador o liberou da prisão após ele ter sofrido consideravelmente. Ele era famoso pelo esplendor de seus ensinamentos doutrinários e pelos milagres que realizava.

Veneração por Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica Varia, mas geralmente em 31 de março

Acaico de Corinto, 4 de janeiro

É um dos Setenta Discípulos. Ele é citado no Novo Testamento em «Regozijo-me com vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico, porque o que faltava da vossa parte, eles o supriram.» (1 Coríntios 16:17). Entende-se por esta passagem que Acaico, Fortunato e Estéfanas é que levaram a carta dos coríntios até Paulo de Tarso.

Veneração por Toda cristandade
Festa litúrgica 4 de janeiro na Igreja Ortodoxa

Abra de Poitiers 12 de Dezembro

( 343 - 360 d.C.) era a filha de Hilário de Poitiers e foi também reconhecida como santa.



Elas nasceu antes que seu pai tivesse se convertido ao Cristianismo e feito bispo. Por conselho dele, ela fez voto de virgindade e se tornou uma freira. Durante o exílio de seu pai na Frígia, ela e a mãe permaneceram em Pictavium. Ela morreu logo após ele ter retornado, em 360 d.C. e é festejada em 12 de dezembro. Veneração por Igreja Católica, Igreja Ortodoxa.

O LIVRO DOS MÁRTIRES

mártir exige que iniciemos a apresentação desta obra com uma definição clara. Optamos pela acepção mais comum articulada no Dicionário Houaiss (2001): o mártir é umavítima de agressão e violência. O mártir cristão é aquele que prefere morrer a renegar seu Senhor e sua fé. Leia
O Livro dos Mártires
O USO MODERNO DA palavra
“pessoa submetida à pena de morte pela recusa de renunciar à fé cristã ou a qualquer de seus princípios”. Ou seja, no sentido mais tradicional, não se trata de um assassino-suicida que mata pessoas alheias com o
intuito de vingar-se ou defender uma idéia. Pelo contrário: o verdadeiro mártir é sempre

Duas aras votivas romanas em Alcains

Estudam se dois altares identificados, em 2008, numa ermida de pristino culto cristao,que veio certamente substituir o culto pré romano a divindade Asidia. Esta divindade surge numa das epigrafes com o epiteto Poltucea, relacionado com a gentilitas Polturiciorum, que e dedicante duma das aras, em consequencia do voto de um indigena, Polturus Caenonis. Este relacionamento estreito entre o epiteto da divindade, o nome de um dos membros da gentilitas e a propria designacao da gentilitas abre novas perspectivas a investigacao sobre a organização social e os cultos na Lusitania pré  romana.




Fonte:
REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia
volume 12. número 2 . 2009


A ORIGINALIDADE SINGULAR DO CRISTIANISMO

Perspectiva Teológica

A questão da "originalidade singular do cristianismo" - título dapalestra que me foi confiada - nos coloca de saída diante do paradoxocristão. O cristianismo, com efeito, reivindica para si uma significaçãoab-solula, sem limites e incondicional. E o primeiro senlido dapalavra "original": algo inédito, sem precedentes, para o qual nãoexistem modelos comparativos. Como acontecimento histórico, porém,o cristianismo tem uma dimensão temporal que o torna necessariamente"relativo", isto é, referido a um começo e inserido numa históriainacabada. "Original", neste segundo sentido, remete ao princípio,às origens. A pergunta pela "originalidade singular do crisHanismo"tem que abrir-se caminho por entre essas duas afirmações, ã primeiravista irreconciliáveis: a do seu carátfr ah-solulo e a da sua irrenunci.ívelcondição histórica.


Fonte:

Faculdade Jesuita de Teologia

História da Igreja Cristã, Jesse Lyman Hurlbut


Quando se trata de escrever um livro destinado a apresentar em um número limitado de páginas a história de uma instituição que existiu durante vinte séculos; que se ramificou por todos os continentes da terra; que contou em seu seio com grandes dirigentes e cujo poder exerceu influência em milhões de pessoas, então, o primeiro requisito é alcançar uma perspectiva correta, isto é, a capacidade de reconhecer quais foram os acontecimentos e os dirigentes de principal importância, a fim de que eles se destaquem na narrativa, tal qual montanhas nas planícies, e bem assim para omitir tanto o que se refere a fatos como a homens de importância secundária, sem considerar-se a aparente influência que eles exerceram na época. As controvérsias acerca de doutrinas de difícil interpretação que tumultuaram sucessivamente a igreja, provocando profundos cismas, parecem ser, em sua maioria, atualmente, de pouca importância. Neste manual são de interesse básico o espírito que animava a igreja, suas tendências, as causas quem conduziram a acontecimentos de importância histórica, e, finalmente, a projeção e transcendência desses acontecimentos. Dois grupos diferentes foram levados em conta na preparação deste volume, tendo-se em vista adaptá-lo aos desejos de ambos. Como livro de texto para estudantes, quer se lhes ensine individualmente, quer em classes, esta obra foi planejada cuidadosamente, de modo que as divisões e subdivisões se apresentem com detalhes no início de cada período geral. Procuramos fazer uma narração uniforme, não interrompida pelo título dos temas, a fim de ser lida como se fora uma história. O leitor pode seguir as divisões se o desejar, porém não é obrigado a fazê-lo. Dessa forma tratamos de apresentar esta obra em estilo ameno e interessante, um livro que seja exato em suas declarações e que nele se destaquem os acontecimentos de maior evidência e os dirigentes mais ilustres. Leia mais

Fonte:

Web Node

O ANTIJUDAÍSMO DE JUSTINO MÁRTIR NO DIÁLOGO COM TRIFÃO

Por  JUAN PABLO SENA PERA


Esta dissertação objetiva identificar as linhas mestras que se opõem ao judaísmo no corpo da obra
Diálogo com Trifão, de Justino Mártir, a partir da metodologia engendrada por Norbert Elias, em Os Estabelecidos e os Outsiders. Em conseqüência, pretende retificar o estatuto da obra do filósofo cristão, pretendido por muitos estudiosos como proselitista, tomando-a documento formativo da identidade cristã e de sua dissociação do judaísmo. Para isso, o presente texto investiga e revista o aspecto sócio-cultural e político que deu origem ao cristianismo, o período do judaísmo do Segundo Templo, considerando as ponderações e dicotomias daí resultantes como propiciadoras, no seio da comunidade judaica, à ruptura manifesta na ascensão e disseminação do cristianismo na Roma do século II. 

 Leia artigo

Fonte:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DO MÁRTIR NA OBRA APOLOGETICUM DE TERTULIANO

Por  Eduardo Soares de Oliveira

O Martírio é com certeza um dos acontecimentos mais relevantes da história do cristianismo. Vários apologistas destacaram-se dentro do cristianismo, mas poucos da envergadura de Tertuliano. Este Teólogo-Filósofo-Historiador é responsável por toda uma perspectiva sobre o cristianismo que marcou indelevelmente a história do ocidente cristão. Não só no terceiro século, mas todos os pensadores cristãos
posteriores são devedores, ao menos parcialmente, de sua perspicácia e capacidade analítica sobre o cristianismo e em especial a sua análise do martírio e sua função dentro da teologia cristã.



Fonte:

Universidade Fedaral de Goiás

Vida e Morte no Cristianismo Primitivo

Por  Marcos Caldas

Este ensaio trata de maneira breve das noções de morte e vida na crença cristã nos três primeiros séculos de nossa era. Este artigo propõe que desde de seu início, a Igreja Cristã precisou
obrigados a se desenredarem das suas raízes judaicas e helenísticas, principalmente em relação às questões doutrinais. Estas duas faces de uma só Igreja levaram a distintas respostas em relação às concepções de vida e morte, que foram apenas unificadas com os concílios ecumênicos após 325 d.C. Leia o artigo


Fonte:

Revista
Universidade Federal Fluminense


 Eletrônica de História
grosso modo enfrentar dois diferentes desafios: de um lado, em seu ramo ocidental, a Igreja nascente teve que se confrontar com o Estado Romano e seus problemas políticos, de outro lado, na Igreja oriental, os primeiros cristãos foram

EPÍSTOLA A DIOGNETO


Um pagão culto, desejoso de conhecer melhor a nova religião que se espalhava pelas províncias do império romano, impressionado pela maneira como os cristãos desprezavam o mundo, a morte e os
deuses pagãos, pelo amor com que se amavam, queria saber: que Deus era aquele em quem confiavam e que gênero de culto lhe prestavam; de onde vinha aquela raça nova e por que razões
aparecera na história tão tarde. Foi para responder a estas e outras questões de igual importância que nasceu esta jóia da literatura
cristã primitiva, o escrito que conhecemos como Epístola a Diogneto.
O texto se revela, simultaneamente, como crítica do paganismo e do judaísmo e defesa da superioridade do cristianismo.
Sobre este documento, infelizmente, não se sabe muita coisa. Elementos importantes que ajudam a determinar e caracterizar uma obra, tais como autor, data e local de composição, bem como o
destinatário, ficam na sombra. De qualquer maneira trata-se de um documento de primeira grandeza sobre a vida cristã primitiva que merece ser colocado entre as obras mais brilhantes da literatura cristã.
De acordo com os últimos estudos o destinatário mais provável seria o imperador Adriano, que
exercia a função de arconte em Atenas desde 112 d.C.


Fonte:
Igreja Valores

Edito de Milão de 313 dC

Eu, Constantino Augusto, e eu, Licínio Augusto, venturosamente reunidos em Milão para discutir sobre todos os problemas referentes à segurança e ao bem público, entre outras disposições a assegurar, cremos dever regulamentar, primeiramente, o bem da maioria, que se refere ao respeito pela divindade, ou seja, garantir aos cristãos, bem como a todos, a liberdade e a possibilidade de seguir a religião de sua escolha, a fim de que tudo o que existe de divino na morada celeste possa ser benevolente e favorável a nós mesmos e a todos aqueles que se encontram sob a nossa autoridade. Este é o motivo pelo qual cremos - num desígnio salutar e muito digno - dever tomar a decisão de não recusar essa possibilidade a quem quer que seja, tenha essa pessoa ligado a sua alma à religião dos cristãos ou a qualquer outra: para que a divindade suprema - a quem prestamos uma homenagem espontânea -, em todas as coisas, possa nos testemunhar com o seu favor e a sua benevolência costumeiros.
Assim, convém que Vossa Excelência saiba que decidimos suprimir todas as restrições contra os cristãos, encaminhadas a Vossa Excelência nos escritos anteriores, e abolir as determinações que nos parecem totalmente infelizes e estranhas à nossa brandura, assim como permitir, a partir de agora, a todos os que pretenderem seguir a religião dos cristãos, que o façam de modo livre e completo, sem serem aborrecidos ou molestados.

Fonte:

Universo Católico

Constantino o Imperador Cristão

No ano de 312, os soldados romanos passaram a usar nos escudos o monograma cristão. O fato teria motivado por uma visão sobrenatural que seu líder, Constantino 1º, experimentou. Ele passou para a história como o primeiro imperador romano cristão.

Constantino era filho de Constâncio Cloro e de sua concubina, Helena. Cresceu na corte do imperador Diocleciano e teve educação esmerada. Em 305, juntou-se ao pai, então nomeado "césar" do Ocidente, e participou das campanhas da Britânia (Grã-Bretanha).

No ano seguinte, com a morte de Constâncio Cloro, foi aclamado imperador pelas legiões que comandava. O título, porém, não foi reconhecido em Roma. Em 303, após muitas batalhas e lutas políticas, Constantino conseguiu derrotar seus oponentes, passando a dividir o Império com Licínio. No mesmo ano, foi promulgado o edito de Milão, reconhecendo oficialmente a religião cristã.

Constantino e Licínio conseguiram revezar-se no poder, junto com os filhos, até 324, quando entraram em conflito. Com Licínio derrotado, Constantino tornou-se chefe único do Império Romano.

Em 325, Constantino convocou o concílio ecumênico de Nicéia, que normatizou os cânones cristãos. Em 326, o imperador iniciou a construção de Constantinopla (atual Istambul), com o fim de transferir para lá a sede oficial do governo, que sempre havia sido Roma. A nova cidade foi inaugurada em 330. Dali, Constantino governou até a morte, em 337.

Constantino ganhou fama de soldado brilhante, pois nunca perdeu uma batalha, mas seu feito mais notável foi ter sido o primeiro imperador a reconhecer e oficializar a fé cristã. Apesar disso, ele só se deixou batizar no finalzinho da vida.

Fonte:

Wikipédia

QUANDO NOSSO MUNDO SE TORNOU CRISTAO

Neste livro Paul Veyne explica a formação do cristianismo sem passar pelo pensamento determinista. O historiador francês sustenta a tese de que o desenvolvimento do cristianismo, inicialmente uma religião minoritária, não aconteceu por contingências sociais e políticas de uma época, mas pelo desejo de um indivíduo, Constantino, convertido, torná-la a religião de seu império.

Formato: Livro
Autor: VEYNE, PAUL
Tradutor: CASTRO, MARCOS DE
Editora: CIVILIZAÇAO BRASILEI
Assunto: HISTÓRIA GERA






Fonte:

Livraria Cultura

Martinho de Tours

Bispo e Confessor ( Candes, França, 397)


Era filho de um Tribuno e soldado do exército romano. Nasceu e cresceu na cidade de Sabaria, Panónia (atual Hungria), em 316, sob uma educação da religião dos seus antepassados, deuses mitológicos venerados no Império Romano, aos 10 anos de idade, entrou para o grupo dos catecúmenos (aqueles que estão se preparando para receber o batismo). Aos 15 anos de idade, e contra a própria vontade, teve de ingressar no exército romano e dirigir-se para a Gália (região na atual França). Aos 18 anos abandonou o exército pois o cristianismo não comportava mais suas funções militares. Foi batizado por Santo Hilário, bispo da cidade de Poitiers.
São Martinho de Tours
"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade" dizia Martinho, Bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.
Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exercito romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas, enfim em todo os países do mundo.
Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316 e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porem sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afasta-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho, continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, hoje França.
Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.
Com vinte e dois anos já estava batizado, provavelmente pelo Bispo de Amiens, afastado da vida da corte e do exercito. Tornou-se monge e discípulo do famoso Bispo de Pointiers, Santo Hilário que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Pointiers. Ali ele fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação, que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.
No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou então a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges ele visitava as aldeias pagãs, pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência fundava um mosteiro com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nesta época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371 o povo o aclamou por unanimidade para ser o Bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica, visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, mas se expandiu por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos e, aos oitenta e um, estava na cidade de Candes, quando morreu no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.
Venerado como Santo Martinho de Tours ele se tornou o primeiro Santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e se tornou um dos Santos mais populares da Europa medieval.


Fonte:

Wikipédia

Serapião, 14 de Novembro

Mártir (+ Alexandria, séc. III)



Foi martirizado no Egito, durante a perseguição do imperador Décio. O historiador Eusébio de Cesaréia registra seu martírio, com as seguintes palavras: "Preso Serapião em sua casa, foram-lhe infligidas cruéis torturas. Desfizeram-lhe todas as juntas dos membros e o precipitaram do andar de cima da casa, de cabeça para baixo".

Assim, ainda jovem ele era discípulo de Santo Antônio, o abade no deserto e foi um grande incentivador de Santo Atanásio de Alexandria, que nos conta isso em seu livro "A vida de Antônio". Nos conta ainda que Serapião visitou Antônio e discutiam vários assunto de alto teor teológico e complexidade e quando Antônio faleceu, deixou para Serapião a sua túnica.

Anos mais tarde, quando Serapião foi consagrado Bispo de Thmuis (perto de Diospolis) no delta do Rio Nilo, ele se tornou uma figura líder nos assuntos eclesiásticos. Ele foi um vigoroso oponente do arianismo (doutrina que dizia que o Filho não era consubstanciado com o Pai).
Por isso ele foi banido pelo imperador Constantino, mas foi chamado de o "grande confessor" por São Jerônimo. Tão logo a blasfêmia do macedonianismo apareceu, Serapião vigorosamente se opôs à negação da Divindade do Espírito Santo e informou Atanásio, que logo em seguida escreveu contra ela em quatro cartas dirigidas a Serapião em 359 (enquanto Atanásio estava escondido no deserto).
A principal fonte para as suas obras é Jerônimo (De Vir. Illus., 99 ). Por ele, sabemos que Serapião também escreveu um excelente livro contra o maniqueísmo, além várias cartas e tratados sobre os Salmos, mas que se perderam com o tempo.

Acima de tudo São Serapião tornou-se conhecido por causa de um escrito sacramentário de sua autoria chamado "Euchologion", que foi descoberto e publicado em 1899. Esta coleção de orações litúrgicas foi traduzido para várias línguas, inclusive o inglês, e era destinado primeiramente aos bispos. Não obstante, é muito usado pelo publico em geral em todo o oriente e pela Igreja Copta. Uma das obras dos apócrifos do Novo Testamento, a Vida de João Batista é atribuída a ele.
























Fonte:

Wikipédia

Teodoro,09 de Novembro

Mártir Ásia Menor, séc. III


São Teodoro, jovem soldado romano, é um dos mais célebres mártires do Oriente. Nasceu na Síria, no final do Século III.

Teodoro pertencia a uma legião romana que havia estabelecido seu quarteirão de inverno na cidade de Amasia, onde os editos de perseguição contra os cristãos eram severamente executados. O jovem soldado, cheio do amor de Jesus Cristo, apesar dos riscos que corria, desprezou o perigo que representava não esconder a sua fé; ao contrário, fez questão de professá-la publicamente. Foi também apresentado como cristão ao tribuno de sua legião. Este perguntou-lhe como ousava professar uma religião proibida sob pena de morte, ao que Teodoro respondeu: “Eu não conheço os vossos ídolos; eu adoro Jesus Cristo, Filho único do meu Deus. Abandono a vós o meu corpo; podeis rasgá-lo, fazê-lo em pedaços, entregá-lo às chamas. Se meus discursos vos ofendem, cortai-me a língua.” O tribuno e os juízes, diante de sua juventude, contentaram-se em ameaçá-lo e deixaram-no em liberdade.

Teodoro sonhava apenas em conquistar almas para Jesus Cristo, em fortalecer os outros irmãos que professavam sua fé; ele teve até mesmo coragem de pôr fogo no templo da deusa Cibele. Foi em vão que tentaram fazê-lo manifestar algum arrependimento a esse respeito: ele enfrentou todas as ameaças da mesma forma como riu de todas as promessas que lhe foram feitas. Foi então cruelmente açoitado e trancado numa masmorra, sem comida, para ali morrer de fome. Durante a noite, Jesus Salvador foi visitá-lo, prometendo-lhe que o alimentaria com um alimento invisível e fortificou-o para o último combate.

Esta visita deu a Teodoro tanta alegria que ele se pôs a cantar louvores a Deus. Conta a lenda que anjos vestidos de branco vieram unir suas vozes à sua. Os carcereiros e os guardas, o juiz em pessoa, todos foram testemunhas deste milagre, porém sem se converterem. Prometeram-lhe que, se ele apenas fingisse a mínima submissão, seria posto em liberdade. Tendo respondido a essas novas súplicas com uma firmeza invencível, Teodoro foi então rasgado com ganchos de ferro, queimaram-lhe as costelas com tochas ardentes, condenando-o depois a ser queimado vivo. O valente soldado, colocado sobre a fogueira, fez sobre si o sinal da Cruz e logo sua bela alma voou para o Céu.

Fonte:
Hágios da Trindade

Santos Escultores, 08 de Novembro

 Mártires (+ Panônia, 306)

Na Panônia, atual Hungria, cinco escultores cristãos foram decapitados porque se recusaram a esculpir estátuas de ídolos. Seus corpos foram lançados ao rio Danúbio.

A Panónia ou Panônia é uma região da Europa Central, banhada pelo rio Danúbio, correspondendo atualmente à parte ocidental da Hungria e oriental da Áustria. Na Antiguidade, era habitada pelos panónios, povo de raça ilírica. Dominada por Roma de 35 a.C. a 10 d.C., era região na fronteira deste império e sofreu o choque de muitas invasões bárbaras. A região foi fortemente romanizada. Cidades principais da época romana: Vindobona (atual Viena), Carnutum (atual Petronell-Carnuntum, na Áustria) e Aquincum (atual Ôbuda, um dos bairros de Budapeste).























Evolução dos Cristãos


No final do primeiro século da Era Cristã, havia meio milhão de cristãos no mundo. Quando o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, o número de cristãos alcançou a impressionante marca de 10 milhões, mesmo com o assassinato de dezenas de milhares de cristãos nos primeiros séculos da história da Igreja. A partir do século 8 houve um “boom” no crescimento do Cristianismo. No século 10 a população mundial era de cerca de 250 milhões, dos quais 50 milhões (20%) eram cristãos. No décimo quinto século, quando a população mundial já era de 400 milhões, havia aproximadamente 100 milhões de cristãos no mundo, ou seja, 25% da população mundial era formada por cristãos.
A partir do ano 1500, manifesta-se uma aceleração no crescimento da população mundial, provocada pelos progressos da higiene e da Medicina. Em 1600, havia 580 milhões de pessoas no mundo, dos quais 125 milhões eram cristãos. O primeiro bilhão no crescimento populacional no mundo é superado por volta de 1820 e o segundo, meio século mais tarde, aproximadamente em 1925. Assim, em 1900, havia 400 milhões de cristãos no mundo.
A partir de 1950, houve uma verdadeira explosão no crescimento populacional mundial. O terceiro bilhão é atingido depois de 35 anos, em 1960; o quarto, 15 anos mais tarde, em 1975; e o quinto, após 12 anos, em 1987. Em 2009, a população mundial era de aproximadamente 6,7 bilhões de pessoas, dentre as quais 2,2 bilhões de cristãos.
Sobre os dados do crescimento do número de cristãos durante a História, é preciso destacar inicialmente que, em alguns anos mais remotos, os dados são aproximados, mas mesmo assim são, muito provavelmente, bem próximos da realidade.

Fonte:
CPAD News