11 igrejas Etiópia



Casas antigas, de uma África de um passado distante, ruas de terra, pobreza e vida dura. No norte da Etiópia, em uma região remota, fica Lalibela.
A população local começa a se acostumar com os turistas que a cada ano vêm visitar o que é a maior atração do país. O som parece um chamado pra reza. Não é uma missa, é uma espécie de aula de moral religiosa direcionada principalmente aos jovens, maioria na Etiópia.

Para conhecer 11 igrejas completamente diferentes, é preciso descer, andar, subir... As igrejas de Lalibela foram feitas ao contrário, de cima para baixo: se cavava um grande buraco no chão de pedra. Um grande bloco de rocha era isolado e, a partir daí, se esculpia cada igreja.

As igrejas não são ruínas de uma antiga civilização. Assim como as pirâmides do Egito, elas são, na prática, o centro espiritual de uma comunidade há quase 900 anos. Embora tanta coisa tenha mudado do lado de fora, as rezas e rituais nas igrejas são os mesmos praticados ao longo dos últimos séculos.

Tudo foi feito ao longo de apenas 23 anos, pouco depois do ano de 1200. A lenda conta que foi necessário o esforço de 20 mil homens. Dizem que eles trabalhavam de dia e os anjos, à noite.

Para se chegar a cada uma das 11 igrejas é necessário muitas vezes caminhar como em um labirinto. Trilhas cavadas na rocha levam até a parte de baixo. Antes de entrar, é preciso tirar os sapatos. As vestes dos padres são diferentes das que estamos acostumados.

Uma família está benzendo as filhas.Todos vieram da capital Adis Abeba para conhecer as mais reverenciadas igrejas da Etiópia. E, por coincidência, a mãe fala português por ter trabalhado durante quatro anos no Brasil.

A Etiópia, como o Brasil, também tem uma população de maioria cristã. A metade de seus 80 milhões de habitantes é de cristãos ortodoxos. O rei Lalibela, que mandou construir as igrejas, imaginava estar fazendo uma nova Jerusalém.

Em duas das maiores obras, coberturas foram pagas pela União Européia para proteger pinturas e decorações tão antigas, como as que retratam São Jorge, o santo guerreiro. A lenda diz que São Jorge foi visitar o rei Lalibela para reclamar que nenhuma de tantas igrejas tinha sido dedicada a ele. O rei Lalibela, impressionado, até um pouco assustado, disse que ia fazer a mais bonita, a mais especial igreja para São Jorge.

Todo o conjunto de igrejas é tombado pela Unesco. Desde 1978, é patrimônio da humanidade.
Os etíopes têm orgulho de possuírem algo tão original. Um deles diz que, infelizmente, a Etiópia é mais conhecida pela tragédia da fome dos anos 80, mas que nos últimos 30 anos tudo melhorou muito e que vale a pena ir até lá conhecer a cultura e a história do país.

No local se sente o peso da história e da fé. Não têm o requinte nem o luxo das igrejas europeias, mas de certa forma parecem mais a igreja que deseja o novo Papa Francisco, uma igreja mais simples, mas com uma fé solida como rocha.

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