Santos...

Os santos são aqueles homens e mulheres que viveram pela causa do Reino, que foram exemplo de amor, e que estão agora junto ao Pai intercedendo por nós.

EXEMPLOS:

SANTO, SANTO, SANTO: É o Senhor, Deus do Universo. É fonte de toda a santidade. Faz os sacramentos como fonte de santidade. No princípio, a Bíblia reservou a Javé o título de "Santo", palavra que tinha então um significado muito próximo ao de "sagrado": Deus é o  "Outro", tão transcendente e tão longínquo que o homem não pode pensar em participar da sua vida. Diante de sua santidade  o homem não pode deixar de ter respeito e temor .

            Numa  religião de salvação como a de Israel, Deus devia comunicar a sua santidade ao povo, o qual se torna também "outro", manifestando em sua vida cotidiana, e sobretudo em seu culto, um comportamento diferente do de outros povos. Mas para efetuar essa santidade a que Deus o chamava, o povo eleito tinha apenas meios legais e práticas de purificação exterior. Os homens mais esforçados tomaram logo consciência da insuficiência de tais meios e procuraram a "pureza de coração", capaz de fazê-los participantes da vida de Deus. Esses puseram sua esperança numa santidade que seria comunicada diretamente por Deus.

CRISTO: "santo" e fonte de santidade. Esta aspiração se realiza no Cristo; ele irradia a santidade de Deus; sobre ele repousa "o Espírito de santidade"; ele reivindica o título de "santo" E, de fato, santifica toda a humanidade. Jesus Cristo, tornado "Senhor", transmite a sua santidade à Igreja por meio dos sacramentos, que trazem ao homem a vida de Deus. Esta doutrina era tão viva nos primeiros séculos que os membros da Igreja não hesitavam em se chamar "santos", e a própria Igreja era chamada "comunhão dos santos".

TODA SANTA: Nossa Senhora.

SANTOS CANONIZADOS: Santo Antônio, Francisco, Pedro e Paulo.

            São os reconhecidos pela Igreja.

            A liturgia reúne, numa só solenidade, seja os santos já venerados no decurso do ano, como os demais que não tiveram lugar no calendário litúrgico, incluindo a multidão de almas que já nos precederam na Casa do Pai.

            O Apocalipse apresenta uma visão com estas palavras: “Eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro, trajadas com vestes brancas e com palmas na mão. Em alta voz clamavam: ‘Louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força pertencem ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém” (7,9-11)

            A pátria orgulha-se dos seus heróis, dos grandes políticos, dos imortais cientistas, poetas, artistas, etc. Com justo orgulho ergue-lhes monumentos, dedica-lhes praças, ruas, guarda-lhes ciosamente os nomes, nos amais da história.

            Com muito mais razão a Igreja ufana-se dos seus filhos que passando por este mundo conservaram a integridade da fé, labutaram varonilmente para implantação do Reino de Deus entre os homens, dominaram as paixões, preservando-se puros da corrupção deste mundo, cultivaram com afinco as virtudes cristãs e gozam atualmente o prêmio da vida eterna.

            A galeria dos santos da Igreja é muito mais rica de heróis do que a de todas as nações da terra. Há santos que pertencem a todas as épocas e nações; a todas as categorias de classes sociais, desde os mais humildes até as mais elevadas na vida social. Santos desde crianças que não conheceram a malícia do mundo, até velhos venerandos de todas as regiões, raças, cores e profissões. Santos que vão desde Abraão, nosso pai na fé, até aos nossos dias. Cada um de nós pode escolher o modelo que mais agrada, o que for conforme à nossa vida e profissão na terra.

            Santo Agostinho, em sua crise de conversão, ao ler a vida dos santos, comentava: “Se estes e estas venceram o mal, viveram santamente, por que não o posso também eu?” Pois bem, os mesmos auxílios da graça divina que os fortaleceram no áspero caminho da santidade são igualmente oferecidos a cada um de nós. Pelo batismo todos fomos marcados com a vocação à santidade.

            “Sede perfeitos como vosso Pai do Céu é perfeito!” disse Jesus. E São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação”.

            Que o esforço de imitação das virtudes dos santos, junto com a sua proteção, nos ajudem a ser fiéis à sublime vocação à santidade à qual fomos chamados, pela nossa elevação no batismo, a filhos de Deus.

Além de papas, bispos, religiosos santos, a Igreja propõe à nossa imitação;

Adolescentes: Tarcísio, Pancrário, Inês, Serafina, Maria Goretti.

Jovens: Domingos Sávio, Luís Gonzaga, Gabriel da Virgem Dolorosa, Inês de Roma, André di Phú Yên, Pedro Calungsod, Josefina Bakhita, Teresa de Lisieux, Pêro Jorge Frassati, Marcelo Callo, Francisco Castelló Aleu e ainda Catarina Tekakwitha, jovem iroquesa denominada «o lírio dos Mohawks».

Operários: José, esposo de Maria, Isidoro, Geraldo.

Empregados: Germana, Cristiana, Martinho de Lima, Zita.

Pobres mendigos: Aléssio, Benedito Labre, Roque, Crispim.

Professores: João Câncio, João Batista de La Salle, Marcelino Champagnat.

Filósofos: Justino, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino.

Juristas e advogados: Contardo Ferrini, Bártolo Longo, Ivo.

Médicos: Cosme e Damião, Brás, Antônio Zaccaria, José Moscati.

Magistrados: Ambrósio, Paulino, Tomás More.

Militares: Cornélio, Maurcínio, Sebastião, Floriano.

Reis e Rainhas: Luís de França, Fernando de Castela, Matilde, Isabel de Portugal.

E até os casados: "No casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um penhor da comunhão espiritual. Entre os batizados os vínculos do matrimônio são santificados pelo sacramento".

Donde se vê que o matrimônio abençoado por Deus é um estado de vida que santifica os cônjuges. Deus concede aos esposos a graça necessária para que, atendendo aos afazeres e compromissos respectivos, mais e mais se unam ao Senhor e cheguem à perfeição cristã.  A própria história atesta que houve Santos e Santas, de grande vulto, também  entre as pessoas casadas. Um exame atento ao catálogo dos santos dissipa a impressão contrária. Eis alguns deles:

Maridos santos:  Gregório de Nissa (+ 394), Paulino de Nola(+431), Estevão, rei da Hungria(+1038), Omobono de Cremona(+1197), Luís IX, rei da França(+1272), Nicolau de Flüe, patrono da Suíca(+1487), Tomás Moro, ministro do rei Henrique VIII da Inglaterra(+1535).E ainda Amadeu de Sabóia,  São José, e os apóstolos, dos quais alguns devem ter sido casados, como foi São Pedro, cuja sogra é mencionado no Evangelho(cf Mc 1,29s).

Viúvos santos: Raimundo Zangfoni(+1200), Henrique de Bolzano(+431), o Bem-aventurado Bartolo Longo(+1926).

Esposas santas:  Perpéuta de Cartago(+202), Margarida da Escócia(+1093), Gentil Giusti(+1530), Anna Maria Taigi(+1837).

Viúvas santas: Mônica,mãe de S.agostinho(+387), Elisabete, rainha da Hungria(+1231), Edviges da Silésia(+1234), Ângela de Foligno(+1309), Elisabete, rainha de Portugal(+1336), Brígida da Suécia(+1373), Francisca Romana(+1440), Rita de Cássia(+1456), Catarina Fieschi Adorno(+1510), Joana Francisca Frémyot de Chantal(+1641), Luísa de Marillac(+1660), Elisabete Bayley Seton(+1821).

Casais santos:  Henrique Imperador da Alemnaha(+1024) e Cunegundes, Isidoro(+1130) e Maira Toribia, Lucchese(século XIII) e Buonadonna, os genitores de Teresa de Lisieux(ainda não canonizados).

            O Concílio Vaticano II, ainda uma vez, há poucos decênios(1965), lembrava a vocação de todos os cristãos à santidade, removendo a impressão de que somente em alguns estados de vida se pode chegar à perfeição cristã: "É evidente que todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade"(LG 40).

            "Todos os fiéis cristãos, nas condiçòes, tarefas ou circunstâncias de sua vida, e através disso tudo, dia a dia mais se santificarão, se com fé tudo aceitarem da mão do Pai celeste e cooperarem com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio seviço temporal, a caridade comque Deus amou o mundo" (LG 41).

            "Todos os fiéis cristãos são convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado" (LG 42).

SANTOS AINDA NÃO CANONIZADOS E OS ANÔNIMOS: Existem ainda muitos outros que estão em processo de canonização.

E além disso muitos outros que são anônimos, mas que viveram plenamente o seguimento de Jesus, no martírio do dia a dia, na caridade, na mansidão, etc. Mártires da América  Latina e do mundo; Carlos de Foucauld,  pessoas de nossas comunidades.

NÓS: Somos também chamados a ser santos.  "Sede santos...

            Ë isso  é possível ...e  necessário viver buscando...

COMO SER SANTO HOJE?

            * deixar-se conduzir pelo Espírito. Buscar as coisas do alto, fugir das tentações, daquilo que  é mal, não buscar atalhos, ser coerente fé e vida; assumir o ser cristão prá valer, na radicalidade do evangelho, sem contemporizar, nem justificar erros, pecados, obscuridades, etc.

            1º - Não renegar a natureza.... extraordinário...

            Os santos saíram do meio do povo, eram pessoas com limites e deficiências.

            2º -  Não ser milagreiro, figura angélica, buscando coisas fantásticas.

            A santidade se constrói no cotidiano.

            3º Ouvir a vontade de Deus e praticá-la com os irmãos.

            Lutar pela humanidade, fracos, menor, pela justiça e por um mundo mais humano.

            4º - A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina.

            5º - fonte: Cristo - sacramentos - vida de igreja, com Deus.

OUTROS ASPECTOS:  Os santos são pessoas tiradas do meio do povo, que viviam o ordinário, a luta do dia a dia, com seus limites e  qualidades.

            Ser santo não  é só rezar. É ir até Deus que me envia de volta no meio do povo.

            Ação - contemplação;  fé - vida;

GS 43: “O Concílio exorta os cristãos, cidadãos de uma e de outra cidade, a procurarem desempenhar fielmente suas tarefas terrenas guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo não termos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura, julgam, por conseguinte, poderem negligenciar os seus deveres terrestres sem perceberem que estão mais obrigados a cumpri-los, por causa da própria fé, de acordo com a vocação a qual cada um foi chamado. Não erram menos aqueles que, ao contrário, pensam que podem entregar-se de tal maneira às atividades terrestres, como se elas fossem absolutamente alheias à vida religiosa, julgando que esta consiste somente nos atos do culto e no cumprimento de alguns deveres morais. Este divórcio entre a fé professada e a vida cotidiana de muitos deve ser enumerado entre os erros mais graves do nosso tempo. (....) Ao negligenciar os seus deveres temporais, o cristão negligencia os seus deveres para com o próximo e o próprio Deus e coloca em perigo a sua salvação eterna.”

Em resumo: A vocação à santidade não é um esforço pessoal para garantir a salvação individual da alma, mas é vocação para construir a cidade terrena de acordo com os valores do Reino de Deus e as bem-aventuranças, até o dia em que estivermos vivendo na Jerusalém celeste, como canta o prefácio desta eucaristia.

As tipologias da santidade segundo o lecionário dos santos.

Para suprirmos a exposição insuficiente ao se apresentar a mensagem dos santos, sem uma referência precisa às leituras bíblicas, as quais podem ser proclamadas nas festas ou nas memórias celebradas particularmente, resumimos alguns pontos de reflexão que permitem enquadrar cada personagem hagiográfico, analisado através das fontes eucológicas.

1. Mártires
Do grego testemunha, a palavra mártir designava o cristão que sofria até a morte pela sua fé.
Mas o martírio nunca é apresentado como fato de crônica heróica ou épica, nem só como exemplo de coragem ou de fé, mas como sinal do plano de Deus que passa através do sofrimento: antes, os justos perseguidos do Antigo Testamento; depois, o Messias, o Servo de Deus, atingido pelo sofrimento. Em 177, no anfiteatro de Lião, 48 cristãos foram martirizados. Entre eles estavam Potino, o primeiro Bispo de Lião, e Blandina. Eles são considerados os primeiros mártires da Gália. Jó revela que o amor de Deus é diferente do nosso, porque permite a perseguição dos inocentes; Estêvão revela que a fecundidade do martírio não consiste na morte violenta em si mesma, mas na participação total na caridade de Cristo (efeito do seguimento de Cristo, Jo 12,24-26). A perseguição faz parte da missão do povo de Deus, como sinal de sua verdade e como condição de sua eficácia. Também as tribulações e provas da vida são uma extensão do martírio, como sinal da participação no mistério pascal de Cristo, com tríplice certeza, a saber, que depois da cruz vem a vitória da ressurreição, que os homens não são capazes de tirar de nós a verdadeira vida e que Cristo deve ser amado acima de todas as coisas, mesmo ao custo da própria vida.

2. Pastores
O serviço pastoral é escolha gratuita de Deus, porque só Deus é o guia de seu povo à salvação (é ele o único Pastor). Os pastores humanos não o são por delegação, mas por um mistério de participação na atividade pastoral de Deus e de Cristo para o bem dos seres humanos (cf. Ez 34,11-16; Jo 10,11-16). A diaconia do serviço pastoral realiza visivelmente o senhorio de Cristo (Mt 28,16-20), enquanto Deus determina o âmbito, o fim e a eficácia da missão confiada aos homens enviados por ele. O apóstolo é totalmente subordinado ao evangelho (2Cor 4,1-7) e à palavra de Deus (At 20,17-36). Por isso as modalidades do exercício pastoral são resumidas nestas três: a natureza comunitária desse ministério, que se articula em diversidade de ministérios e carismas, com a participação de toda a comunidade; a plantatio ecclesiae ("plantação da Igreja", cf. discurso missionário de Lc 10,1-24), que exige pobreza, liberdade, desinteresse e humildade; e a conexão entre o serviço terreno e a participação no senhorio escatológico (Lc 22,24-30; Ex 32,7-14).

3. Doutores
A exaltação da sabedoria dos doutores nasceu, antes de tudo, da inculturação da revelação hebraica pela Sabedoria divina, introduzindo a experiência do ser humano na revelação. A reflexão sapiencial chegou à pobreza de espírito, segundo a qual essa sabedoria humana vem de Deus e não do homem; por isso ela é um dom a ser acolhido. Na revelação evangélica, a sabedoria não é uma ciência teórica ou filosófica, mas a capacidade de transformar a vida por meio das obras (Mt 5,13-19; Lc 6,43-45). À luz do mistério pascal, a sabedoria é a compreensão do valor salvífico da cruz (1cor 1,17-19).

4. Virgens
A exaltação da virgindade cristã não é depreciação da sexualidade humana nem expressão de perfeição pessoal, mas manifestação simbólica do valor decisivo ou resolutivo da dedicação da Igreja como esposa ao Senhor seu esposo. A pessoa virgem está livre de qualquer outro amor porque é esposa de Cristo (cf. Os 2,14-20; 2Cor 10,17-11,2; Ap 21,1-5). Enfim, a virgindade em chave escatológica (1cor 7,29) é necessária para descobrir a relatividade de todas as coisas diante do amor de Cristo (Mt 19,3-12).

5. Santos e Santas
Antes de tudo, a santidade é apresentada pelos textos bíblicos na dimensão trinitária, como fruto do amor do Pai e do Filho pela ação do Espírito Santo, que habita em nós. Em seguida, ela é comunhão vital com a santidade de Cristo (cf. alegoria dos ramos enxertados na videira, Jo 15,1-8): ser santo significa ser cheio da plenitude de Deus (Ef 3,14-19). Enfim, a santidade é a perfeição da caridade divina (Jo 15,9-17) e se traduz em obras de misericórdia para com os humildes, prediletos de Cristo (Mt 25,31-46), exigindo uma radicalidade de empenho que leva ao espírito de infância (Mc 9,33-36).

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