A ICONOCLASTIA

Antigo Testamento certamente conhece a proibição das imagens: "Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou em baixo, na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás" (Ex 20,4-5).
Está claro o motivo dessa proibição: a idolatria. Mas deverão as imagens sempre e necessariamente conduzir à idolatria? O uso ou o culto das imagens ameaça ou obscurece a transcendência de Deus? Pode o homem pensar sem imagens?

Anônimo. Iconoclasta, c. séc. V.
Já no Antigo Testamento a proibição de fazer imagens não era algo tão absoluto como pregadores fundamentalistas pretendem. Há, outrossim, textos que mostram que o próprio Senhor mandou fazer imagens para manter a piedade de Israel. Assim, no mesmo livro do Êxodo, também lemos, como vimos acima, que o Senhor mandou Moisés colocar dois querubins de ouro sobre o propiciatório da arca; era pelo propiciatório assim configurado que Javé falava ao seu povo. Por isso a Bíblia costuma dizer que "Javé está sentado sobre os querubins" (Ex 25,17-22). Caberia conferir, nesse sentido, outros textos como 1 Rs 6,23-28; Nm 21,4-9; etc.

Nem todos os judeus interpretaram a proibição do Êxodo e do Deuteronômio como absoluta, porque também introduziram o uso de imagens em sinagogas, como mostram os numerosos afrescos e mosaicos nas sinagogas de Bet-Alfa, Gérasa, Naara e a famosa sinagoga de Dura-Êuropos, na Babilônia, na qual Moisés foi representado frente à sarça ardente, o sacrifício de Abraão, etc., e túmulos judaicos em Roma, ornados com representações de animais e homens.

No Novo Testamento só é proibido venerar as imagens dos deuses pagãos (ITes 1,9; 1 Cor 5,10). As mais antigas catacumbas romanas já eram enfeitadas com representações cristãs, com muitos elementos derivados da arte profana dos pagãos.

Nem o Antigo nem o Novo Testamento, bem entendidos, proíbem a arte, a produção de imagens profanas. A imagem religiosa encontrava resistência não só em vista do perigo da idolatria. Eusébio de Cesárea se opôs ao pedido de Constantino de ter uma imagem de Cristo, dizendo ser impossível representar com cores mortas e sem vida este Jesus que já na terra era irradiação da glória divina (PG 20,1545). Gregório Magno repele a adoração das imagens, mas aceita seu uso pedagógico: "O que para os leitores a escrita é, para os olhos dos não-instruídos, o é a imagem, pois até os ignorantes vêem nela o que devem imitar, lendo nela inclusive os que não sabem ler" (Ep 11,13). Em outros termos, a imagem adquire valor complementar ao da palavra e dos sacramentos.

O cristianismo primeiro evitou, em geral, o culto das imagens por causa do perigo da idolatria. Mas cedo introduziu imagens como adorno e ilustrações, passando depois ao seu culto, sobretudo no Oriente. Aparecem, então, símbolos e figuras decorativas que lembram os mistérios da salvação em torno da pessoa de Jesus e dos apóstolos. Em pinturas e esculturas, artistas passaram a representar as imagens de Cristo: Jesus corno pastor, Jesus corno pescador com seus apóstolos ou Jesus nos diversos relatos evangélicos. As imagens passaram a recordar a imagem original.

Nos séculos IV e V, com o apoio da hierarquia, desenvolveu-se urna iconografia gigantesca, inspirando-se ora no Antigo Testamento, ora no Novo Testamento. Salientou-se o Cristo Pantocrator, a Virgem e os Santos no fundo das ábsides basilicais. No Oriente bizantino, desenvolveu-se a iconografia com excepcional exuberância.

O culto das imagens exerce grande importância no rito bizantino como entre os cristãos ortodoxos em geral. A grade que fecha o santuário, chamada iconostase, é ornada de imagens. Trata-se de urna reação contra a iconoclastia dos séculos VIII e IX.

A Igreja do Ocidente aceita as imagens nos lugares de culto. Enquanto os calvinistas as rejeitam por contrariarem a Bíblia e alimentarem o perigo da idolatria, os luteranos mais recentemente defendem que o mandato de Cristo aos discípulos de pregar o evangelho em todas as línguas inclui também o uso da linguagem figurada do artista (pintor ou escultor). Lembram que a Bíblia se serviu de imagens, palavras de sentido metafórico, para expressar verdades divinas. Os luteranos alemães afirmam que quem, como Lutero, reconhece na música o veículo apto da fé e do amor dos cristãos, não pode deixar de reconhecer também nas representações visuais um instrumento apto para proclamar a verdade revelada.

No Ocidente, apesar de protestos, sob a égide de Roma e do movimento monástico medieval, desenvolveu-se uma vasta tradição iconográfica. Na época românica e gótica, as imagens, perfeitamente integradas na arquitetura, representam os mais variados temas bíblicos e hagiográficos. A partir do século XV, a arte mística e patética medieval passou a ser substituída pelo realismo renascentista. Quando, no século XVI, a arte entra em decadência, recoloca-se o problema das imagens no tempo da Reforma. O Concílio de Trento rejeita o ataque de idolatria, tentando disciplinar o movimento artístico cristão. O caminho, no Oriente, foi diferente, com duras lutas.

2 - A iconoclastia

Quando, hoje, um ocidental visita urna igreja ortodoxa, no Oriente, certamente se impressiona com as numerosas imagens, as quais são saudadas e beijadas pelos fiéis em seqüência hierárquica. Muitas vezes, sobretudo na Rússia, uma parede inteira de imagens (iconostase) separa o ambiente do altar do ambiente da comunidade. Se as basílicas e os mosaicos "constantinianos" eram comuns ao Ocidente e ao Oriente, os ícones expressam um caráter tipicamente oriental.

A partir do século V, entre os cristãos orientais, tomou-se comum a prática de acender velas junto às imagens nas igrejas ou em casa, oferecer-lhes incenso ou beijá-las. Dizia-se que quem beija uma imagem, beija o próprio Cristo ou o santo representado. Tudo parece indicar que essa prática desenvolveu-se primeiro entre o povo e posteriormente os teólogos tentaram justificá-la e, não raro, corrigi-la a partir da Teologia da encarnação de Deus em Cristo. Assim, quem negasse a imagem de Cristo, negaria a verdade da encarnação de Deus em Cristo. Sobretudo os monges dedicaram-se a satisfazer o desejo do povo de ver e encontrar ajuda nas imagens e oportunizar experiências da graça e de milagres. É de supor que já então, como hoje, o povo nem sempre respeitou os limites estabelecidos pelos teólogos entre adoração e veneração, instaurando-se abusos considerados idolatria. Só dessa forma se pode entender a violência da luta contra o culto às imagens (Iconoclasmo ou iconoclastia) que perdurou mais de um século.

O movimento bizantino de iconoclastia, nos séculos VIII e IX, também derivou da doutrina judaica (Ex 20,4-5) e da doutrina islâmica (Corão III, 43, etc.) e, de modo especial das doutrinas heréticas que insistiam na separação das naturezas humana e divina de Cristo (nestorianismo) ou em sua união em uma só natureza (monofisismo). Sob esse aspecto, a iconoclastia foi uma conseqüência natural das lutas cristológicas que tanto sacudiram as províncias orientais do império.

A iconoclastia nasceu no império bizantino ameaçado pelo islamismo. Aos olhos dos governantes, deveria servir para acabar com práticas religiosas, que se confundiam com a idolatria, e para evitar a intervenção armada dos muçulmanos. Leão III Isáurico (717-741) foi quem desencadeou a querela das imagens. Este imperador, sírio de origem, conhecia o monofisismo e o islamismo. Os bizantinos, a exemplo dos gregos clássicos, preferiam as figuras humanas. As lutas cristológicas e a interpretação do Corão buscavam uma espiritualidade pura e a escolha dos velhos temas artísticos que ignoravam a representação de seres vivos. A aversão às imagens santas vinha dos fiéis que viam, no perigo exterior (árabes) e no interior, o castigo do Senhor, provocado pelos ímpios adoradores de imagens. Alegavam ser imprudente provocar os muçulmanos, que rejeitavam as imagens porque eram mudas e não respiravam.

A partir de 724, o imperador Leão III começou sua campanha contra as imagens e ordenou sua destruição. Os bispos ortodoxos reagiram a favor delas e o papa Gregório II (715-731) condenou a iconoclastia de Leão III. Mas o imperador prosseguiu sua luta contra as imagens e contra seus fabricantes.

No Concílio Romano de 731, o Papa Gregório III condenou os profanadores de imagens e confirmou seu culto.

Constantino V, filho de Leão III, cultivou aversão às imagens. No dia 28 de agosto de 753, reuniu numerosos bispos em Heiria, na presença de um novo patriarca, cuja eleição havia favorecido, e promulgou no Fórum os decretos que proscreviam as imagens. Comparou o culto às imagens à idolatria. Proibiu a imagem do próprio Cristo. Dizia que a única imagem de Cristo é a Eucaristia tal como consta na liturgia de S. Basílio. Apesar da heresia de Constantino V, os bispos presentes em Heiria confirmaram o culto da santa Virgem e a intercessão dos santos.

A perseguição do imperador foi violenta, e houve numerosos mártires. Os patriarcas orientais e os latinos censuraram a iconoclastia oficial do palácio e do patriarca bizantino.

Leão IV, filho de Constantino, era iconoclasta, mas não destruiu imagens, nem perseguiu os veneradores de imagens. Sua esposa Irene respeitava os monges e venerava as imagens. Depois da morte do imperador, em 780, Irene tentou acabar com a iconoclastia. Com a prévia aprovação do Papa e dos Patriarcas, foi convocado o VII Concílio ecumênico em 786. Nesse Concílio, realizado em Nicéia, em 787, foram condenados os iconoclastas, restabeleceu-se a união das Igrejas, o culto das imagens e a veneração dos santos.

Os iconoclastas, contudo, não desapareceram. Quando o imperador Constantino VI buscou apoio para obter a legitimação de seu concubinato com sua amante Teodotea, os iconoclastas reapareceram em cena. Irene retomou o poder (797-802). Depois os imperadores se tomaram mais moderados, exceto Leão V, o Armênio (813-820), que perseguiu os veneradores de imagens. Mas, defendendo as imagens, os ortodoxos punham em dúvida o poder do imperador para legislar em matéria religiosa. Teodoro Estudita, por sua vez, insistia em que o Papa de Roma era a última instância para todas as questões de fé.

Em 843, houve o restabelecimento definitivo do culto às imagens no Oriente. Assim Bizâncio retomou seu espírito. A arte sacra recebeu um impulso excepcional, assegurando-lhe, durante séculos, lugar de primeira grandeza.

No Ocidente, os teólogos de Carlos Magno, nos Livros carolíngios (790) insistem em que as imagens não devem ser adoradas. S. Tomás de Aquino vê uma tríplice função da imagem: como instrumento de informação, ou seja, para instruir os que não sabem ler; como ajuda para a memória dos mistérios da salvação e como estímulo para devoção (In IV Sent., I. III, dist. IX a.2.). Em geral, os ocidentais admitem o valor próprio da obra de arte, mas mostram-se menos sensíveis, quando se trata de nela reconhecer o valor teológico da glória divina.

3 - Reflexões teológicas

Se não se pode fazer imagem adequada de Deus transcendente, é verdade que na criação há um reflexo ou algum vestígio do mesmo, pois o livro do Gênesis nos fala do homem criado "à imagem e semelhança" de Deus (Gn 1,26). Em 1Cor 11,7s é confirmada a idéia de que o homem é a imagem e reflexo de Deus. O próprio Cristo, no Novo Testamento, é imagem de Deus, no sentido de que reflete plenamente em si próprio a substância do Pai (C1,1, 15).

Em Cristo, a noção de imagem assume seu significado mais realista. Pela fé, hoje ainda vemos como que em espelho, de maneira confusa; entretanto, depois veremos face a face; hoje conhecemos de modo imperfeito, depois conheceremos como somos conhecidos (lCor 13,12).

O mundo bizantino colocou, nos séculos VIII e IX, o confronto teológico da relação entre imagem e culto. Os teólogos orientais, nesse confronto, argumentaram: o ícone é o documento teândrico que anula a proibição vetero-testamentária de fazer imagens de Deus, pois supõe a encarnação. O que permite representar Deus é o fato de, em Cristo, ter-se feito homem. S. João Damasceno afirma: "Antigamente Deus, que não tem nem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora, que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus (n.). Com o rosto descoberto, contemplamos a glória de Deus" (Imag. 1,16). Por isso, o segundo Concílio de Nicéia, em 787, reconhece ao ícone o direito à veneração, não à adoração: "Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos Santos Padres e da tradição da Igreja, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto da imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto da de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos"(DS 600).

Para os orientais, o ícone é uma pintura do gênero sacro, muitas vezes portátil, feita de madeira, segundo técnica particular. A teologia do ícone é iniciada na contemplação do mistério da encarnação, narrada em Cl 1,15: "Cristo é a imagem do Deus invisível" e termina por tornar-se uma teologia visual, numa teofania: "Quanto o Evangelho expressa com a palavra, o ícone proclama com as cores e o torna presente".

O motivo da proibição de imagens, nos tempos de Moisés, é o fato de ser Javé um Deus que não se vê e, por isso, não pode ser representado. Toda e qualquer imagem que dele se fizer será inadequada. As gerações cristãs entenderam que deveriam procurar o acesso ao Invisível, passando pelo visível de Cristo. Nele Deus fez-se homem e como tal pode ser representado, não só na linguagem verbal, mas também na visual. Assim a representação visual, em tela ou escultura dos episódios da vida de Jesus, cedo se tornou o "catecismo dos iletrados". Nada obsta que a Deus Filho se atribua figura humana. O Espírito Santo, na Sagrada Escritura, não aparece sob figura humana, mas em forma de pomba (Mt 3,16) ou de línguas de fogo (At 2,3). Deus Pai costuma representar-se por um dedo ou por uma mão, sinais de ação e de poder, como sugere Lc 11,20: "Se é pelo dedo de Deus que expulso os demônios...", ou ainda na figura de um ancião, conforme Dn 7,9, que vê o Filho do homem caminhando em direção de venerável varão de cabeleira branca, sentado sobre um trono.

As imagens são sinais que impressionam a sensibilidade, da mesma forma como os sons, estimulando o espírito a aderir mais plenamente ao Deus invisível. Como a namorada sabe que a fotografia do seu amado, que carrega consigo na bolsa, não substitui a pessoa viva do mesmo, o cristão sabe que a imagem não é Deus, nem o santo que representa.

(...)

Apesar de nossas considerações teológicas, deve-se reconhecer que, algumas vezes, o povo se apega excessivamente às imagens em si, perdendo a clara e necessária distinção entre o meio, a imagem, e a pessoa a que se tributa a veneração ou, no caso de Deus, a adoração. Através dos séculos, a Igreja não se cansa de chamar a atenção contra os desvios.

4 - O ícone na espiritualidade bizantina

Os ícones ocupam um lugar importante nos países de cristãos ortodoxos. Não só povoam os templos. Encontram-se ao longo das estradas, nos cruzamentos, nos pórticos de entrada dos povoados. Nas residências, o ícone com uma lamparina assemelha-se a um santuário familiar. Em cada residência o ícone ocupa lugar de honra, na entrada, para ser o primeiro a acolher o visitante.

O ícone acompanha o fiel durante toda a vida. Recebe um ícone ao ser batizado e outro no casamento. Com ele os pais benzem o filho, quando parte em viagem e os circunstantes o moribundo.

Para os ortodoxos, o ícone por excelência é o rosto de Cristo, cujo primeiro modelo não foi fabricado por mão humana.


O mandjilion ou aqueropita, pintado em pano pelo próprio Cristo, segundo a lenda, que o teria enviado a Abgar, rei de Edessa, e aí teria ficado escondido durante muito tempo. É uma tradição oriental que corresponde ao santo sudário (síndone) que hoje se guarda em Turim. A face humana de Deus "é imagem (eikôn) do Deus invisível" (CIl,15), sua humanidade é "o visível do invisível". Quando o Verbo se fez carne, tornou-se necessário o ícone, que representa Cristo e os santos quase sempre frontalmente, tornando-o transparente, pois conduz do visível de Cristo ao invisível do Espírito.

O ícone ensina-nos a descobrir em cada homem a imagem de Deus, pois é uma arte transfigurativa.

Num ícone a luz não parte de um foco concreto. Os pintores fazem a luz irradiar do próprio fundo do mesmo. O corpo e as vestes são iluminadas com finos traços de ouro. Os animais, as plantas e as paisagens são estilizadas segundo sua essência espiritual. A obra de arte geralmente é abençoada durante a celebração eucarística.

Para os orientais, bizantinos ou ortodoxos, a contemplação das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos, não tem apenas valor didático ou comemorativo dos mistérios salvíficos, nem se satisfaz com estimular a devoção.

Os ícones possuem valor dogmático verdadeiro e específico, ocupando lugar de destaque na economia eclesial. Diz o Concílio de Constantinopla, em 843: "A arte sagrada do ícone não foi inventada pelos artistas. É instituição que vem dos Santos Padres e da tradição da Igreja" (Mansi XIII, 252 c). Para os orientais, o iconoclasmo peca por docetismo, pois não sabe reconhecer a epifania do invisível; mostra-se insensível ao sagrado na história; nega que a santidade seja capaz de transfigurar a natureza. Dessa maneira, atacar os ícones é atacar o estado monástico, o culto dos santos, a própria maternidade de Maria e, em última instância, negar a encarnação de Cristo.

O ícone, na liturgia bizantina, faz com que a visão adquira certa primazia sobre a palavra, já que capta o elemento sensível do Verbo encarnado, sob a forma espiritual e impregnada de santidade, que nos é oferecida pela força do Espírito Santo. Não substitui os sacramentos, mas, de certo modo, permite-nos já agora perceber a glória final, revelando-nos a beleza do reino celestial. O iconógrafo, por isso, deve preparar-se, para a pintura, com orações e jejuns, com ascese e santidade, pois o ícone é feito para a contemplação sensível da divindade invisível e santa. Através da percepção da santidade, que transparece na forma sensível, nós ficamos santificados pela força do Espírito Santo. Enquanto a iconografia oriental sempre indica a unidade entre o divino e o humano, a arte ocidental prefere acentuar a diferença.

Ícones são, para os cristãos orientais, mais que simples exercícios estéticos ou meros instrumentos pedagógicos para a educação do povo simples. Para a compreensão ortodoxa, os ícones são, ao lado da proclamação da Palavra e da celebração da Eucaristia, algo como sacramentais, ou seja, uma forma singular da comunicação do crente com Deus.

Para concluir, (...) Vale citar a palavra de S. João Damasceno: "A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus".

FONTE:

Mons. Urbano Zilles - Revista Teocomunicação - Vol. 27 / Dez/1997 - Porto Alegre - Brasil

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