A História da Ordem de Santo Agostinho
Em 1244, sob o patrocínio da Santa Sé, reuniram-se os eremitas de muitos conventos da Toscana. Começou assim a história da Ordem de Santo Agostinho. Em 1256, o Papa Alexandre IV deu um novo impulso à Ordem fundada na Itália, através da bula "Licet Ecclesiae catholicae", à qual foram unidas várias ordens e congregações.
A Grande União aconteceu no convento romano de Santa Maria del Popolo e, no ato de sua fundação, a nova Ordem abarcava 180 casas religiosas na Itália, Áustria, Alemanha, Suíça, Países Baixos, França, Espanha, Portugal, Hungria, Boêmia e Inglaterra.
A União de 1256 foi um passo importante na reforma da vida religiosa da Igreja. Com isso, o Papa procurava por fim à confusão provocada pelo excessivo número de pequenos grupos religiosos, canalizando suas forças espirituais no apostolado da pregação e cuidado pastoral nas muitas cidades européias. Os Agostinianos foram assim colocados no rol das Ordens Mendicantes, junto aos Dominicanos, Franciscanos e, pouco depois, os Carmelitas. Sua característica básica é a de serem "frades", "freis" - irmãos -, vivendo sua vocação imersos no mundo urbano.
O movimento mendicante do século XIII foi uma resposta revolucionária a uma situação também revolucionária. A unidade da Igreja vivia continuamente ameaçada pelas heresias. Surgiam novos desafios ocasionados pelas mudanças sociais e econômicas da sociedade. Os frades foram enviados diretamente aos centros de desenvolvimento comercial para pregar às crescentes classes instruídas, à nova classe que surgia - a burguesia - e levar a espiritualidade evangélica às classes populares.
A Expansão da Ordem
A nova Ordem conheceu uma rápida expansão já no primeiro século de existência, espalhando-se por toda a Europa, com mais de 500 conventos e cerca de seis mil religiosos, com renomados exemplos de santidade, destacando-se a figura de São Nicolau de Tolentino e Santa Rita de Cássia.
Desde o início levou a sério a filiação espiritual de Santo Agostinho, denominando-o "nosso Pai e Fundador". Surgiu daí a Escola Teológica Agostiniana, cujo fundador foi Egídio Romano, sucessor de Santo Tomás de Aquino na cátedra de Paris. Marcada por um tomismo moderado, a Escola teológica da Ordem caracterizou-se por um sadio ecleticismo, priorizando os temas bíblicos e patrísticos, inspirada nos passos de Santo Agostinho.
Na decadência da Cristandade Medieval teve também seus momentos de profundas crises, ocasionadas, entre outros fatores, pelo arrefecimento dos ideais da fundação, pela ausência de observância religiosa, decadência nos estudos e apostolado, conflitos internos, além de fatores exteriores, como a própria decadência geral da Igreja, a peste que dizimou a Europa, a Guerra dos 100 Anos.
Como em outras Ordens, o espírito religioso foi retomado através das chamadas Congregações de Observância, que se inserem no quadro da ampla reforma que vinha se preparando silenciosamente dentro da própria Igreja. Provenientes desse desejo fervente de retorno aos fundamentos do carisma agostiniano, despontaram duas congregações: os Agostinianos Recoletos, na Espanha (1588) e os Agostinianos Descalços, na Itália, França e Alemanha (1592), que se tornaram ordens independentes, em 1912 e 1936, respectivamente.
Da Congregação de Observância da Saxônia, saiu o monge inquieto que iria desencadear o movimento da Reforma Protestante, Martinho Lutero. Na Itália despontou o cardeal Jerônimo Seripando, o líder dos Agostinianos que iria trabalhar no Concílio de Trento pela Reforma Católica.
Os Agostinianos chegam à América
Em 1533, cinco missionários agostinianos desembarcam na Nova Espanha, o México, provenientes da reformada Província Observante de Castela, que tinha dado excelentes frutos, como o literato Frei Luís de León, o Beato Afonso de Orozco, Santo Tomás de Villanova e São João de Sahagún. Entre os frades que vieram no primeiro grupo, estava Fr. Alonso de Veracruz, co-fundador da primeira universidade americana, e ardoroso defensor das causas indígenas, num momento em que a conquista e o genocídio dos povos deste continente já eram uma tristíssima realidade.
Os Agostinianos participaram, como outros grupos religiosos, do processo civilizatório e evangelizador da América Latina, como também da África e Ásia. Nossa história tem suas "luzes e sombras". Reconhecendo nossas faltas históricas, em atitude penitencial, queremos seguir o exemplo de profetismo evangélico de nossos Maiores, como Fr. Diego Ortiz, protomártir do Peru; Antonio de Moya, grande catequista do México; Agostinho de la Coruña e Gaspar de Villaroel, bispos missionários da Venezuela e do Chile; Luis López de Solís, evangelizador do Equador. Sem esquecer Santo Ezequiel Moreno, bispo Agostiniano Recoleto de Pasto, na Colômbia, proclamado em Santo Domingo, 1992, modelo de bispo evangelizador das Américas.
Em 1693, os Agostinhos Reformados da Observância de Portugal chegam a Salvador, na Bahia, aí permanecendo até 1824. A implantação definitiva dos Agostinianos no Brasil se deu, porém, em 1899, com a vinda dos Agostinianos espanhóis das Filipinas, os quais se estabeleceram em São Paulo e abriram missões no Amazonas e em Goiás, além de outras frentes em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Sucessivamente chegaram outros grupos procedentes da Espanha: os Agostinianos do Escorial (1929) e os Agostinianos de Castela (1931). Em 1962 vieram os Agostinianos de Malta. Hoje a presença agostiniana encontra-se disseminada pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso, em cerca de trinta comunidades.
No início, estabeleceram obras tradicionais como paróquias, missões e colégios, assumindo, pouco a pouco a caminhada da Igreja do Brasil, não sem conflitos e dificuldades, mas com muita generosidade e dedicação. Atualmente, além das "obras históricas" e de assistência social e promoção humana, dedicam-se à formação de novos frades, assessorias de pastorais e movimentos populares e de grupos e pastorais ligadas à promoção dos direitos humanos, da justiça e paz.
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