A REFORMA PAPAL, A CONTINÊNCIA E O CELIBATO ECLESIÁSTICO:

Resumo

Do século XI ao XIII, o papado liderou o movimento reformador que buscava uma transformação na organização da igreja e da própria sociedade.  Dentre as muitas questões que receberam a atenção do papado neste período, encontrava-se a preocupação com a moral clerical, em especial no tocante à continência e ao celibato, visando um controle do corpo dos religiosos em prol da discretio.  Nossa preocupação central é discutir como, na prática legislativa, o ideal da continência e do celibato clerical foi apreendido. Neste sentido, em nossa investigação, optamos por estudar dois tipos de documentos legislativos: os cânones lateranenses I, II, III e IV, textos normativos de caráter geral, e as correspondências pontifícias do  período do pontificado Inocêncio III (1198-1216).  Leia o artigo completo

Fonte:

Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva/Marcelo Pereira Lima
Texto publicado In: História: Questões e Debates. Instituições e poder no medievo, Curitiba: Programa
de Pós-Graduação em História da UFPR / Editora da UFPR, (37), jul-dez 2002, p. 85-110.

A Reforma Protestante e a Contra Reforma Católica

Resumo:  Este  trabalho  tem  por  objetivo  dissertar  a  cerca  da  problemática  envolvendo  as  causas  e
conseqüências da reforma protestante e subseqüente contra-reforma católica. O texto inicia-se com a fundação da  Igreja  Católica  Apostólica  Romana,  cujo  marco  inicial  fora  o  nascimento  de  Jesus  Cristo  (Yeshua Ben(bar)-Yoseph), tal acontecimento tornou-se o estopim do movimento messiânico que mudou a história da civilização ocidental.  Durante sua trajetória, a Igreja católica, acumulou grande poderio econômico e político, regendo assim a vida de milhares de fieis, transformando-se na instituição mais poderosa da Idade Medieval.
Entretanto, as mudanças no espírito humano decorrentes da evolução do pensamento e de novas práticas
comerciais aliadas aos abusos clericais dão as bases ao movimento da reforma Protestante, abrindo uma
profunda fresta no poderio até então incontroverso do Catolicismo. Leio o texto completo

Palavras-chaves: cristianismo, catolicismo, protestante, reforma, contra-reforma, capitalismo.

Fonte:

Faculdade José Augusto Vieira – FJAV

O corpo e a renúncia aos prazeres da carne na Idade Média Cristã

Introdução 


Michel Foucault, precursor dos estudos referentes à sexualidade, problematizou as questões da sexualidade humana e sua relação com o corpo. A sexualidade, para ele, não é uma qualidade herdada da carne que várias sociedades louvam ou reprimem – não como pensava Freud, um impulso biológico que a civilização canaliza em uma direção ou outra. Mas sim, uma forma de moldar o self “na experiência da carne”, que por si só é constituída em torno de certas formas de comportamento (LAQUEUR, 2001: 24). O sexo, assim como o ser humano, é contextual. É impossível isolá-lo de seu meio discursivo e de sua caracterização socialmente determinada, ao tentar fazer isso incorre ao erro. O corpo privado, incluso, estável, que parece
existir na base das noções modernas de diferença sexual, é também produto de momentos específicos, históricos e culturais. Ele também, como os sexos opostos, entra e sai de foco (LAQUEUR, 2001: 27).


Fonte:
Sheila Rigante Romero/UFRJ

O presente artigo objetiva mostrar como a construção das relações e das práticas sociais institui normas de condutas, estabelece espaços culturais por meio de interdições ou ritos de passagem. Tais normas se aplicam ao corpo de cada indivíduo, grupo, categoria ou classe social. Os estudos referentes à sexualidade e ao corpo constituem-se em objetos essenciais para o entendimento dos diversos significados das relações humanas, compreendidas no seus mais variados e complexos sentidos.

Judaísmo e Cristianismo na Germânia à época das Cruzadas

O  século  XI  passou  por  transformações  que  são  reflexos  de  mudanças importantes que ocorriam na Europa Ocidental. Para entendermos como se formulou a ideia de uma peregrinação em massa em direção à terra santa com intuito de libertar os lugares  sagrados  tomados  pelos  muçulmanos,  precisamos  elucidar  algumas  dessas mudanças que serão cruciais para o entendimento desse fenômeno. 
A primeira pregação formal do Concílio ocorreu no concílio de Clermont em 1095.  Ele tratou vários  assuntos, dentre eles a condenação de abusos da Igreja,  a arbitragem dos diferendos entre a Chaise-Dieu e Cluny, entre Archambaud de Bourbon e Souvigny, as regras das Tréguas de Deus e a excomunhão do Rei Filipe I, que residia, então, na abadia de Mozac, perto de Riom . Em 27 de novembro, em uma plataforma ao ar livre, Urbano II prega a necessidade de correr em auxílio dos irmãos do Oriente, pois os Turcos avançavam pelo coração das terras cristãs, maltratando seus habitantes e violando seus santuários. Salientou a santidade de Jerusalém e descreveu o sofrimento dos peregrinos que para lá viajavam. Tendo pintado o sombrio quadro, fez seu apelo. Que a cristandade ocidental partisse em resgate do Oriente .
Desde  os  primeiros  séculos  medievais,  o  Ocidente  em  processo  de cristianização, atentou-se com desvelo para a questão da guerra e o papel que ela ocuparia  no  universo  do  Cristianismo.Leia o texto completo

Fonte:

Cristiano Ferreira de Barros
Universidade Gama Filho

CRUZADAS NA IDADE MÉDIA

As Cruzadas foram um movimento gerado no Ocidente que resultou num longo enfrentamento militar desenrolado nos limites da Cristandade, especialmente nas regiões da Síria e Palestina, entre os séculos XI e XIII, e na Península Ibérica, entre os séculos VIII e XV.

As guerras ocorridas nas regiões da atual Palestina e Israel foram chamadas de Cruzadas do Oriente e justificavam-se  pela necessidade de os cristãos reconquistarem a Terra Santa. Os conflitos na Península Ibérica — onde os territórios anteriormente em posse dos cristãos e conquistados pelos muçulmanos —
resultaram no que ficou conhecido como Reconquista cristã.
Quais as razões que moveram milhares de pessoas de várias extrações sociais até essas regiões distantes? O que de fato buscavam? Em busca de respostas, procuraremos observar as Cruzadas dentro do seu contexto original. Trataremos também de seu legado para as regiões em que se desenrolaram os conflitos e para o
Ocidente como um todo, ou seja, verificaremos como as Cruzadas mudaram a História. Leia o artigo na integra

Fonte:

Fátima Regina Fernandes

História das guerras / Demétrio Magnoli, organizador. 3. ed. São Paulo : Contexto, 2006.
 

A Cristandade medieval entre o mito e a utopia

Neste ensaio apresentaremos três temas para reflexão: em primeiro lugar discutiremos a hipótese sobre o caráter eminentemente religioso da ideologia na Cristandade medieval; em seguida, ressaltaremos o papel da
reforma “gregoriana” nos séculos XI e XII para a reestruturação desta Cristandade; e, por último, analisaremos mais detidamente a relação particular que os reformadores “gregorianos” articularam com a temporalidade enquanto categoria antropológica.

Entendemos por Cristandade um sistema de relações da Igreja e do Estado (ou qualquer outra forma de poder político) numa determinada sociedade e cultura. Na história do cristianismo, o sistema iniciou-se por
ocasião da Pax Ecclesiae em 313 e deu origem à primeira modalidade de Cristandade dita “constantiniana” a qual se apresenta como um sistema único de poder e legitimação da Igreja e do Império tardoromano.
As características gerais desta modalidade “constantiniana” de Cristandade são, entre outras, o cristianismo apresentar-se como uma religião de Estado, obrigatória portanto para todos os súditos; a relação particular
da Igreja e do Estado dar-se num regime de união; a religião cristã tender a manifestar-se como uma religião de unanimidade, multifuncional e polivalente; o código religioso cristão, considerado como o único oficial, ser
todavia diferentemente apropriado pelos vários grupos sociais, pelos letrados e iletrados, pelo clero e leigos.


Fonte:

Topoi, Rio de Janeiro, dezembro 2002, pp. 221-231.

Muçulmanos prometem erradicar Cristianismo na Nigéria

Um grupo de terroristas muçulmanos declarou guerra a todos os cristãos da região norte da Nigéria. De acordo com informações do site nigeriano Bikar Masr, o grupo jihadista Boko Haram prometeu erradicar o Cristianismo no país. De acordo com informações recentes vindas na Nigéria, o grupo está planejando novos ataques com objetivos de eliminar cristãos e judeus.
O representante do grupo de direitos humanos Preocupação Cristã Internacional, Jonathar Racho, mostrou-se muito preocupado com a atual situação dos cristãos no país. Ele disse que a notícia é alarmante, e confirmou os rumores a respeito do grupo terrorista: “Os informes indicam que membros da Boko Haram recentemente declararam uma guerra aos cristãos no norte da Nigéria. O grupo prometeu erradicar os cristãos de certas áreas da Nigéria”.

O grupo Boko Haram é o responsável por uma onda de atentados que vêm acontecendo na Nigéria desde o final do ano passado, causando mais de 100 mortes. Conforme informações do serviço de imprensa do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, mais de 100 crianças fugiram da Nigéria para o Chad, tentando escapar dos ataques violentos do grupo. Além de matar pessoas, o Boko Haram já queimou várias escolas na região.
O grupo terrorista está entre os suspeitos de ter planejado e executado o atentado contra uma igreja cirstã no último domingo, quando um suicida lançou um carro cheio de explosivos contra uma igreja, que fica em Jos, no centro do país, deixando 10 mortos.

Fonte: Gospel+

As formas e os gêneros literários da Bíblia

É o padrão da exegese moderna. Em geral todo método exegético moderno aborda os seguintes tópicos:

a) critica textual - se os manuscritos originais desapareceram ou nunca foram encontrados, como se sabe se o texto atual corresponde ao original? Até que ponto é fiel? Em 1008, foi encontrado um manuscrito básico para a edição da melhor bíblia hebraica que se tem hoje. Está no museu de Leningrado. Mas, questiona-se: por quanto tempo o livro foi sendo recopiado, e foi adquirindo erros de escrita? Muitas vezes, vários manuscritos (cópias) de um mesmo livro trazem palavras diferentes. E por que tanta fé neste manuscrito?

O manuscrito mais antigo (até pouco tempo) do AT era composto de fragmentos de um papiro do I ou II século a.C. Os beduínos acharam às margens do Mar Morto vários manuscritos datando do II século a.C. e há alguns, como o livro de Isaías, cujo texto é quase completamente igual ao que temos. A Bíblia original (copiada) data do século II d.C. Os rabinos tinham muito cuidado em transmitir a doutrina, e procuravam unificar os textos. Os textos velhos eram colocados em lugares onde ninguém podia mais usá-los, chamados gezidas. Numa destas gezidas foi encontrado um documento do ano 800, aproximadamente, do qual aquele de 1008 é cópia. A diferença entre ambos é pouquíssima. Ora, se a nossa Bíblia é a tradução daquele manuscrito, considerado autentico, aquela Bíblia é a melhor.

b) 'sitz in leben'- Há livros que antes de serem escritos, foram passados oralmente por várias gerações. Cada manuscrito que serviu para a composição de um texto tem uma história diferente. Por isso eles dividem as perícopas e estudam as tradições e fontes delas. E como o manuscrito chegou a esta fonte? Deste estudo se deduz a 'sitz in leben' (situação na vida) deste manuscrito no gênero literário. A 'sitz in leben' que este gênero literário tem na comunidade; a 'sitz in leben' desta comunidade na história.

c) história da redação - Por que há certas palavras a mais ou a menos nos Evangelhos? Isto varia com a 'sitz in leben' do manuscrito. Quem determina isto é a critica literária. Tudo isto dentro do estudo da história das formas.

2. PRINCIPAIS GENEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA

Dividem-se assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia:

a) Narrativo: histórico e didático

b) Legislativo

c) Sapiencial

d) Profético

e) Cânticos

a) narrativo-didático: mito, saga, legenda, conto, fábula, alegoria, parábola

l. mito - conto que se passa com deuses, ou cujos personagens são os deuses. Têm tonalidade solene e são originários de círculos politeístas. A mitologia babilônica, por exemplo, muito influenciou no povo de Israel, que sempre foi monoteista. Isto se vê nos salmos 103, 6-9; 17, 8-16; 88, ll e nos proféticos: Job 26, l2. Nos livros históricos, a influência é mais velada. Mas a árvore da vida do Gênesis já existe num poema de Gilgames (de origem Babilônica): um herói perguntou a um seu antepassado que era deus, onde ficava a árvore da vida. Ele a encontrou no fundo do mar, e levou um ramo para plantar. Tendo sede, foi beber num poço e uma serpente levou o seu ramo. A história do dilúvio tem uma similar na cultura babilônica. É o caso de uma deusa que era amada ao mesmo tempo por um deus e por um homem. Então para matar o homem, o deus mandou o dilúvio.

O importante a se notar nisso tudo é que, ao ser transcrita para o livro sagrado, o autor purifica a lenda, tirando as características politeístas e servindo-se da cultura popular para levar uma mensagem. A árvore da vida, na bíblia, significa que o homem foi criado para não morrer. Na sabedoria babilônica, explicam que o mundo nasceu de uma briga dos deuses. O deus vencido foi partido ao meio. De uma metade fez o deus vencedor o céu; de outra fez a terra. Depois pediu a um deus artista que fizesse o homem com o sangue apodrecido do deus vencido. Por isso, o homem e o mundo são maus do principio. O autor sagrado aproveita-se destes elementos, mas purificando-os e adaptando-os. A tradicional briga dos anjos com Lucifer existe num mito fenício sob a forma de uma briga de deuses. A linguagem mítica da bíblia, o antropomorfismo de Deus... tudo isto tem origem desta inspiração na literatura exterior a Israel.

2. saga - contos que se ligam a lugares, pessoas, costumes, modos de vida dos quais se quer explicar a origem, o valor, o caráter sagrado de qualquer fenômeno que chama a atenção. A saga se chama etiológica quando procura a causa de um fenômeno. Por exemplo, para explicar a existencia de uma vegetação pobre e espinhosa na região sul ocidental do Mar Morto, surgiu a lenda de Sodoma e Gomorra, a chuva de enxofre... A origem de várias estátuas de pedra, formadas pela erosão é explicada pela história da mulher de Ló, que foi transformada em estátua. A narrativa de Caim e Abel é outra, para explicar a origem de uma tribo cujos integrantes tinham um sinal na testa. Explicavam que Deus colocara um sinal em Caim para que ninguém o matasse, e daí este sinal ficou para a descendência. O próprio nome de Caim é inventado, porque a tribo tinha o nome de cainitas e eles deduziram que seu fundador devia chamar-se Caim.

A saga se chama etimológica quando é para explicar um nome. Existe na Palestina uma Ramat Leqi (montanha da queixada). Para explicar a origem deste nome eles inventaram a estória de Sansão, um homem muito forte, que lutara contra muitos inimigos usando uma queixada, e os vencera. Depois ele jogou a queixada naquele monte, que ficou c conhecido como monte da queixada. 0 caso das filhas de Ló (Gen, 19) é uma história difamatória contra os amonitas e moabitas, tradicionais inimigos de Israel. (Amon e Moab significam 'do pai'). Outras sagas da Bíblia: a de Noé embriagado; a briga de Labão com Jacó (Gen 31). A saga se chama heróica quando tem por finalidade engrandecer a vida dos heróis do passado. O valor da saga está na riqueza popular (folclórica) que ela traz. Nem sempre há lição em cada uma. Mas a fartura de detalhes que ela traz mostra a mentalidade do povo. Seu valor é maior para a critica literária.

3. legenda - distingue-se da saga porque se refere a pessoas ou objetos sagrados e querem demonstrar a santidade destes por meio de um fato maravilhoso. Legendas na Bíblia há em Num 16,1 - 17,15: histórias a respeito de Moisés; Dan l, 2, 3, 4: sonhos de Daniel; Os milagres de Elias contra os sacerdotes de Baal; Gen 28,10: Jacó sonha com os anjos (pedra de Betel). É comum nas legendas referir-se à lei ou objeto de culto. A imolação de Isaac, que não deu certo, é para reprimir um costume dos cananeus de imolar crianças, costume proibido pela lei de Moisés. A serpente de bronze (Num 21) se refere a uma serpente de bronze mandada fazer pelo rei Manassés, que foi destruída por Javé. A circuncisão (Gen 17) é explicada assim: Deus apareceu a Abraão para fazer aliança com ele e o pacto era a circuncisão de todos os meninos no oitavo dia. Jos 5, 9 e Ex 12 e 13 falam da origem da Páscoa.

4. parábolas, fábulas, alegorias - parábola é uma história comparativa, de sentido global (ex: II Sam 12, 1-4); fábula é a narrativa que faz os seres inanimados ou os animais falarem (ex: Juízes, 9,7); alegoria é uma história comparativa em que cada elemento tem um significado particular (ex: Is 5, 1-7). Há ainda o apólogo, quando se trata da animação de objetos.

b) narrativo-histórico

Difere do didático porque pretende contar um fato acontecido realmente. Há três tipos:

1. popular, onde ninguém sabe o fim da lenda e o começo da história. É uma história primitiva, baseada em histórias que corriam na boca do povo, um misto de elementos verídicos e legendários acrescentados. Os livros Josué e Juízes (550 a.C.) estão nesta categoria.

2. epopéia (nacional-religiosa) são histórias retiradas da catequese do povo. Se bem que tenham elementos acrescentados, todavia a mensagem pode ser considerada autêntica. O exemplo mais típico deste gênero é a narração epopéica da passagem do mar vermelho (Ex. 14 ). A fuga de Israel do Egito está ligada a um fato acontecido no tempo de Ramsés II. Ele foi um faraó que empreendeu grandes conquistas, principalmente à procura de escravos para trabalhar. Entre os povos submetidos havia um grupo de judeus. Mais tarde, fraquejou a vigilância, e muitos fugiram, inclusive muitos judeus. Então eles empreenderam a fuga pelo deserto e se aproveitaram de uma região onde havia um braço de mar que secava durante a maré baixa para sair do território egípcio.

Esta narrativa na Bíblia é contada com todos aqueles retoques conhecidos. Mas se analisarmos bem, veremos que na própria Bíblia, há duas citações do mesmo fato, e cada uma conta diferente. São as duas tradições: a javista, mais antiga e mais verdadeira, afirma que o vento soprou durante toda a noite e fez o mar recuar; a sacerdotal, mais recente, modificou a narração para a divisão das águas em duas muralhas por onde todos passaram em seco. Há uma certa contradição nestas duas. Mas o que se deve concluir daí é que os soldados os perseguiram na fuga e eles passaram na maré baixa. Quando os soldados chegaram, a maré já subira e não dava passagem. Enquanto isso, eles se adiantaram ainda mais. Ao transcrever isto na Bíblia, o autor sagrado quer mostrar o fato da presença de Deus em ajuda de seu povo, através dos elementos da natureza.

3. historiográfico - é o trabalho dos escribas encarregados de escrever as crônicas dos anais dos reis. A partir destas crônicas vários livros foram escritos. 0 I Reis, cap. 11, vers.41 cita os anais de Salomão; em 14, 19 afirma que o restante está nos livros das crônicas dos Reis de Israel. São documentos de maior credibilidade, porque são mais históricos. Somente a partir do livro dos Reis, é que são usados documentos escritos na época.

Antes era apenas história popular.

c) Legislativo

É representado na Bíblia principalmente no Pentateuco. Tem muito em comum com os outros povos vizinhos e herdou muito deles. Há passagens na Bíblia que são repetições do código de Hamurábi. Os povos orientais são muito ricos neste tipo de literatura. Quanto aos tipos de leis, há três: 1. leis causídicas: pormenorizadas conforme as situações; 2. leis apodíticas: universais; 3. leis rituais.

d) Sapiencial

Originou-se também dos povos vizinhos, principalmente a partir do Exilio. São de origem profana e não religiosa, pois as suas fontes também não eram religiosas. 0 povo oriental é pensador por natureza e a sabedoria é uma virtude muito difundida e apreciada. A sabedoria bíblica não difere muito da sabedoria oriental em geral.

e) Profético

Também tem origem fora de Israel. Os povos da época tinham seus profetas. Eles moravam nos palácios dos reis e eram os que dialogavam com os deuses. É preciso notar que naquela época profeta não era sinônimo de adivinho, como às vezes se identifica. Eles·manifestavam ao povo a vontade de Deus com sermões, com sinais, exortações e oráculos.

f) Salmos

Também tem influência externa (fora de Israel). Não são todos de Davi. Apareceram conforme as necessidades. Foram compostos sem sequência ou cronologia. São cantos de louvor, de súplica.

PRINCIPAIS ETAPAS DA HISTÓRIA DE ISRAEL

O primeiro marco importante na história politica·de Israel foi o exílio. Sua finalidade politica era para evitar a rebelião. Em geral, quando era conquistado um povo muito numeroso, os conquistadores achavam perigoso deixá-los em suas terras de origem, porque isso lhes facilitava um trabalho oculto de rebelião para expulsar os invasores. Então, longe de suas terras e sem uma liderança, eles não podiam se movimentar. Os judeus foram assim exilados para a Babilônia. 0 exílio teve início no ano 587 e foi concluído com o edito de Ciro que, em 538 conquistou a Babilónia e libertou os judeus.

Dizem os historiadores que a rivalidade entre judeus e samaritanos começou na volta do exílio. O povo no exilio ficou muito tempo em contado com vários povos estrangeiros e adquiriu com isto um sincretismo religioso que levaram para a Pátria. Ao retornarem à patria, logo eles empreenderam a reconstrução de Jerusalém (casas, templo...), mas não se livraram completamente das influências politeístas, causando assim várias brigas internas.

O Sinédrio era a cúpula religiosa da nação, composta de 70 membros sob a presidencia do Sumo Sacerdote, que tinha autoridade suprema. Os fariseus e saduceus eram partidos politicos, mas com inspiração religiosa. Os primeiros eram da oposição e os outros, da situação. No ano 63 a.C, a Palestina foi conquistada pelos Romanos, iniciando outra era de dominação estrangeira, que perdurou até o tempo de Cristo.

CRONOLOGIA BÍBLICA

* séc.XIX (1850 a.C) - migração de Abraão.

* séc.XIII - libertação do Egito; êxodo (1225 a.C.); aliança no Sinai.

* séc X - (1013 a 973 a.C) - Tempo do Rei Davi. Foi escrita a tradição javista (sul); (970 a 930 a.C) - Tempo do Rei Salomão. Foi escrita a tradição eloista. (norte); (930 a.C) - divisão dos reinos.

* séc VIII (722 a.C) - queda de Samaria para o exército de Sargão II, Profetas escritores.

* séc VII (586 a.C) - queda de Jerusalem para Nabucodonosor, rei da Babilônia; (538 a.C) - edito de Ciro, volta do exílio.

* séc III (300) - tradução dos 70.

Fonte

Veritais

HISTÓRIA, RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE.

A abordagem das questões propostas pelo tema é uma  tarefa que exige,
preliminarmente, um estabelecimento de conceitos operacionais e normativos que
permitam o entendimento razoavelmente seguro, ou menos problemático, desse
universo.

Religião e religiosidade são produções humanas situadas na esfera da cultura, ou
da superestrutura, se quiserem; são históricas, portanto, mas que por vezes são
interpretadas como a - históricas e, além disso, se propõem elas mesmas, estabelecerem
um conceito e uma filosofia da história.
A complicar ainda mais o trabalho, sabemos que são múltiplas e multifacetadas
as conceituações existentes sobre religião, religiosidade e história, de modo que é
necessário, digamos, desbastar um pouco esse terreno para que possamos transitar
melhor por ele.

O que podemos entender por história? Pergunta aparentemente despropositada
após tantos séculos de estudos sobre a história humana.
Deixa, entretanto, de ser absurda quando se verifica  que, no mundo ocidental,
isto é, aquela parte da humanidade diretamente amoldada pelo eurocentrismo, são várias
as interpretações elaboradas.

Entretanto, a multiplicidade de interpretações elaboradas no muno ocidental
apresentam um traço de união, um elo ligando-as de  algum modo. Iluministas,
marxistas, positivistas, enfim, as racionalidades européias da passagem do século XVIII
para o XIX em diante, das quais derivaram outras vertentes, tais como historicismo,
culturalismo, existencialismo, etc. todas elas estabeleceram uma interpretação da
história lastreada na certeza de que ela é, foi e sempre será uma produção da
racionalidade e da ação humana. Leia o texto completo 

Fonte:

Revista Brasileira de História das Religiões – Ano I, no. 1 – Dossiê Identidades Religiosas e História.

O Livro das Religiões em PDF

Acesse o Livro 


Será que precisamos de uma filosofia de vida? Imagine-se chegando a nossa galáxia, a Via Láctea. Durante milhares de anos você voa sem rumo entre as estrelas e os sistemas solares. De vez em quando, gira em torno de um planeta — sem  enxergar o menor sinal de vida. Você já está prestes a ir embora da  Via Láctea quando, de repente, avista um planeta transbordando de vida no meio de uma das múltiplas espirais da galáxia. Nesse exato momento você acorda. A viagem foi um sonho! Mas você percebe que o
planeta que descobriu em seu sonho é o planeta onde você vive.

Você talvez seja jovem. É bem possível que tenha uma longa vida pela frente. Mas você também sabe que a vida não dura para sempre. De que maneira decidirá viver sua primeira e única viagem ao planeta Terra? Que perguntas fará e que respostas dará?

UM “NOVO” INTERESSE PELA ESCATOLOGIA DA PESSOA?

Os últimos anos parecem suscitar um novo interesse pela escatologia  da pessoa, como indicam as obras que comentaremos a seguir, além de outras publicadas recentemente1. A que se deve um tal interesse? É ele portador de uma real novidade? Vejamos o que os textos que analisaremos nos sugerem, em sua diversidade de estilos, dimensões e propósitos. A primeira obra, "Y a-t-il quelque chose après la mort?"2, da coleção Questions de Vie, retoma o debate organizado por Claude Houziaux, pastor, filósofo e teólogo da Igreja reformada do templo de l'Étoile, em Paris, sobre as crenças da vida após a morte na teologia cristã, nas religiões chinesas e no islã... Leia o artigo inteiro 


Fonte:


PERSPECTIVA TEOLÓGICA, VOL. 38, NO 105 (2006)

Pesquisa aponta Brasil como país “exportador do Cristianismo

De acordo com o levantamento feito por uma pesquisa do “Centro para o Estudo do Cristianismo Global”, o Brasil enviou para o exterior, somente no ano de 2010, 34 mil missionários cristãos para o exterior. Dessa forma o país se consolidou como o segundo país que mais enviou pregadores para o exterior, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que enviou 127 mil missionários no mesmo período.
As estatísticas foram apresentadas por Todd Johnson, diretor do centro, que é sediado no Seminário Teológico Gordon-Conwell em Massachusetts, e mostram que no mundo todo 400 mil missionários foram enviados para fora de seus países naquele ano. Curiosamente, apesar de os Estados Unidos ser o país que mais envia missionários ao exterior, é também o país que mais recebe os missionários estrangeiros, totalizando 32.400 missionários estrangeiros que chegaram ao país em 2010, a maioria destes provenientes do Brasil.

O estudo mostrou também que o Brasil tem a segunda maior população protestante do mundo, atrás novamente dos Estados Unidos, e que a grande maioria dos missionários voluntários enviados pelo Brasil é proveniente da JOCUM (Jovens Com Uma Missão), entidade missionária criada em 1960 por Loren e Darlene Cunningham, responsáveis por 16 mil missionários enviados em 2010.
O levantamento contabilizou apenas os missionários voluntários, não levando em conta os pregadores que as igrejas pentecostais enviaram para o exterior naquele ano. Dessa forma, os reais números de missionários brasileiros é bem maior que o já mencionado, se levarmos em conta brasileiros enviados para o exterior por igrejas como a Universal.

De acordo com site Christian Today, Dana Robert, a autora de “Missão cristã: Como o cristianismo se tornou uma religião mundial”, afirmou que até o ano 2000 cerca de dois terços dos cristãos do mundo vieram de países onde os missionários ocidentais trabalharam um século antes. Ela ressaltou a participação norte-americana no trabalho missionário e a recente explosão de interesse no trabalho missionário entre os cristãos da Ásia, África e América Latina.

Fonte

Noticias Gospel,

Primeira relíquia cristã?

Desenho encontrado em catacumba de Jerusalém que seria a primeira manifestação dos seguidores de cristo causa polêmica.

Representação do que seria um peixe configuraria uma prova
de que o ossuário onde ele está gravado pertenceu a um cristão

Para quem estuda as origens do cristianismo, qualquer registro produzido durante ou próximo da passagem de Jesus Cristo pela Terra vale ouro. Além de raros, esses documentos, muitas vezes feitos por quem conviveu com o messias, têm importância histórica sem igual. Nesse sentido, fica fácil entender o rebuliço causado pelo anúncio, na semana passada, da descoberta do que seriam os primeiros desenhos e escritos cristãos, datados do ano 70 d.C. Encontrados por uma equipe de estudiosos da religião em uma catacumba debaixo de um condomínio de prédios de Jerusalém, os achados surpreenderam a todos. “Até a gente teve dificuldade em acreditar que havia feito essa descoberta”, diz Simcha Jacobovici, coordenador da empreitada, documentarista e professor na Universidade Huntington, nos Estados Unidos. “Mas as evidências que estavam diante de nós eram fortes demais.”

Dois objetos são o centro das atenções do achado – um ossuário gravado com um desenho que seria de um peixe, símbolo que imperou como representação gráfica do cristianismo em seu início, e uma pedra com inscrições na língua grega que poderiam ser traduzidas como “Divino Javé, ascenda”. Segundo a equipe de Jacobovici, a imagem do peixe seria a mais reveladora, já que ela seria uma referência à história de Jonas, tida como uma alegoria da ressurreição de Cristo, um dos pilares do cristianismo. Dado como morto ao ser engolido por uma baleia, Jonas surgiu vivo três dias depois, como Jesus emergiu de seu sepulcro.

Mas as sugestões espetaculares da equipe de Jacobovici, que trabalhou com a ajuda de um braço mecânico para chegar às catacumbas, não convence a todos. A comunidade arqueológica, em especial, tem se mostrado bastante cética. “Ninguém garante que o desenho seja de um peixe, muito menos que esse peixe represente a história de Jonas”, afirma Rodrigo Pereira da Silva, arqueólogo e doutor em teologia bíblica. “Há dúvidas também quanto à tradução do que dizem as inscrições.” O histórico de Jacobovici e sua equipe também não ajuda. Em 2007, o professor anunciou, com alarde, a descoberta do suposto ossuário de Jesus, o que foi prontamente rebatido por arqueólogos e logo identificado como uma ação de marketing para o lançamento de um livro e um documentário no mesmo ano. Curiosamente, um livro e um documentário estão previstos para acompanhar essa nova descoberta. “Para chegar às conclusões a que eles chegaram, esse material ainda precisa ser muito estudado”, resume Silva.

Fonte:

Revista IstoÈ

ORALIDADE E RELIGIÃO: ESTUDO COMPARADO ENTRE A RELIGIÃO DA GRÉCIA ANTIGA E O CRISTIANISMO

Este artigo tem como intenção levantar questões acerca de duas religiões: a religião
grega antiga e o Cristianismo.  Realizar um estudo comparativo entre duas religiões tão diferentes e
distantes no tempo pode parecer uma tarefa impossível. No entanto, estas duas religiões possuem
pontos  convergentes,  trajetórias  e  diferenças  que  auxiliam  na  reflexão  sobre  suas  formas  de
divulgação e preservação. O ponto central desta reflexão se baseará na questão da oralidade e da
existência   ou não - do livro sagrado nestas religiões.  As formas de divulgação e de preservação
dos preceitos religiosos são importantes para entendermos sua difusão, interpretações e manutenção
ao  longo do tempo.  Para  isso, será necessário analisarmos  os  contextos  históricos  nos quais
estavam inseridas, o que significavam para seus seguidores e os fatores que auxiliaram uma delas a
se tornar uma das maiores religiões do planeta e a outra a desaparecer como crença fundadora de
valores e identidades. Leia o artigo completo

Fonte:

Revista Brasileira de História das Religiões. ANPUH, Ano III, n. 8, Set. 2010 - ISSN 1983-2850