Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém



É uma Ordem de Cavalaria criada num hospital de leprosos, fundado por Cavaleiros Hospitalários em 1098, pelos cruzados do Reino Latino de Jerusalém. Esta Ordem é uma das mais antigas Ordens de Cavalaria da Europa. Foi criada para tratar os doentes com hanseníase, sendo os seus cavaleiros também leprosos.  É uma das ordens menos conhecidas e menos documentadas.


Desde a sua fundação, no século XI, os membros da Ordem tinham dois ideais: auxiliar aqueles que sofriam de lepra, e a defesa da fé cristã.
A primeira menção da Ordem de São Lázaro data de 1142. A ordem foi fundada inicialmente como um hospital de leprosos fora dos muros da cidade de Jerusalém. Desconhece-se quando a ordem foi militarizada, mas a militarização terá ocorrido antes do final do século XII, devido ao grande número de Templários e Hospitalários que eram enviados para os hospitais de leprosos para serem tratados. A ordem estabeleceu "casas de Lázaro" em toda a Europa para cuidar de leprosos, e teve o apoio de outras ordens militares que obrigaram os seus membros a juntarem-se à ordem caso contraíssem lepra.

A Ordem de São Lázaro permaneceu inicialmente uma Ordem Hospitaleira, tendo, no entanto, participado numa série de batalhas, incluindo a Batalha de La Forbie em 17 de Outubro de 1244, onde todos os irmãos que lutaram morreram, e na Batalha de Al Mansurah em Fevereiro de 1250.4 Os cavaleiros leprosos eram protegidos por cavaleiros sem a doença mas, em tempos difíceis, mesmo aqueles pegavam em armas para lutar.

A Ordem de São Lázaro rapidamente abandonou as suas actividades militares após a queda de Acre, em 1291, e a dissolução dos templários, devido aos elevados custos, sendo uma ordem relativamente pobre.
Em 1572, o Papa Gregório XIII juntou o braço italiano da Ordem de São Lázaro com a Ordem de São Maurício (fundada em 1434), passando a designar-se por Ordem dos Santos Maurício e Lázaro. Esta tornou-se uma ordem de cavalaria nacional aquando da unificação da Itália em 1861, mas foi suprimida por lei desde a fundação da República em 1946. No entanto, o Rei Umberto II não abdicou da sua posição como fons honorum e o chefe da antiga Casa Real de Savóia permanece o Grão-Mestre da Ordem.


Embora polémico, é defendido que a Ordem continuou sob o governo de um conselho de oficiais 7 que, em 1841, convidou o Patriarca da Igreja Greco-Católica Melquita para se tornar protector espiritual da ordem, restabelecendo, de alguma forma, uma ligação às origens da Ordem, em Jerusalém. Independentemente da continuidade ou ressurgimento da Ordem, em 1850, sob a autoridade do Patriarca da Ordem haviam cerca de vinte cavaleiros. Nos anos que se seguiram, novos cavaleiros foram admitidos, como o Almirante Fernando-Alphonse Hamelin e o Almirante Louis Édouard Bouet-Willaumez, em 1853; em 1863, o conde Louis François du Mesnil de Maricourt (m. 1865), Paul Comte de Poudenx (m.1894) e o Abade Jean Tanski; em 1865 a Ordem admitiu o conde Jules Marie d'Anselme de Puisaye seguido, em 1875, pelo Visconde de Boisbaudry; em 1896, o Barão Yves de Constancin que viria a ser o comandante dos Nobres Hospitalares de São Lázaro, um cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica e da Ordem de Santa Ana da Rússia. Em 1880 o conde Jules Marie d'Anselme de Puisaye foi admitido na Ordem Hospitaleira enquanto vivia na Tunísia. A Ordem continuou a atrair os membros da nobreza francesa e, no início do século XX, atraia cavaleiros de Espanha e Polónia. Em 1930, Dom Francisco de Borbón y de La Torre, Duque de Sevilha, o Grande Bailio da Ordem em Espanha, foi nomeado tenente-general da Grande Magistratura, e em 1935 foi eleito Grão-Mestre, que restabelecendo o cargo, vago desde 1814.

Devido a disputas e divisões no seio da Ordem, existem agora três Obediências(ramos)distintas, sob o manto Ordem de São Lázaro. Durante muitas décadas, as Obediências de Malta e Paris reivindicaram o Grande Magistério da Ordem, unindo-se em 2008, quando Don Carlos de Borbón y Gererda, Marquês de Almazán, foi eleito como o 49.º Grão-Mestre da Ordem. membros No entanto, membros insatisfeitos da Obediência de Paris, que se tinham afastado, continuaram a operar separadamente, formando o que ficou conhecido como a Obediência de Orleães, liderado pelo Grão-Mestre, o Príncipe Charles-Philippe, duque de Anjou. Em 2004, o príncipe Charles Philippe alcançou com êxito a protecção temporal da Casa Real de França. No entanto, em 2010, o príncipe Charles Philippe aposentou-se como Grão-Mestre do seu ramo da Ordem, e foi substituído por seu tio o conde Jan Dobrzensky z Dobrzenicz.

Hoje em dia, três obediências da Ordem participam em esforços humanitários pelo mundo inteiro. A ex-Obediência de Malta e Paris, tem-se empenhado num grande programa de caridade cujo objectivo é reavivar o espírito do Cristianismo na Europa de Leste: Rússia, Ucrânia, Arménia, Geórgia; e no Médio Oriente: Líbano, Síria e territórios palestinos. Milhões de dólares em alimentos, roupas, equipamentos e suprimentos médicos, foram distribuídos na Polónia, Hungria, Roménia e Croácia. Devido a todo este esforço, a União Europeia pediu à Ordem para transportar mais de 21.000 toneladas de alimentos para combater a fome na Rússia. Após a catástrofe do tsunami na Indonésia, a Ordem organizou grupos de ajuda alimentar projectos de reconstrução.


Vestes e adornos

 Para as cerimónias da Ordem, como a investidura, os membros usam vestes e insígnias específicas. O manto da Ordem é negro com uma gola de veludo verde e uma cruz da Ordem no lado esquerdo. O manto é sempre usado em cerimonias religiosas. Para além do manto e das insígnias, os membros masculinos da Ordem usam luvas brancas, e as senhoras também pode usar uma mantilha na igreja.
A insígnia do Cavaleiro é um emblema com um Troféu Militar, num colar de tecido verde, e uma estrela dourada pendente. As Damas da Ordem usam o emblema com uma coroa de louros e carvalho num laço e uma estrela dourada pendente.
Um botão de rosa verde pode, também, ser usado num fato clássico masculino por estes membros.

Ordem de São Lázaro


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