Vaticano: 62 mártires a caminho dos altares


O Papa Francisco aprovou a publicação dos decretos que reconhecem o martírio de 62 católicos, assassinados no século XX por causa da sua fé, revelou hoje o Vaticano.

Esta é uma etapa do processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, penúltima etapa para a declaração da santidade.

Os decretos incluem o reconhecimento das ‘virtudes heroicas’ da portuguesa Sílvia Cardoso Ferreira da Silva (1882-1950), que se distinguiu em atividades de caráter social.

Os martírios confirmados pelo Vaticano incluem 58 religiosos mortos durante a Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1938.

Os outros quatro casos aconteceram durante a II Guerra Mundial, no campo de Dachau, Alemanha (1945), e na Itália (1945); e durante os regimes comunistas na Roménia (1954) e Hungria (1953).

O Papa reconheceu ainda um milagre atribuído à intercessão de uma religiosa alemã, Maria Teresa Bonzel (1830-1905) e outros seis decretos sobre “virtudes heroicas” de cinco padres e um religioso.

A canonização, ato reservado ao Papa desde o século XIII, é a confirmação, por parte da Igreja Católica, que um fiel católico é digno de culto público universal e de ser apresentado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade.

Nos primeiros séculos da Igreja, o reconhecimento da santidade acontecia em âmbito local, a partir da fama popular do santo e com a aprovação dos bispos.

Fonte

Agência Ecclesia 

Pastores que devem ter o “cheiro das ovelhas”: Papa pede padres próximos do povo


O Papa Francisco presidiu hoje pela primeira vez à missa crismal no Vaticano, que reuniu cerca de 1600 membros do clero, e pediu que os padres estejam próximos do “povo”, em particular nas “periferias” humanas.

“É preciso experimentar a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”, disse, na homilia que proferiu na Basílica de São Pedro.

Segundo o Papa, é necessário que os padres estejam atentos às “situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.

“Quando envergamos a nossa casula [veste litúrgica] humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo”, acrescentou.

A cerimónia desta manhã, que se repete nas catedrais de todo o mundo, inclui a bênção dos óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do crisma, utilizado na celebração de vários sacramentos.

“O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo, esta é uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia”, observou.

Francisco partiu da simbologia dos óleos para sublinhar que a sua unção “é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados”.

“A unção não é para nos perfumarmos a nós mesmos, menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso e o coração amargo”, alertou.

O Papa argentino voltou a insistir na urgência de “sair” ao encontro dos outros e deixou um aviso aos padres: “Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor”.

“A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor ‘já receberam a sua recompensa’. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades”, assinalou.

A homilia papal comparou os sacerdotes católicos a pastores que devem ter o “cheiro das ovelhas” e estar “no meio do seu rebanho”.

“É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes”, declarou.

O Papa Francisco vai celebrar esta tarde a primeira missa do Tríduo Pascal num centro de detenção para menores, em Roma, celebração na qual lavará simbolicamente os pés a 12 jovens de várias nacionalidades e religiões.

Papa celebrou missa de Quinta-feira Santa em estabelecimento penal para menores



O Papa presidiu à celebração da tarde desta Quinta-feira Santa,num centro de detenção para menores, em Roma, na qual lavou os pés a 12 jovens de várias nacionalidades e religiões.

Francisco apresentou uma homilia breve, centrada no simbolismo do gesto, que classificou como “comovente”, de Jesus que lava os pés aos seus discípulos para dar um exemplo de “serviço pelos outros”.

“Lavar os pés significa: eu estou ao teu serviço”, acrescentou.

O Papa convidou os presentes a ajudarem-se mutuamente e deixou uma pergunta: “Pensemos, cada um de nós: estou verdadeiramente disposto a servir, a ajudar o outro?”.

Segundo Francisco, o lava-pés é um “sinal”, “uma carícia de Jesus, porque Ele veio precisamente para servir”.

“Ajudar-nos uns aos outros: é isto que Jesus nos ensina e é o que eu faço. Faço-o de coração, porque é meu dever, como padre e como bispo tenho de estar ao vosso serviço, mas é um dever que vem do coração”, prosseguiu.

A celebração teve um “caráter íntimo”, por vontade expressa do Papa argentino, sem transmissão televisiva em direto e presença de jornalistas limitada ao exterior do Instituto Penal para Menores (IPM) de Casal del Marmo, nos subúrbios da capital italiana, que Bento XVI visitou em 2007 e João Paulo II em 1980.

A escolha do local da missa, transmitida pela Rádio Vaticano, foi explicada pela Santa Sé como uma continuação do “ministério como arcebispo de Buenos Aires” do cardeal Bergoglio, hoje o Papa Francisco, que “costumava celebrar numa prisão ou num hospital ou em casas para pobres ou pessoas marginalizadas”.

A ‘missa da Ceia do Senhor’ é caraterizada “pelo anúncio do mandamento do amor e pelo gesto do lava-pés”.

A celebração contou com a participação de 46 jovens dos 14 aos 21 anos, incluindo 11 raparigas, todos do IPM, que proferiram as leituras da cerimónia.

O Papa lavou os pés a 12 deles, incluindo duas raparigas, escolhidos entre várias nacionalidades e confissões religiosas.

O sucessor de Bento XVI envergou um avental oferecido pela comunidade de "Villa San Francesco" de Facen Pedavena (Belluno), Itália, que acolhe crianças e jovens com problemas familiares ou pessoais.

O avental foi tecido pelas crianças acolhidos da comunidade com fios de Betânia, Jericó e da antiga cidade de Tecoa, o local de nascimento do profeta Amós, na Terra Santa.

Francisco teve a companhia do cardeal Agostino Vallini, vigário papal para a Diocese de Roma, e do padre Gaetano Greco, capelão no IPM.

Após a missa, o Papa encontrou-se com os jovens e o pessoal do centro de detenção, um total de aproximadamente 150 pessoas, no ginásio da instituição, na presença da ministra da Justiça da Itália, Paola Severino, que agradeceu a Francisco.

Os jovens pfereceram a Francisco um crucifixo e um genuflexório de madeira, fabricados por eles mesmos, e o Papa vai retribuir com doces tradicionais da Páscoa.

"Não deixeis que vos roubem a esperança, entendido? Sempre em frente, com esperança. Obrigado”, disse.

Fonte:

Agência Ecclesia

Tríduo Pascal, símbolos e espiritualidade


Agência ECCLESIA (AE) – O que celebra a Igreja nestes dias centrais do seu calendário litúrgico?

Luis Manuel Silva (LMS) – A Igreja celebra, anualmente, de maneira solene a Páscoa, a que chamamos o Tríduo Pascal (começa na Quinta-feira à tarde com a celebração da Ceia do Senhor e termina no Domingo de Páscoa, com as segundas vésperas). Na Quinta-feira Santa, o olhar e toda a vida da Igreja se centra no cenáculo, onde Jesus instituiu a Eucaristia e onde nos deixou o mandamento novo do amor. Expresso, concretamente, no gesto que São João nos relata, no capítulo 13 do seu evangelho, com o lava-pés.



AE – A espiritualidade da Quinta-feira Santa está centrada na Ceia do Senhor?

LMS – Na instituição da Eucaristia, onde Jesus dá um sentido novo a todo aquele rito. Ele próprio o diz, quando pega no pão e no vinho, «tomai e comei, tomai e bebei, este é o meu corpo, este é o meu sangue». A Páscoa começa com a própria celebração histórica, para Jesus, na última ceia, como uma nuvem da paixão do Senhor. Jesus celebra a última ceia, já envolvido por todos os acontecimentos.

Na última ceia, Jesus institui a Eucaristia de maneira a que a Igreja – ao longo dos séculos – possa sempre celebrar e renovar o memorial da Páscoa de Jesus, através de elementos que Ele próprio escolheu na última ceia. Elementos que ficassem como sinais, como presença, da sua vida e da sua obra redentora.



AE – O pão, a água e o vinho…

LMS – São elementos que Jesus escolheu na ceia hebraica. No entanto, é bom recordar que a ceia hebraica tinha outros elementos, como o cordeiro pascal, as ervas amargas. Há aqui um mistério de uma vida dada e de uma vida renovada que a Igreja pode, cada vez que celebra a Eucaristia, tornar presente. Isto é o aspecto mais impressionante, Jesus deixa-se presente para que o cristão, o baptizado, vá peregrinando no tempo, mas alimentando-se do pão que é da eternidade.



AE – Mas existe um segundo elemento desta ceia?

LMS – É o mandamento novo do amor. Jesus expressou-o no gesto do lava-pés. Realiza-o antes da própria instituição quando se levanta da mesa e coloca o avental. Este gesto - socialmente no tempo de Jesus era feito por criados e escravos – de lavar os pés aos presentes. Jesus toma, este gesto, como sinal daquilo que depois, historicamente, vai realizar na cruz: dar a vida e dá-la até ao fim.

O lava-pés é como que uma pré-figuração daquilo que será o acto supremo de Jesus na cruz de entrega, de doação de todo o seu ser, de toda a sua vida humana na cruz para nossa redenção. É um gesto que a liturgia da missa da ceia do Senhor tem e que é proposto, não é obrigatório, mas de renovarmos o lava-pés.

É interessante este aspecto. Jesus, neste gesto, escandaliza os discípulos e Pedro verbaliza esse escândalo. Jesus é firme com São Pedro: “Deixa que se cumpra o que é de justiça”. E depois termina: “Se eu que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, vós, meus discípulos, deveis lavar os pés uns aos outros”.

É nesta linha, que interpreto o Papa Francisco de ir celebrar a missa da Ceia do Senhor numa prisão de menores. É uma maneira, digamos, ao nível ritual, de valorizar este gesto. Normalmente, nas paróquias escolhe-se um grupo de paroquianos (escuteiros, jovens, adultos) e o pároco lava-lhe os pés.



AE – Recorda-se de algum lava-pés em especial?

LMS – Numa Páscoa, celebrei a Ceia do Senhor na Comunidade de Santo Egídio (Roma): foram lavados os pés, nesse gesto, aos pobres, os doentes, os representantes das faixas da comunidade cristã. Formas de valorizar o rito e não o infantilizar. O lava-pés deve ser a expressão de uma atitude constante da comunidade cristã, que ao celebrar a Ceia do Senhor, expressa naquele gesto a sua constante solicitude ao longo do ano por todo este tipo de pessoas ou situações humanas que se vivem.



AE – Estas são as cruzes diárias, mas a Cruz é o símbolo, em destaque, na Sexta-feira Santa?

LMS – Em Sexta-feira Santa, no horizonte da Igreja, ergue-se a Cruz do Senhor. A cruz como sinal da pior das mortes, da morte mais infame, mas que para nós, cristãos, é o sinal da glória. Por exemplo, em São João, é importante este sentido da glória da cruz. Aliás, Jesus passa a sua vida pública, em São João, a dizer: “Ainda não chegou a minha hora”. Repete esta expressão várias vezes, até que quando sobe a Jerusalém, para celebrar a Páscoa pela última vez na sua vida e fará a sua própria Páscoa, Jesus diz, abertamente, que “chegou a hora”.

Esta hora, é a hora da cruz, da glorificação que ao mesmo tempo é paradoxal. A crucificação era para os malfeitores.



AE – Como é que a Igreja recorda esses momentos? Como exalta a cruz em Sexta-feira Santa?

LMS – Nos primeiros séculos, a cruz era olhada com uma certa relutância, devido a este aspecto de ignomínia. Até na arte cristã, a cruz não aparece logo. Depois há uma reabilitação da cruz, como sinal da glória.

A estrutura da celebração de sexta-feira tem três momentos: liturgia da palavra, apresentação e adoração da santa cruz e o rito da comunhão.

Depois da comunidade cristã ter escutado todo o relato da paixão, meditado o texto de Isaías e a carta aos hebreus, a Igreja centra-se na contemplação, quando a cruz entra (a celebração começa sem cruz no templo, nem velas acesas, um total despojamento).

A cruz é apresentada e a comunidade cristã aclama-a por três vezes quando se diz: «Eis o madeiro da cruz no qual esteve suspenso o Salvador do mundo».



AE – Esta aclamação é um misto de adoração, exaltação e súplica?

LMS – Verdade. Diante da cruz do Senhor desvanece-se tudo aquilo que no ser humano nos afasta da cruz: orgulho, auto-suficiência, inveja… Contemplando a cruz do Senhor e o que ali esteve de decisivo para a história da humanidade, a morte e a vida travaram um duelo admirável. Este duelo travou-se na cruz. Naquela morte está o drama da história da humanidade, o drama da história de cada um de nós.



AE – A dramaticidade da Sexta-feira Santa dá lugar ao silêncio no sábado santo que desemboca na vigília pascal. Uma celebração carregada de simbolismo?

LMS – A vigília pascal é a grande noite dos cristãos. É a santa noite dos cristãos. Aliás, na liturgia há uma valorização da noite. Nessa noite, a Igreja reunida aguarda, expectante, a Ressurreição do Senhor. Celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. A vigília pascal é também uma vigília cósmica onde os quatro elementos da natureza estão presentes: terra, ar, fogo e água. Estes elementos foram escolhidos por Ele para a vida sacramental da Igreja.



AE – A luz irrompe da escuridão…

LMS – Em todo o tempo pascal, o círio estará ao lado do ambão. É nessa luz de Cristo Ressuscitado que a comunidade cristã lê as escrituras e toda a história da salvação.



AE – Na liturgia baptismal surge o símbolo da água.

LMS – A bênção da água. Nessa água serão baptizados os catecúmenos e com essa água é aspergida toda a assembleia cristã. A assembleia renova, de maneira solene, os votos do seu baptismo. A água aparece como símbolo da vida. O baptismo é este viver para uma vida nova. Na água do baptismo morre o homem velho.



AE – Esse homem novo recebe mais tarde o Crisma. Esse sopro do Espírito Santo.

LMS – Esse é o símbolo do ar. É o símbolo da vida renovada e confirmada. Toda a palavra proclamada vive neste sentido da simbólica do ar.



AE – E onde encontramos o símbolo da terra?

LMS – A terra está presente no pão e no vinho. Celebrar a Páscoa de maneira solene não é um conjunto de ritualidade. É uma vida que se vai transformando através da realidade sacramental.

Fonte:

Agência Ecclesia

Ordem de Cister (Cistercienses)


A sua origem remonta à fundação da Abadia de Cister (em latim, Cistercium; em francês, Cîteaux), na comuna de Saint-Nicolas-lès-Cîteaux, Borgonha, em 1098, por Roberto de Champagne, abade de Molesme. Este, juntamente com alguns companheiros monges, deixara a congregação monástica de Cluny para retomar a observância da antiga regra beneditina, como reação ao relaxamento da Ordem de Cluny.
Através da "Charta Charitatis", em complemento à regra da Ordem de São Bento, Estevão - terceiro abade de Cister - estabeleceu que a autoridade do suprema da Ordem seria exercida por uma reunião anual de todos os abades. Os mosteiros eram supervisionados pelo mosteiro-sede, em Citeaux, e pelos quatro mosteiros mais antigos da Ordem.
A ordem terá um papel importante na história religiosa do século XII, vindo a impor-se em todo o Ocidente por sua organização e autoridade. Uma de suas obras mais importantes foi a colonização da região a leste do Elba, onde promoveu simultaneamente o cristianismo, a civilização ocidental e a valorização das terras .
Restauração da regra beneditina inspirada pela reforma gregoriana, a ordem cisterciense promove o ascetismo, o rigor litúrgico e erige, em certa medida, o trabalho como valor fundamental, conforme comprovam seu patrimônio técnico, artístico e arquitetônico.
Além do papel social que desempenha até a Revolução Francesa, a ordem exerce grande influência no plano intelectual e econômico, assim como no campo das artes e da espiritualidade, devendo seu considerável desenvolvimento a Bernardo de Claraval (1090-1153), homem de excepcional carisma. Sua influência e seu prestígio pessoal o tornaram o mais célebre dos cistercienses. Embora não seja o fundador da ordem, continua sendo o seu mentor espiritual.
Atualmente, a ordem cisterciense é de fato constituída de duas ordens religiosas e várias congregações. A ordem da « Comum Observância contava em 1988 com mais de 1300 monges 1500 monjas, distribuídos em 62 e 64 monastérios, respectivamente. A ordem cisterciense da estrita observância (também chamada o.c.s.o.) compreende atualmente quase 3000 monges e 1875 monjas, distribuídos em cento e dois monastérios masculinos e setenta e dois monastérios femininos, em todo o mundo. São comumente chamados "trapistas", pois a criação da ordem resultou da reforma da abadia da Trapa (em Soligny-la-Trappe, Baixa-Normandia,França).
Mesmo separadas, as duas ordens têm ligações de amizade e relações de colaboração. O hábito também é semelhante. Os cistercienses são conhecidos como monges brancos em razão da cor do seu hábito.
Embora sigam a regra beneditina, os monges cistercienses não são propriamente considerados beneditinos. Foi no IV Concílio de Latrão (1215) que a palavra "beneditino" surgiu, para designar os monges que não pertenciam a nenhuma ordem centralizada, em oposição aos cistercienses.


Os Cistercienses no Brasil



Desde 1938, a Abadia de Hardehausen estava transferindo seus monges e seu abade, para o Brasil. Em 3 de abril de 1952, a Santa Sé suprimiu a Abadia de Hardehausen, na diocese de Paderborn, Alemanha, que existia desde 28 de maio de 1140, e transferiu para o Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Itatinga, na Arquidiocese de Botucatu.
A abadia de Itatinga recebeu: "todos os direitos e privilégios que até então canonicamente, possuía a Abadia de Hardehausen e de que, em geral, gozam as Abadias Cistercienses".
Em 16 de agosto de 1951, o bispo de Botucatu D. Henrique Golland Trindade e o então governador do estado de São Paulo, Lucas Nogueira Garcez, lançaram a pedra fundamental da Abadia em Itatinga. Além da Abadia e da paróquia de Itatinga, os monges cuidavam ainda por uns tempos da paróquia de Mairinque.
O Abade de Itatinga ficou sendo D. Alfonso Kiliani Heun até 1957 (era Abade desde 1933) quando foi transferido para a Alemanha por Ordem do abade-geral D. Sigardo Kleiner. Foi eleito, em seu lugar, D. Roberto Fluck, antigo prior de Itaporanga, que recebeu a bênção abacial em 30 de maio de 1957, e no mês de julho foi eleito abade-presidente da Congregação Cisterciense Brasileira.
Em 15 de setembro de 1993, alguns jovens, com a aprovação de seu Bispo, começaram a viver sob a Regra de São Bento e, depois de alguns anos de contato com a Ordem Cisterciense, fundaram em 1998 o Mosteiro Nossa Senhora de Nazaré, localizado no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Essa Comunidade de monges, que foi inicialmente acolhida pelo senhor Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, o qual lhes deu aprovação canônica, já figura entre as pré-fundações da Ordem Cisterciense, e, pelo contato com o Abade Geral, com o Sínodo e com o Capítulo Geral da Ordem, apoiada pelo Bispo da Diocese, busca aprofundar uma comunhão que deseja chegar à incorporação definitiva à Ordem Cisterciense. Apesar do acento fortemente contemplativo dessa Comunidade monástica, vão até ali muitos visitantes, ansiosos por descobrir o Mosteiro, ou por encontrar-se com Aquele a quem os monges consagraram suas vidas: o Cristo Jesus.


Ordem de São Bruno (Cartuxos)


Quem era Bruno ?

Nasceu em Colônia por volta do ano de 1030 e chegou, sendo ainda jovem, a estudar na escola catedralícia de Reins. Adquirido o grau de doutor e nomeado Cônego do Capítulo da catedral, foi designado em 1056 escolaster, isto é, Reitor da Universidade. Foi um dos maestros mais renomeados de seu tempo : « …um homem prudente, de palavra profunda ».

Bruno encontra-se cada vez menos a vontade numa cidade onde não escasseiam os motivos de escândalo por parte do alto clero e inclusive mesmo do Arcebispo. Depois de ter lutado com sucesso contra estes problemas, Bruno experimenta o desejo de uma vida mais entregue exclusivamente a Deus..

Depois de uma experiência de vida solitária de breve duração, chegou à região de Grenoble onde o bispo, o futuro São Hugo, ofereceu-lhe um lugar solitário nas montanhas de sua diocese. No mês de junho de 1084 o mesmo bispo conduziu Bruno e seus seis colegas ao deserto do maciço montanhoso de Chartreuse (Cartuxa) que dará seu nome à Ordem. Ali constroem seu eremitério formado com algumas casinhas de madeira que se abrem a uma galeria, que permite aceder sem sofrer demasiado pela intempérie do tempo aos lugares de vida comunitária : A igreja, o refeitório e o Capítulo.

Depois de seis anos de aprazível vida solitária, Bruno foi chamado pelo Papa Urbano II (que fora seu aluno em seu tempo de maestro) ao serviço da Sede Apostólica. Crendo sua novel comunidade que não poderia continuar sem ele, sua Comunidade pensou primeiramente em separar-se, mas finalmente se deixou convencer por continuar a vida na qual tinham sido formados. Conselheiro do Papa, Bruno não se sentia à vontade na Corte Pontifícia. Ele permaneceu somente uns meses em Roma. Com a aprovação do Papa fundou um novo eremitério nos bosques da Calábria, ao sul da Itália, com alguns novos colegas. Ali faleceu a seis de outubro do ano de 1101.

Um depoimento de um de seus irmãos da Calábria :

« Por muitos motivos merece Bruno ser louvado, mas sobretudo por um: Foi um homem de caráter sempre igual (estável). De rosto sempre alegre, e a palavra modesta. Juntava à autoridade dum pai a ternura de uma mãe. Ante ninguém fez ostentação de grandeza, senão que se mostrou sempre manso como um cordeiro. Foi nesta vida, o verdadeiro israelita. »

Monte Carmelo


Monte Carmelo é uma montanha na costa de Israel com vista para o Mar Mediterrâneo. O seu nome (Karmel) significa "jardim" ou "campo fértil". A grande cidade israelita de Haifa localiza-se parcialmente sobre o Monte Carmelo, além de algumas outras cidades menores, como Nesher e Tirat Hakarmel.

Este trata-se do local onde se deu o duelo espiritual entre o profeta Elias e os profetas de Baal. Foi no Monte Carmelo que Elias provou aos homens que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus, e não Baal.


Fonte:

Wikipédia

Espiritualidade Carmelita


A ligação de Nossa Senhora com os carmelitas remonta às origens da Ordem. Os primeiros eremitas latinos que se fixaram no Monte Carmelo, no final do séc.XII, instalaram-se em grutas e construíram no centro delas um oratório dedicado a Nossa Senhora.

Escolheram a Virgem Maria como Patrona da Ordem, a Senhora do Lugar, demonstrando que estavam em honra e a serviço dela, de quem esperavam toda a proteção. Assim os primeiros carmelitas colocaram-se inteiramente à disposição, consagraram-se e viveram em obséquio (dedicação total) de Jesus Cristo e também de sua mãe Maria.

Consideravam-na como Mãe e modelo de vida contemplativa: ela nos ensina a acolher, a meditar e a conservar a Palavra de Deus no coração.Maria também é irmã dos carmelitas que têm como título oficial da Ordem: Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe de Deus do Monte Carmelo, conhecida como Ordem do Carmo.

Os carmelitas sempre estiveram em sintonia com a virgindade de Maria, que é não apenas física mas espiritual. Significa ter o coração inteiramente e exclusivamente dedicado a Deus, não dividido. Maria viveu só as coisas de Deus, esvaziando-se para Ele (vacare Deo) de tudo o que era terrestre e humano, para ocupar-se apenas dele.

É cheia de graça, pois teve êxito em esvaziar-se para que Deus ocupasse totalmente o seu coração. O ideal de todo carmelita. Não se pode compreender o Carmelo sem a presença viva de Maria. Ela é o modelo perfeito do ser consagrado ao Senhor. Com Maria sentimos a coragem de ser, no meio do povo e da Igreja, aqueles que oferecem o Cristo, gerado na oração.

Fonte:

Província Carmelitana Santo Elias

Ordem do Carmo no Brasil


A nossa História no Brasil começou em 1580 quando aqui chegaram, vindos de Portugal, quatro Religiosos Carmelitas liderados por Frei Bernardo Pimentel Ord. Carm. Sucederam-se então as fundações dos nossos conventos:

Em 1584 o Convento de Olinda/PE,
Em 1589 o de Santos/SP,
Em 1590 o do Rio de Janeiro/RJ,
Em 1594 ode São Paulo/SP,
Em 1608 o de Angra dos Reis/RJ,
Em 1627 o de Mogí das Cruzes/SP,
Em 1622 o de Vitória/ES,
Em 1718 de ltú/SP.

Até aqui, esses conventos pertenceram como Vice-Província à:

Província Carmelitana de Portugal e somente em 1720 constituiu-se a; Província Carmelitana Fluminense que em 1963 passou a chamar-se Província Carmelitana de Santo EIias.

A Ordem do Carmo no Brasil cresceu muito, chegamos até a ter três Províncias: a do Rio de Janeiro, a da Bahia e a de Pernambuco e ainda uma Vigararia, a do Maranhão. As atividades apostólicas dos Carmelitas estenderam-se por todo o litoral de São Luís do Maranhão até a cidade de Santos e, as suas atividades missionários se estenderam até o Pará e o Amazonas.

Há uma tradição de que o imenso convento de Salvador chegou a abrigar até 100 Religiosos. Entretanto, nas épocas de Brasil-Colônia e Brasil-Império a Ordem do Carmo passou momentos sombrios, tenebrosos, de muitos conflitos com o envolvimento de Vice-reis, da Rainha D. Maria I, das autoridades eclesiásticas, etc. Um dos momentos mais dolorosos de nossa História foi a proibição de aceitar Noviços, resultado de uma circular do Ministro da Justiça e de sua Majestade o Imperador (D. Pedro II), que cassava a licença de entrada de Noviços nas Ordens Religiosas. Com esta medida governamental a Ordem do Carmo experimentou os estentores da agonia. Em 1881 havia na nossa Província apenas quatro Religiosos nos conventos da Lapa, de Angra dos Reis e de Mogí das Cruzes. Os conventos de Belém do Pará, Itú, Santos e Vitória estavam sem Carmelitas.

A situação era tão dramática e desoladora que o Papa Leão XIII em 1891 submeteu as Ordens Religiosas do Brasil à inteira dependência dos Prelados Diocesanos tanto no temporal como no espiritual. Foi então que o internúncio apostólico confiou aos Beneditinos Belgas a restauração dos mosteiros Beneditinos do Brasil; aos Franciscanos da Alemanha a restauração dos conventos Franciscanos e aos Carmelitas Espanhóis a restauração dos conventos Carmelitas: A 15 de novembro de 1889 aconteceu a Proclamação da República no Brasil, D.Pedro II e a Família Real retornaram a Portugal. Foi decretada a separação entre a Igreja e o Estado e as Ordens Religiosas receberam a autorização do governo de fundar conventos, abrir noviciados e administrar os seus próprios bens.

Em 1892 governava o Brasil o Marechal Floriano Peixoto de quem herdamos este feliz pronunciamento: Não é nem pode ser intenção do Governo da República apossar-se dos bens que a piedade dos fiéis doou as Ordens Religiosas, mas não lhe pode ser indiferente vera decadência em que se acham; trate a Santa Sé de reformá-las e conte com o meu apoio! Com estas palavras o Marechal Floriano Peixoto deu um belo testemunho de bom senso de Magistrado do Governo Brasileiro. Em 1893, iniciaram-se os entendimentos entre o Pe. Geral Aloísio Maria Galli e o Provincial espanhol Frei Anastácio Borras. Deste entendimento resultou a vinda da Espanha de seis Religiosos Carmelitas, liderados por Frei Joaquim Maria Guarch; isso aconteceu a 08 de agosto de 1894.

Além deste primeiro grupo, sucederam-se outros grupos Religiosos espanhóis entre sacerdotes, professos e irmãos leigos, totalizando 21 Religiosos espanhóis que muito se empenharam em restaurar o Carmelo Brasileiro nas três Províncias: a Fluminense, a da Bahia e a de Pernambuco.De 1894 a 1904, muita coisa aconteceu no Carmelo Brasileiro; dificuldades inúmeras de relações em que estiveram envolvidos: a Santa Sé, a Província Espanhola, os Religiosos Carmelitas do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, etc. Até que em abril de 1904, num Capítulo Provincial da Espanha foi resolvido que os Carmelitas espanhóis deixariam o Rio de Janeiro e a Bahia e iriam a Recife.

Em junho de 1904, iniciaram-se os entendimentos entre o Pe. Geral Frei Pio Mayer e o Provincial holandês Frei Lamberto Smeets; ficou decidido que a Província Carmelita da Holanda iria assumir a Missão de continuar a restauração da Província Fluminense.  A 31 de outubro de 1904 seis sacerdotes e dois irmãos leigos, tendo como superior o Frei Cirilo Thewes, embarcaram em Antuérpia, Bélgica, num vapor alemão; quatro deles desembarcaram em Salvador e alguns dias depois seguiram para o Rio de Janeiro e na madrugada do dia 27 de novembro, os outros quatro aportaram no Rio de Janeiro.

No mesmo dia, 27 de novembro de 1904, Frei Eliseu Duran por delegação do Pe. Geral, Frei Pio Mayer, entregou a Província Carmelitana Fluminense aos Carmelitas holandeses que, com muita dedicação se atiraram à penosa missão de dar continuidade ao zeloso trabalho iniciado pelos Carmelitas espanhóis: restaurar a Província Carmelitana Fluminense. A 27 de novembro a Província Carmelitana de Santo Elias procederá à abertura do Centenário de Restauração de nossa Província.

Fonte:

Província Carmelitana Santo Elias

Não transformem a casa de meu Pai num mercado

Neste domingo dia 24/03/2013, Domingo fiquei espantado com o que eu vi, varias bancas de  
Camelo vendendo  Ramos Bento  em frente da Igreja N.S. do Bom Parto no Tatuapé Zona Leste de São Paulo. O Domingo de Ramos, sabemos que  marca o início da Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo na sexta-feira. Eu sei que na História da Igreja encontramos venda de sacramentos e de Indulgência, mas é passado temos que dar novos rumos a Igreja e não voltar ao passado.

13 A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu para Jerusalém.
14 No Templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. 15 Então fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: «Tirem isso daqui! Não transformem a casa de meu Pai num mercado."  Jo 2,13-16  ver comentário abaixo.


leia a carta de  DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO 

ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.(Sobre o Domingo de Ramos) 

A Festa de Ramos com hosanas e saudações, prefigura a vitória de Cristo sobre a morte e o pecado, mas a hora definitiva ainda chegará. Jesus vai ao encontro da paixão com plena consciência e aceitação livre. Tem o poder de solicitar legiões de anjos que venham em seu auxílio, mas renuncia ao uso deste poder. Ele veio trazer a paz ao mundo, escolhe o caminho da humildade, a vontade do Pai se realizando.

Jesus entra em Jerusalém em clima de festa. Parece que Ele quer mesmo isso porque arma a cena que reproduz direitinho a profecia de Zacarias (o rei dos judeus virá como rei pacífico, montado num jumentinho, não numa montaria de guerra). É aquela aclamação. O povo festejava na expectativa de ter finalmente o prometido descendente de Davi, que ia reconduzir Israel a uma situação de vitória até maior do que as glórias idealizadas do passado. "Hosana ao filho de Davi", clamavam. E a lembrança das promessas feitas à dinastia de Davi alimentava certa imagem do Messias. O problema é que essa imagem de Messias poderoso, invencível, não ia combinar bem com o que aguardava Jesus pouco tempo depois.

Entre a entrada festiva como rei em Jerusalém e o deboche da flagelação, da coroação de espinhos e da inscrição na cruz (Jesus de Nazaré, rei dos Judeus), somos levados a pensar: Que tipo de rei o povo queria? E que tipo de rei Jesus de fato foi?

O povo ansiava por um Messias, mas cada um o imaginava de um jeito: poderia ser um rei, um guerreiro forte que expulsasse os romanos, um “ungido de Deus” capaz de resolver tudo com grandes milagres... É verdade que havia também textos que falavam no Messias sofredor, que iria carregar os pecados do povo. Mas essa idéia tão estranha não tinha assim muito apelo. Talvez o povo pensasse como muita gente de hoje: “de sofredor, já basta eu, quero alguém que saiba vencer”.

Deus, como de costume, exagera na surpresa. O Messias, além de não vir alardeando poder, entra na fila dos condenados. Para quem não olhasse a história com os olhos de hoje, não haveria muita diferença entre as três cruzes no alto do monte Calvário.

Domingo de Ramos é o portal de entrada da Semana Santa. Para as comunidades cristãs, esta semana maior sempre será um confronto com o problema do mal no mundo. Muito sofrimento. Além das catástrofes naturais, há no mundo muita opção de morte, desde a violência da guerra, o terrorismo, a violência urbana, a morte pela fome e as deficiências até a violência contra a própria natureza.Qual a saída? A guerra preventiva para vencer o terrorismo com o terrorismo? A imposição da idolatria do capital contra o império do mal?Ou a saída, certamente a mais difícil, não será a da proposta do Evangelho, que passa pelo mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor? Muitas vezes Jesus caminha ao nosso encontro e nós não o reconhecemos.

Tenhamos a coragem de viver estes dias da Paixão meditando os sofrimentos de Cristo, que são os nossos sofrimentos para vencermos a morte na alegria da Ressurreição.
Comentário:
13-22: Para os judeus, o Templo era o lugar privilegiado de encontro com Deus. Aí se colocavam as ofertas e sacrifícios levados pelos judeus do mundo inteiro, e formavam verdadeiro tesouro, administrado pelos sacerdotes. A casa de oração se tornara lugar de comércio e poder, disfarçados em culto piedoso.
Expulsando os comerciantes, Jesus denuncia a opressão e a exploração dos pobres pelas autoridades religiosas. Predizendo a ruína do Templo, ele mostra que essa instituição religiosa já caducou. Doravante, o verdadeiro Templo é o corpo de Jesus, que morre e ressuscita. Deus não quer habitar em edifícios, mas no próprio homem. Bíblia Pastoral

Fonte:

Disponível em < http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/eurico/220.htm>

Lista de algumas Ordens religiosas


Ordem do Carmo (Carmelitas), O.Carm.
Ordem de São Bruno (Cartuxos), O.Cart.
Ordem de Cister (Cistercienses), O.Cist.
Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos), O.S.A.
Ordem dos Frades Eremitas Descalços de Santo Agostinho (Agostinianos Descalços), O.A.D.
Ordem dos Recoletos de Santo Agostinho (Agostinianos Recoletos), O.A.R.
Ordem de São Bento (Beneditinos), O.S.B.
Ordem de São Domingos (Dominicanos ou Pregadores), O.P.
Ordem de São Jerónimo (Jerónimos), O.S.H.
Ordem de São Basílio Magno (Basilianos), O.S.B.M.
Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas), O.I.C.
Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém (Betlemitas), O.F.B.
Ordem Cisterciense da Estrita Observância (Trapistas), O.C.S.O.
Ordem de São Francisco (Franciscanos), O.F.M.
Ordem dos Frades Menores Conventuais (Franciscanos Conventuais), O.F.M.Conv.
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Franciscanos Capuchinhos), O.F.M.Cap.
Ordem dos Frades Franciscanos da Imaculada (Franciscanos da Imaculada), O.F.F.I.
Ordem de Santa Clara (Clarissas), O.S.C.
Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas (Clarissas Capuchinhas), O.S.C.Cap.
Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula (Mínimos), O.M.
Ordem de Nossa Senhora das Mercês (Mercedários), O. de M.
Ordem da Visitação de Santa Maria (Visitandinas), O.Visit.
Ordem dos Servos de Maria (Servitas), O.S.M.
Ordem da Anunciação (Anunciadas), O.Ann.M.
Ordem da Santíssima Anunciação Celeste (Celestes), O.SS.A.
Ordem da Santa Cruz (Crúzios), O.S.C.
Ordem dos Celestinos (Celestinos), O.S.B. Coel.
Ordem de Santa Úrsula (Ursulinas), O.S.U.
Ordem da Santíssima Trindade (Trinitários), O.S.S.T.
Ordem Camaldulense (Camaldulenses), O.S.B.Cam.
Ordem Premonstratense (Premonstratenses), O.Praem.
Ordem Religiosa das Escolas Pias (Escolápios), O.R.S.P.
Ordem dos Clérigos Regulares (Teatinos), O.C.R.
Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca (Somascos), O.C.R.S.
Ordem dos Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos (Camilianos), M.I.
Ordem do Verbo Encarnado e do Santíssimo Sacramento,

Ordem religiosa


As Ordens religiosas são a forma mais comum da vida consagrada na Igreja Católica. Pelo menos segundo a hierarquia católica, os monges ou frades (que compõem a maior parte dos membros das ordens religiosas) podem ser leigos ou clérigos consagrados. Eles vivem em comunidades fechadas (mas muitas vezes não isoladas), afastadas do mundo, e geralmente seguem uma rígida rotina religiosa.
Basicamente, existem quatro tipos de Ordens religiosas:
monásticas: são formadas por monges ou monjas que vivem enclausurados em mosteiros. Exemplos: Anunciadas, Beneditinos, Camaldulenses, Capuchinhas, Cartuxos, Celestes, Clarissas, Cistercienses, Concepcionistas, Jerónimos, Mínimas, Monges e Monjas de Belém, Premonstratenses, Trapistas e Visitandinas.
mendicantes: são formadas por frades ou freiras que vivem em conventos. Eles não são tão isolados como os monges, tendo por isso um apostolado mais activo no mundo secular (ex: obras de caridade, serviço aos pobres, pregação e evangelização). A sua sobrevivência depende das esmolas e dádivas dos outros, porque eles renunciaram a posse de quaisquer bens, compromentendo-se em viver radicalmente na pobreza. Exemplos: Agostinianos, Carmelitas, Dominicanos, Franciscanos, Mercedários e Servitas.
regrantes: são formadas exclusivamente por cónegos regrantes. Exemplos: Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e Ordem Premonstratense.
as de clérigos regulares: são formados exclusivamente por clérigos regulares ou consagrados (os cónegos são excluídos). Eles não vivem uma vida comunitária tão enclausurada e austera como os monges ou como os frades, tornando-se por isso muito mais disponíveis para o apostolado. Com isto, eles ajudam grandemente o clero secular em áreas como a liturgia, a administração dos sacramentos, a educação e a evangelização. Exemplos: Crúzios, Escolápios, Jesuítas, Somascos e Teatinos.
As Ordens religiosas são diferentes das congregações religiosas, porque as últimas professam somente a versão simples dos votos evangélicos, enquanto que as primeiras professam a versão solene e mais austera (ou radical) destes mesmos votos. Os seus estilos de vida também os diferenciam.

Fonte:

Wikipédia

Do Tratado sobre a fé de Pedro, de São Fulgêncio de Ruspe, bispo (Séc. VI)


Cristo ofereceu-se por nós
Os sacrifícios das vítimas materiais, que a própria Santíssima Trindade, Deus único do Antigo e
do Novo Testamento, tinha ordenado que nossos antepassados lhe oferecessem, prefiguravam a
agradabilíssima oferenda daquele sacrifício em que o Filho unigênito de Deus feito carne iria,
misericordiosamente, oferecer-se por nós.

De fato, segundo as palavras do Apóstolo, ele se entregou a si mesmo a Deus por nós, em
oblação e sacrifício de suave odor (Ef 5,2). É ele o verdadeiro Deus e o verdadeiro sumo-
sacerdote que por nossa causa entrou de uma vez para sempre no santuário, não com o sangue
de touros e bodes, mas com o seu próprio sangue. Era isto que outrora prefigurava o sumo-
sacerdote, quando, uma vez por ano, entrava no santuário com o sangue das vítimas.

É Cristo, com efeito, que, por si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa
redenção; ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo. Sacerdote, por quem
somos reconciliados; sacrifício, pelo qual somos reconciliados; templo, onde somos
reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só ele é o sacerdote, o
sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na sua condição divina, ele é
Deus com o Pai e o Espírito Santo.

Acredita, pois, firmemente e não duvides que o próprio Filho Unigênito de Deus, a Palavra que
se fez carne, se ofereceu por nós como sacrifício e vítima agradável a Deus. A ele, na unidade
do Pai e do Espírito Santo, eram oferecidos sacrifícios de animais pelos patriarcas, profetas e
sacerdotes do Antigo Testamento. E agora, no tempo do Novo Testamento, a ele, que é um só
Deus com o Pai e o Espírito Santo, a santa Igreja católica não cessa de oferecer em toda a terra,
na fé e na caridade, o sacrifício do pão e do vinho.

Antigamente, aquelas vítimas animais prefiguravam o corpo de Cristo, que ele, sem pecado,
ofereceria pelos nossos pecados, e seu sangue, que ele derramaria pela remissão desses mesmos
pecados. Agora, este sacrifício é ação de graças e memorial do Corpo de Cristo que ele ofereceu
por nós, e do sangue que o mesmo Deus derramou por nós. A esse respeito, fala São Paulo nos
Atos dos Apóstolos: Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo
vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do
seu próprio Filho (At 20,28). Antigamente, aqueles sacrifícios eram figura do dom que nos
seria feito; agora, este sacrifício manifesta claramente o que já nos foi doado.

Naqueles sacrifícios anunciava-se de antemão que o Filho de Deus devia sofrer a morte pelos
ímpios; neste sacrifício anuncia-se que ele já sofreu essa morte, conforme atesta o Apóstolo:
Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado (Rm 5,6). E
ainda: Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho
(Rm 5,10).

Fonte:

Liturgia das Horas

Francisco vai celebrar missa de Quinta-feira Santa em prisão para menores


O Papa Francisco vai celebrar a missa da tarde de Quinta-feira Santa numa prisão para menores em Roma, anunciou hoje o Vaticano.

“No seu ministério como arcebispo de Buenos Aires, o cardeal Bergoglio costumava celebrar numa prisão ou num hospital ou em casas para pobres ou pessoas marginalizadas”, refere o comunicado da sala de imprensa da Santa Sé.

A celebração tem início marcado para as 17h30 locais (menos uma em Lisboa) e representa uma mudança relativamente ao programa habitual da Semana Santa, dado que o Papa preside habitualmente a esta cerimónia na Basílica de São João de Latrão.

A missa no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo, que Bento XVI visitou em 2007, é apresentada pela Santa Sé como uma continuação do que o novo Papa costumava fazer na Argentina, num “contexto de grande simplicidade”.

“Como é sabido, a missa da Ceia do Senhor é caraterizada pelo anúncio do mandamento do amor e pelo gesto do lava-pés”, acrescenta o texto oficial.

Fonte:

Agência Ecclesia

Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo (Séc.V)


Jesus Cristo ora por nós, ora em nós,
e recebe a nossa oração
Deus não poderia conceder dom maior aos homens do que dar-lhes como Cabeça a sua Palavra,
pela qual criou todas as coisas, e a ela uni-los como membros, para que o Filho de Deus fosse
também filho do homem, um só Deus com o Pai, um só homem com os homens. Por
conseguinte, quando dirigimos a Deus nossas súplicas, não separemos dele o Filho; e, quando o
Corpo do Filho orar, não separe de si sua Cabeça. Deste modo, o único salvador de seu corpo,
nosso Senhor Jesus Cristo, é o mesmo que ora por nós, ora em nós e recebe a nossa oração.

Ele ora por nós como nosso sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa oração
como nosso Deus.

Reconheçamos nele a nossa voz, e em nós a sua voz. E quando se disser sobre o Senhor Jesus,
sobretudo nos profetas, algo referente àquela humilhação aparentemente indigna de Deus, não
hesitemos em lhe atribuir, já que ele não hesitou em fazer-se um de nós. É a ele que toda a
criação serve, porque todo o universo é obra de suas mãos.

Por isso, contemplamos sua divindade e majestade, quando ouvimos: No princípio era a
Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com
Deus. Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez (Jo 1,1-3). Mas se nesta passagem
contemplamos a divindade do Filho de Deus que supera as mais excelsas criaturas, ouvimos
também em outras passagens da Escritura o mesmo Filho de Deus que geme, ora e louva.

Hesitamos então em atribuir-lhe tais palavras, porque nosso pensamento reluta em passar da
contemplação de sua divindade à sua humilhação, como se fosse uma injúria reconhecer como
homem aquele a quem orávamos como a Deus; por isso, o nosso pensamento fica muitas vezes
perplexo, e esforça-se por alterar o sentido das palavras. Porém, não encontramos na Escritura
recurso algum para aplicar tais palavras senão ao Filho de Deus, sem jamais separá-las dele.

Despertemos, pois, e estejamos vigilantes na fé. Consideremos aquele que assumiu a condição
de servo, a quem há pouco contemplávamos na condição de Deus; tornando-se semelhante aos
homens e sendo visto como homem, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte
(cf. Fl 2,7-8). E quis tornar suas as palavras do salmo, ao dizer, pregado na cruz: Meu Deus,
meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21,1).

Ele ora na sua condição de servo, e recebe a nossa oração na sua condição de Deus; ali é
criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo
de nós, juntamente comele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa oração, pois, se dirige a ele,
por ele e nele; oramos juntamente com ele e ele ora juntamente conosco.

Liturgia das Horas

Brasão do papa Francisco



No alto, está o emblema da ordem de proveniência do Papa, a Companhia de Jesus: um sol radiante e flamejante carregado com as letras, em vermelho, IHS, monograma de Cristo. A letra H é coberta por uma cruz em ponta e três pregos em preto.

Abaixo encontram-se a estrela e a flor de nardo (cacho de uva). A estrela, de acordo com a antiga tradição heráldica, simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja; enquanto a flor de nardo (cacho de uva) indica são José, patrono da Igreja.

Na tradição da iconografia hispânica, de fato, são José é representado com um ramo de nardo nas mãos. Colocando no seu escudo tais imagens, o Papa pretendeu exprimir a própria particular devoção a Nossa Senhora e ao santo.
A palavra misericórdia foi citada diversas vezes pelo papa desde que foi escolhido, na última quarta (13). No domingo (17), durante a Oração do Ângelus, pediu aos fiéis que não cansem de pedir perdão e disse que o sentimento de misericórdia pode mudar o mundo.
"Misericórdia... esta palavra muda tudo. É o melhor que nós podemos sentir. Muda o mundo. Um pouco de misericórdia faz o mundo menos frio e mais justo", afirmou.
"Deus nunca se cansa de nos perdoar. O problema é que nós nos cansamos de pedir perdão. Mas ele nunca se cansa de nos perdoar, e nós nunca deveríamos nos cansar de pedir perdão", afirmou.
Ele havia feito o mesmo pedido aos fiéis durante a sua primeira visita à igreja de Santa Maria Maior, em Roma, na manhã de quinta (14), um dia após a escolha. "Sejam misericordiosos, as almas precisam de sua misericórdia".

VISITA
Nesta segunda, o papa Francisco recebe em almoço a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, no primeiro encontro com um chefe de Estado. Os dois mantiveram uma relação conturbada na época que ele era arcebispo de Buenos Aires.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o encontro é um "gesto de cortesia e afeto" para a chefe de Estado e o povo argentino."Trata-se de um gesto de cortesia, de atenção para a Argentina e sua presidente", disse.
O padre considerou como "natural" o fato de o papa receber a presidente da Argentina, o país do pontífice, de maneira "diferente" do restante das delegações que assistirão à missa de inauguração de seu pontificado. Para Lombardi, não se trata apenas de uma visita de Estado.

Cristina será recebida por Francisco por volta das 12h50 (8h50 de Brasília), em um almoço na Casa de Santa Marta, onde o papa está hospedado até que termine a reforma em seu apartamento no Palácio Apostólico. O local é o mesmo onde os cardeais dormiram durante os dias de conclave.
A mandatária também irá à primeira missa do pontificado, nesta terça (19), que reunirá delegações de mais de 150 países. O papa Francisco deve receber os representantes de cada país no final da missa, no Altar da Confissão, no interior da Basílica de São Pedro.

Fonte:

Folha de S. Paulo


Das Cartas pascais de Santo Atanásio, bispo, Séc.IV


O mistério pascal reúne na unidade da fé
os que se encontram fisicamente afastados
É muito belo, meus irmãos, passar de uma para outra festa, de uma oração para outra, de uma
solenidade para outra solenidade. Aproxima-se o tempo que nos traz um novo início e o
anúncio da santa Páscoa, na qual o Senhor foi imolado.

Do seu alimento nos sustentamos como de um manjar de vida, e a nossa alma se delicia como
Sangue precioso de Cristo como numa fonte. E, contudo, temos sempre sede desse Sangue,
sempre o desejamos ardentemente. Mas o nosso Salvador está perto daqueles que têm sede, e na
sua bondade convida todos os corações sedentos para o grande dia da festa, dizendo: Se alguém
tem sede, venha a mim, e beba (Jo 7,37).

Sempre que nos aproximamos dele para beber, ele nos mata a sede; e sempre que pedimos,
podemos nos aproximar dele. A graça própria desta celebração festiva não se limita apenas a
um determinado momento; nem seus raios fulgurantes conhecem ocaso, mas estão sempre
prontos para iluminar as almas de todos que o desejam. Exerce contínua influência sobre
aqueles que já foram iluminados e se debruçam dia e noite sobre a Sagrada Escritura. Estes são
como aquele homem que o salmo proclama feliz, quando afirma: Feliz aquele homem que não
anda conforme o conselho dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto
aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite,
sem cessar (Sl 1,1-2).

Por outro lado, amados irmãos, o Deus que desde o princípio instituiu esta festa para nós,
concede-nos a graça de celebrá-la cada ano. Ele que, para nossa salvação, entregou à morte seu
próprio Filho, pelo mesmo motivo nos proporciona esta santa solenidade que não tem igual no
decurso do ano. Esta festa nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo. Por
ela Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros. E nos conduz a
uma única assembléia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, concedendo-nos orar em
comum e render comuns ações de graças, como se deve fazer em toda festividade. É este um
milagre de sua bondade: congrega nesta festa os que estão longe e reúne na unidade da fé os
que, porventura, se encontram fisicamente afastados.

Fonte:

Liturgia das Horas

Inácio de Loyola, Santo


Filho de uma rica família espanhola, Inácio de Loyola, o soldado que virou santo, trocou o sabre pela Bíblia e, com seus jovens seguidores da Companhia de Jesus, lutou até o fim da vida pela Igreja Católica.

Nascido em 1491 e pertencente a uma família nobre espanhola, Iñigo López de Loyola, como era chamado antes da conversão religiosa, viveu os primeiros 26 anos de sua vida com muita vaidade e ostentação. Era do exército espanhol e, numa batalha contra a França, foi gravemente ferido. Este foi o fim de sua carreira militar e o início de sua conversão.

Enquanto se recuperava no castelo de sua família, começou a ler alguns livros que falavam da vida de Cristo e histórias de santos. O fascínio foi instantâneo e, a partir daquele momento, Iñigo López abandonou as armas e converteu-se ao catolicismo. Sua vida passou a ser de penitências e orações, e sua intensa experiência resultou na obra "Exercícios Espirituais", manual para meditações com base em suas vivências místicas.

Com a vida religiosa, sentiu que era importante retomar os estudos e ingressou na universidade em Paris. Nessa época, atraiu para os seus ideais um grupo de estudantes, batizado de Companhia de Jesus. Reconhecidos pelo Papa, esses estudantes, liderados por Inácio de Loyola, fundaram a nova ordem religiosa em 1540.

Rapidamente espalharam-se pelo mundo no contexto da "guerra espiritual" entre católicos e protestantes, que começavam a ter uma forte influência na vida cultural da época.

No Brasil, os jesuítas tiveram um papel importante durante a colonização, deixando como herança diversas obras entre igrejas e colégios, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. A primeira missão da Companhia de Jesus chegou ao país durante os governos gerais, sob o comando do padre Manuel da Nóbrega.

Estabelecidos no litoral, contribuíram para a expansão de Salvador e Rio de Janeiro e, em 1554, fundaram em Piratininga aquela que viria a ser a maior cidade da América Latina: São Paulo.
Outra causa assumida pelos jesuítas no Brasil foi a proteção dos índios contra as investidas dos colonizadores que pretendiam escravizá-los. No interior, eles também fundaram colégios, abriram estradas e estreitaram sua ligação com as nações indígenas, chegando até mesmo a aprender diferentes idiomas nativos. Nas escolas, eram responsáveis pela formação dos órfãos enviados de Lisboa e dos curumins (crianças indígenas).

Além da educação, os jesuítas tiveram grande influência na arquitetura, nas artes, na medicina, no ensino de ofícios, na indústria de laticínos, no cultivo de cana-de-açúcar e de numerosas plantas européias e asiáticas como uva, cidra, limão, figo, legumes, algodão e trigo.

Em São Paulo, a ordem participou da fundação da Pontíficia Universidade Católica (PUC), com os padres beneditinos, e ainda hoje dirige colégios e faculdades como o São Luís, o São Francisco Xavier e a Faculdade de Engenharia Industrial (FEl).

Inácio de Loyola morreu em 31 de julho de 1556, aos 65 anos. Nessa data, os jesuítas lembram a sua memória e a missão da Companhia.

FONTE

www.santoinacio.com

Congregação Jesuíta


A mudança radical de vida de um cavaleiro basco, Inácio de Loyola, em 1521, deu início a uma caminhada árdua e variada para a criação da Companhia de Jesus. Em outubro de 1537, acompanhado por Pedro Fabro e Diogo Laynez, Inácio estava viajando para Roma, quando, numa pequena capela em La Storta, hoje situada na área metropolitana romana, teve uma visão de Cristo carregando sua cruz, e, o Pai, dizendo a Jesus: "Quero que tomes este por teu servidor". Nesse momento, o nome da Companhia de Jesus foi confirmado e a própria Companhia começou a existir espiritualmente. Três anos mais tarde, o Papa Paulo III conferia à Companhia sua vida canônica com a Carta Apostólica "Regimini militantis eclesiae".
A jovem Companhia cresceu rápida, principalmente, durante o primeiro século de sua existência. Quando Inácio morreu em 1556, o seu número contava 938 e em 1910, 1999. Ela se revelou na Contra-Reforma, avivando o catolicismo, espiritual e intelectualmente na França, nos Países Baixos, na Europa Central e Oriental. Sentiu-se sua influência no Concílio de Trento pela atuação de Diogo Laynez e Afonso Salmerón e, depois, na teologia pastoral e dogmática, com os trabalhos de São Pedro Canísio, São Roberto Bellarmino e Francisco Suárez.
Desde o início, a educação se tornou o trabalho principal da Companhia. Inácio não o tinha previsto, mas os pedidos de papas, bispos e leigos para estabelecer escolas modificaram sua opinião. E no fim de seu generalato, 75% dos jesuítas disponíveis, excluindo Irmãos e Escolásticos, trabalhavam em educação. Mais tarde, em 1749, os Jesuítas tinham 669 colégios, 176 seminários e 61 casas de estudos jesuíticos, além das 24 universidades que eram total ou parcialmente controladas pela Companhia.
A maioria dos colégios jesuíticos foram para externos e seus alunos vieram de todas as classes. Não houve anuidades porque os colégios eram patrocinados pelo sistema fundacional. Neles, as humanidades predominaram e suas atividades e produções dramáticas influenciaram o desenvolvimento do teatro moderno. Os Jesuítas se destacaram, também, na educação do clero.
O Colégio Romano, inaugurado em 1551 e desde o tempo de Gregório XIII conhecido como a Gregoriana, foi a instituição mais famosa e o primeiro seminário moderno. Com tanta ênfase em educação, não é surpreendente que se desenvolvesse a "Ratio Studiorum", um sistema pedagógico para todas essas entidades. Depois da educação, o apostolado das missões tem ocupado o maior número de jesuítas.
A Companhia nasceu depois das grandes descobertas no fim do século XV e no início do século XVI, e a aquisição de territórios enormes, pelas nações católicas de Espanha e Portugal, fez com que a Companhia se incorporasse na colonização deles. Em 1749, 3276 jesuítas se encontravam distribuídos em cinco continentes. Desse número, 90% estavam trabalhando nos territórios controlados pela Espanha e Portugal, nas Américas e na Ásia.
Os futuros missionários recebiam treinamento especial, como aquele oferecido pelo Colégio de Coimbra onde passou a maior parte dos 1700 missionários portugueses, durante dois séculos. Aprendiam línguas e como se adaptar às culturas diferentes. Esse método de aculturação foi realizado brilhantemente por Matteo Ricci e Roberto de Nobili na Ásia e Indonésia. Seu êxito, porém, nem sempre agradou às autoridades eclesiásticas, como fica claro através das controvérsias dos Ritos Malabares e Chineses.
As atividades missionárias foram maciças nas Américas. Nos territórios franceses, hoje Canadá e o nordeste e meio-oeste dos Estados Unidos, Santo Isaac Jogues e São João Brebéuf semearam o cristianismo nos povos indígenas e Jacques Marquette acompanhou a expedição de Joliet do Rio Mississipi até o Golfo do México. Na América Espanhola os jesuítas se estabeleceram no Peru e no México.
Em 1710, eles eram 1768 e na metade do século XVIII a Companhia tinha, na América Espanhola, 2 universidades, 79 colégios e 16 seminários. Um outro trabalho famoso foram as reduções de índios. Houve cerca de 100 delas e as mais conhecidas foram aquelas dos 30 povos Guaranis, localizadas, principalmente, no Paraguai. Os trabalhos da Companhia foram interrompidos pela expulsão dos jesuítas dos territórios de Portugal decretada em 1759 pelo Marquês de Pombal. Essa expulsão foi apenas o primeiro capítulo da campanha contra a Companhia. Tudo terminou com sua supressão, em 1773, pelo Papa Clemente XIV, com o Breve "Dominus ac Redemptor".
As razões para a supressão da Companhia, contando então com 24000 membros, são variadas. A orientação do pensamento iluminista, no entanto, na sua forma mais radical, querendo eliminar o cristianismo e o catolicismo da vida cultural da Europa, foi o grande culpado. As casas reais influenciadas pelo Regalismo da França, da Europa, de Nápoles e da Áustria, faziam pressões tão intensas que Clemente XIV foi quase obrigado a decretar a supressão da Companhia. Frederico II, da Prússia, porém, só permitiu a divulgação da ordem da supressão, nos seus reinos, em 1780 e Catarina II, da Rússia, nunca a permitiu.
Portanto, sempre existiu um pequeno grupo de cerca de 200 Jesuítas, até a restauração em 1814. O Papa Pio VII restaurou a Companhia, inicialmente, no Reino das Duas Sicílias, em 1804, e, na Igreja Universal, em 1814, com a Bula "Sollicitudo". Os primeiros tempos da Companhia de Jesus restaurada assemelham-se bastante aos primórdios dos anos da fundação.
Foi um período heróico, rico de personalidades excepcionais no campo da ação. Na falta de pessoal para atender todas as necessidades, correm para satisfazer o mais urgente. Nesse período de restauração, o desafio do conflito de gerações entre os jesuítas da antiga Companhia e os novos está muito presente. Os jesuítas preocupam-se em adaptar-se aos novos tempos zelando em recolher as tradições. Desde o princípio, deparam-se com uma seara abundante de perseguições e expulsões. A nova Companhia teve progressos bem maiores que a antiga. Repôs em funcionamento pleno e normal as instituições inacianas, particularmente a formação dos religiosos, renovou o estudo dos Exercícios Espirituais de Sto. Inácio e da pedagogia inaciana e retomou a atividade missionária, adaptada às condições modernas. Viu também as perseguições golpear repetidamente a maioria das Províncias.
Os jesuítas foram expulsos da Bélgica (1818) e da Rússia (1820). Em 1828 foram fechados os colégios na França; em 1834 e 35 foram expulsos de Portugal e da Espanha; em 1847 da Suíça. Em 1848 foram dispersos e expulsos na Itália, Áustria e Galízia; em 1850 na Colômbia e no Equador; expulsos novamente da Espanha (1868); e da Alemanha (1872). Em 1873 viram o confisco de muitas casas na Itália, especialmente em Roma; os Superiores Gerais residiram em Fiésole de 1873 a 1892. Os jesuítas foram de novo dispersos na França (1880 e 1901); expulsos do Equador novamente (1879), e de Portugal (1910); dissolvidos na Espanha (1932 a 1936). As perseguições, geralmente oficiais, tornaram-se, muitas vezes, sangrentas: na Espanha (1822, 1836, 1932-35), em Paris (1871), no México (1927), para não falar dos mártires das missões na China (1860,1900-02), na Síria (1859-60) ou em Madagascar (1883 e 1896).
Desde a restauração a Companhia de Jesus apresenta um desenvolvimento numérico e uma complexidade de obras: em 1940 os jesuítas eram mais de 26.000 divididos em oito Assistências e 50 Províncias. Em 1950, cerca de 5.000 jesuítas trabalhavam nas missões, continuando uma das principais atividades da Companhia de Jesus. Nas missões, como nas províncias, o ministério da educação se desenvolveu como importância de primeira ordem. Aos colégios se ajuntaram numerosas universidades. Em muitos países, o esforço educativo atingiu também a formação do clero, não só nas missões, mas ainda em Roma com a Universidade Gregoriana e os Institutos Bíblico e Oriental. O ministério dos Exercícios Espirituais tomou novo e imponente desenvolvimento.
Os Exercícios Espirituais a operários não são senão uma parte do apostolado social. A velha obra das Congregações Marianas, se apresentou na primeira metade do século como uma das formas mais desenvolvidas da Ação Católica. O Apostolado da Oração, fundado no escolasticado da Companhia de Vals, na França (1844) se espalhou prontamente por todo o mundo. Daí surgiu também a Cruzada Eucarística para crianças e jovens. No campo da imprensa a Companhia dispunha de 1.100 periódicos nos mais variados ramos do saber. Acrescenta-se outros meios de comunicação social em que damos os primeiros passos. Entre escritores de obras que se tornaram universais, destacamos o padre Teilhard de Chardin, cientista de grande influência entre os intelectuais modernos. A Companhia participou solidariamente dos sofrimentos derivados das duas Guerras Mundiais (1914 e 1939), procurando remediar seus resultados funestos de fome, doenças, degradações morais, amarguras e desesperos.
O surto do comunismo na Rússia e em todo o leste europeu, na Coréia e no Vietnã, custou à Companhia de Jesus muitos mártires e um esforço intelectual muito forte para debelar sua ideologia em todo o mundo. Durante o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-65), convocado por João XXIII e encerrado por Paulo VI, os jesuítas cooperaram para seu pleno êxito, não só pela ação de seus bispos missionários mas também pelo aporte brilhante de seus teólogos.
O Concílio veio responder à necessidade de renovação interna da Igreja e de abertura para um mundo em processo de rápidas transformações. O Concílio aceitou o desafio de estabelecer um diálogo com este mundo, procurando iluminar a busca de soluções com a luz do Evangelho. A Companhia de Jesus se esforçou para acompanhar o movimento de renovação da Igreja, realizando a sua 31ª Congregação Geral (1965-66), na qual foi eleito Geral o Pe. Pedro Arrupe (1965-1983), provincial do Japão( o Concilio Vaticano 2° concluira seu monumental trabalho em dezembro de 1965). Posteriormente, a Companhia de Jesus, como todas as outras Ordens e Congregações religiosas, sentiu pela primeira vez em toda a sua existência um decréscimo constante de vocações. Esse fenômeno universal para os sacerdotes e religiosos da Igreja, representa uma purificação e um convite para um trabalho de seleção e de formação mais acurada e condizente com os tempos atuais. A 32ª Congregação Geral (1974) destacou como dimensão fundamental da Companhia hoje, o serviço da fé e a promoção da justiça. A 33ª Congregação Geral (1983) elegeu Superior Geral o Pe. Peter-Hans Kolvenbach. Deu forte apoio ao apostolado intelectual, urgindo a mútua colaboração entre os estudiosos da Companhia e os membros da pastoral. 34ª Congregação Geral (1995) reafirmou a missão do jesuíta como servidor da missão de Cristo, no serviço da fé que busca a justiça, dialoga com outras tradições religiosas e evangeliza as culturas.

Fonte:
www.jesuitasbrc.org.br

Escolha de argentino é novo começo para a igreja, diz Leonardo Boff

Para o teólogo Leonardo Boff, 74, a escolha do novo papa, Francisco, revela "um novo começo" para a Igreja Católica. "Não é só fazer uma reforma aqui e acolá, é fazer uma reconstrução, com outros valores que não são os do poder, são os da proximidade com o povo", afirmou em entrevista àFolha.


Como o sr. recebeu a notícia da escolha do novo papa?
O importante é o nome, Francisco, significa um programa de uma igreja simples, pobre, amante da natureza, ligada ao povo, e disso é que estamos precisando hoje.
Ele já deu alguns sinais que mostram uma mudança importante na maneira de governar a igreja: pediu que o povo o abençoasse para depois abençoar o povo. Disse uma frase de fundamental importância: de que quer presidir na caridade.
A própria figura dele é sóbria, séria, evitou toda a espetacularização e teatralização da figura do papa, só deu a bênção e se deixou ver. Acho que esses fatos são reveladores.
O que significa ter escolhido o nome Francisco?
Quando se fala de Francisco, se fala de um conjunto de valores. São Francisco se converteu e, quando escutou a frase 'Francisco, reconstrói a minha igreja', tomou ao pé da letra. Depois entendeu que era para reconstruir espiritualmente a igreja. Viveu com os leprosos e saiu pregando o evangelho ao lado deles. Ele fez uma crítica ao papado, não uma crítica verbal, mas vivendo de maneira simples, ligado ao povo. Ao redor do nome Francisco há valores que vão nortear seu papado.
O nome pode ser referência a são Francisco Xavier?
Ele não explicitou qual Francisco, mas é o Francisco que todo mundo conhece, são Francisco de Assis. Mas mesmo são Francisco Xavier foi um grande missionário, atuou na China. Mas acho que não é a são Francisco Xavier que ele se refere, é a são Francisco de Assis.
E isso tem muita importância no sentido de revelar um novo começo na igreja, não é só fazer uma reforma aqui e acolá, é fazer uma reconstrução, com outros valores que não são os do poder, são os da proximidade com o povo.
Cerca de 60% dos católicos estão no terceiro mundo, a igreja na América Latina não é mais um espelho da igreja na Europa, é uma igreja que tem sua própria maneira de se organizar. Ele traz para a igreja uma experiência muito poderosa da igreja na América Latina, que deu certo, que se enraizou nos meios populares.
O sr. o conhece? É possível dizer se terá um perfil mais moderado ou conservador?
Conheci [Jorge Mario Bergoglio] em 1970, em um encontro de teólogos em Buenos Aires. Ele é um jesuíta muito inteligente e espiritual, extremamente simples, a ponto de cozinhar sua própria comida. Conhece o povo, é um homem de abertura e de esperança para a igreja.
Ele fez críticas ao casamento de homossexuais. O que isso indica?
Esse era um ponto fechado para todos os que não eram papa. Sendo papa, ele tem outra autoridade. Acho que ele é capaz de abrir essa questão para uma discussão na igreja, e não me admiraria se ele fizesse um amplo debate sobre celibato e outras questões polêmicas.

Fonte

Folha de S. Paulo



Quintiliano


Quintiliano nasceu em Calahorra no ano de 35 e faleceu em Roma no ano 96. Foi professor de retórica, filólogo conceituado e advogado. Recebeu toda a sua educação em Roma, onde mais tarde abriu uma escola de Retórica. Foi o primeiro professor a ser pago pelo Estado.

A única obra que chegou até aos nossos dias foi "Institutio Oratoria", um texto de doze volumes que primou sobretudo por ter sistematizado e compactado a tradição retórica até então conhecida. Esta concepção privilegia por um lado a eloquência e a ornamentação do discurso belo, a atitude moral e ética do bom orador. A retórica define-se então como a ciência que apreende em si as qualidades do discurso quer as do orador. Nesta acepção, Quintiliano identifica três conceitos chave: arte, artífice e obra. A arte deve ser entendida como a disciplina do falar bem. O artífice é o orador que precisa de saber falar bem e de ser um humano que presa a ética. A obra é o que é realizado pelo artífice: um discurso direccionado para o público alvo.

A obra de Quintiliano compreendeu ainda a reflexão sobre as relações entre a retórica, filosofia, cultura e a ética. Por centrar parte da sua reflexão no estudo das características que o orador tem de desenvolver e manter para ser um homem de bem, "Institutio Oratoria" é também considerado como um dos primeiros tratados sobre pedagogia. Neste precioso trabalho, Quintiliano debruçou-se também no estabelecimento de directrizes para a formação do povo romano desde a sua infância.

De referir ainda que, apesar de toda a obra ser na linha de Cícero, Quintiliano desenvolve a ideia de que a filosofia apenas se afirma recorrendo à retórica, o que na tradição retórica, abalou as bases platónicas e abriu portas a novos entendimentos da retórica em harmonia com outros saberes e ciências.

Fonte:

UOL

Marcos Vitrúvio Polião


foi um arquiteto e engenheiro romano que viveu no século I a.C. e deixou como legado a obra "De Architectura" (10 volumes, aprox. 27 a 16 a.C.), único tratado europeu do período greco-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Hidráulica, Engenharia,

Arquitetura e Urbanismo, desde o Renascimento.
Os seus padrões de proporções e os seus princípios conceituais - "utilitas" (utilidade), "venustas" (beleza) e "firmitas" (solidez) -, inauguraram a base da Arquitetura clássica.

Fonte:

Wikipédia

Marco Terêncio Varrão


Filósofo e enciclopedista romano de expressão latina nascido em Reate, depois Rieti, na Sabina, autor de Antiquitates rerum humanarum et divinarum, obra em que distinguiu três gêneros de teologia: a mítica, narrada por poetas; a política, relativa às instituições e cultos do estado; e a natural ou a natureza do divino tal como se manifesta na natureza da realidade. Viveu em uma época em que desenvolvia-se em Roma, uma regular vida intelectual e filosófica, apesar de todas as deficiências inerentes àqueles tempos. Pouco se sabe sobre suas origens, mas aparentemente estudou em Roma e em Atenas, exerceu a advocacia, serviu com Pompeu na Espanha (76 a. C.) e ocupou o cargo de pretor. Inspirado pelo patriotismo, pretendeu contribuir para a grandeza de Roma com as qualidades morais e intelectuais de seu trabalho. Escreveu um panfleto político sobre a coalizão de Pompeu, Júlio César e Crasso (59 a. C.), que lhe valeu uma punição. Absolvido (49 a. C.) por César, foi nomeado bibliotecário do governo e encarregado de organizar a primeira biblioteca pública de Roma (47 a. C.). Novamente foi condenado (43 a. C.), desta vez por Marco Antônio, e seus livros foram queimados. Voltando a ativa sob Augusto passou a se dedicar apenas aos estudos. Escreveu tanto em poesia como em prosa, cerca de 74 trabalhos, em um total de mais de 400 volumes, essencialmente técnicos e principalmente sob agricultura, mas também sobre aritmética, astronomia, geografia, direito e leis, religião, educação, teoria da linguagem e gramática, retórica, filosofia, história antiga e romana, táticas navais e, além de poemas, sátiras e cartas. Antecipou-se a microbiologia e a epidemiologia ao estudar pessoas doentes e afirmar que existiriam diminutas criaturas, invisíveis aos olhos, que flutuavam pelo ar e penetravam no corpo pelo nariz ou pela boca e causavam sérias doenças e ele alertou as pessoas para evitarem pântanos e manguesais. Pretendeu contribuir para a grandeza de Roma com as qualidades morais e intelectuais de seu trabalho. Morreu em Roma e de sua obra conservam-se apenas os livros de V a X da mais antiga gramática latina, De lingua latina e os Rerum rusticarum libri III e alguns fragmentos das famosas Antiquitates, uma obra compreendia 41 livros tratando de religião, cronologia e instituições romanas, que se tornou  influente na formação intelectual dos romanos. Perdidas suas obras, conhece-se o seu pensamento através de Cícero. Também é possível encontrar algo em De civitate Dei, VI, 5, de Santo Agostinho,. Ambos estes sábios o chamaram de o mais sábio dos romanos. Não confundir com Públio Terêncio Varrão (82-37 a.C.) um poeta latino, seu contemporâneo, considerado mais refinado, mas hoje menos famoso.

Marco Túlio Cícero


Em 69 a.C., foi eleito edil e pouco tempo depois, em 66 a.C., eleito pretor. Como pretor fez um importante pronunciamento político, reivindicando para Pompeu o comando das tropas romanas, com o apoio dos conservadores do Senado, os optimates.
Sua fama só crescia e, em 63 a.C., foi eleito cônsul, obtendo duas grandes vitórias: ao defender o senador Caio

Rabírio contra a acusação de traição, lançada por Júlio César, e ao denunciar a conspiração do anarquista Catilina.
Contra a vontade de César, Cícero pediu a morte dos conspiradores, sem julgamento, ao Senado. Seu pedido foi aprovado, pois a ameaça de Catilina uniu todos os conservadores. A intenção de Cícero, que estava no auge da sua carreira, era estabelecer a política do "acordo entre as classes".

Para isso, precisava de todo o apoio político. Cícero pensou que encontraria esse apoio em principalmente em Pompeu. Mas Pompeu tinha outros planos e se uniu, no primeiro triunvirato, a César e Crasso, o que permitiu a eleição de Clódio para o tribunato. Clódio era um grande inimigo político de Cícero, e ameaçou os planos de Cícero, ao passo que substituía César em Roma na guerra na Gália. Com essa situação, Cícero resolveu exilar-se.

Voltou para Roma um ano depois, ao ser chamado por Pompeu. Dessa vez, evitou compromissos políticos, passando a dedicar-se a escrever livros. Cícero foi designado como procônsul, a frente do governo da Cilícia.

Voltou para Roma no final do ano 50 a.C., e encontra uma guerra civil entre as tropas de Pompeu e César. Como era ligado a Pompeu, abandonou-o após a derrota de Farsália. Porém, tornou-se suspeito para os vencidos e vencedores. Dessa forma, Cícero esperou o perdão de César para retornar a Roma.

Afastado da política por cerca de dois anos, produziu mais de suas obras filosóficas. Com o assassinato de César, em 44 a.C., Cícero denunciou as ambições de Marco Antônio, que ascendeu ao poder, nas “Fílipicas”. Exaltou a vitória de Otávio, filho adotivo de César, Otávio.

Ao vencer na guerra, Otávio formou o segundo triunvirato com Marco Antônio e Lépido o segundo triunvirato. Dessa forma, os oposicionistas foram executados. Cícero foi um dos primeiros, em 43 a.C. Sua cabeça e mãos foram decepadas e expostas ao povo.

Como filósofo, escreveu grande parte de seus trabalhos entre 45 e 44 a.C.. Alguns são anteriores a esse período, como: "Sobre a república" e "Sobre as leis”. Outras obras de Cícero são: "Sobre a consolação" e "Sobre os objetivos da ética", "Discussões em Túsculo", "Sobre a natureza dos deuses", "Catão o velho ou sobre a velhice", "Sobre a adivinhação", "Sobre a amizade" e "Sobre os deveres".

Fonte:

UOL

Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco I

Primeiro Papa Latino-Americano a invocar Francisco de Assis

Data de nascimento: Nasceu em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936.

Educação: Estudou e se diplomou como técnico químico, mas ao decidir-se pelo sacerdócio ingressou no seminário de Villa Devoto. Em 11 de março de 1958 passou ao noviciado da Companhia de Jesus, estudou humanas no Chile, e em 1960, de retorno a Buenos Aires, obteve a licenciatura em Filosofia no Colégio Máximo São José, na localidade de San Miguel. Entre 1964 e 1965 foi professor de Literatura e Psicologia no Colégio da Imaculada da Santa Fé, e em 1966 ditou iguais matérias no Colégio do Salvador de Buenos Aires. Desde 1967 a 1970 cursou Teologia no Colégio Máximo de San Miguel, cuja licenciatura obteve.

Sacerdócio: Em 13 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote. Em 1971 fez a terceira
aprovação em Alcalá de Henares (Espanha), e em 22 de abril de 1973, sua profissão perpétua. Foi professor de noviços na residência Villa Barilari, de San Miguel (anos 1972/73), professor na Faculdade de Teologia e Consultor da Província e reitor do Colégio Máximo. Em 31 de julho de 1973 foi eleito provincial da Argentina, cargo que exerceu durante seis anos. Esteve na Alemanha, e ao voltar, o superior o destinou ao Colégio de Salvador, de onde passou à igreja da Companhia, da cidade de Córdoba, como diretor espiritual e confessor. Entre 1980 e 1986 foi reitor do Colégio Máximo de San Miguel e das Faculdades de Filosofia e Teologia da mesma Casa.

Episcopado:
 Em 20 de maio de 1992, João Paulo II o designou bispo titular da Auca e auxiliar de Buenos Aires. Em 27 de junho do mesmo ano recebeu na Catedral primaz a ordenação episcopal, e foi promovido a arcebispo auxiliar de Buenos Aires em 3 de junho de 1998. De tal sé arcebispal é titular desde em 28 de fevereiro de 1998, quando se converteu no primeiro jesuíta que chegou a ser primaz da Argentina.
É Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes na Argentina e que não contam com Ordinário de seu próprio rito. Na Conferência Episcopal Argentina é vice-presidente; e como membro da Comissão Executiva é membro da Comissão Permanente representando à Província Eclesiástica de Buenos Aires. Integra, além disso, as comissões episcopais de Educação Católica e da Universidade Católica Argentina, da que é Grande Chanceler. Na Santa Sé, forma parte da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, e da Congregação para o Clero.

Fonte:

Correio Braziliense

Cardeais elegem novo papa, e chaminé solta fumaça branca


Fumaça branca sai da Capela Sistina: Igreja tem novo papa:

Os 115 cardeais de todo o mundo reunidos na Capela Sistina desde terça-feira chegaram a um consenso e elegeram um novo papa. A identidade do novo líder da Igreja Católica Romana deverá ser divulgada em minutos. O religioso, depois, fará uma saudação aos milhares de fieis que se reúnem na praça São Pedro, no Vaticano.
A expectativa neste momento é de quem deverá ser o novo pontífice. Dentre os favoritos, está o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer. Além dele, estão na lista o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, o canadense Marc Ouellet, arcebispo de Québec.
Conforme a tradição, o resultado foi anunciado por meio de fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina, por volta das 19h05 (15h05 em Brasília). Nas votações anteriores, quando os escrutínios terminaram sem consenso, a fumaça era de cor preta.

O pontífice escolhido, que ainda não foi anunciado, atingiu uma maioria de dois terços (no mínimo, 77 votos).
Esse conclave teve a mesma duração do anterior, de 2005, que tomou dois dias e três rodadas de votação para eleger Joseph Ratzinger como novo papa. Acreditava-se que, devido ao caráter inusitado deste conclave, a escolha do pontífice levaria mais tempo, o que acabou não se confirmando.






Fonte:

Folha de S. Paulo
Portal do IG