Papa Francisco expõe fragmentos ósseos de São Pedro

Nenhum papa jamais declarou que os fragmentos pertencem ao Apóstolo Pedro, mas o Papa Paulo VI, em 1968, disse que os fragmentos encontrados na necrópole sob a Basílica de São Pedro, foram "identificadas de uma forma que podemos considerar convincente".

Cidade do Vaticano (RV) – Uma viagem no tempo para confirmar a fé dos primeiros cristãos e, assim, a nossa própria crença. Abaixo do atual altar da Basílica de São Pedro estão outros três altares: um do IV século, um do II século e o original, do I século depois de Cristo.
Ali jazem, em uma pequena caixa de madeira, as relíquias de São Pedro apóstolo, crucificado de cabeça para baixo durante a perseguição aos primeiros cristãos na Roma pagã do imperador Nero. De cabeça para baixo porque a história diz que São Pedro afirmou não ser digno de ser crucificado como o seu Mestre.
As escavações arqueológicas abaixo da Basílica de São Pedro tiveram início após um ‘acidente de percurso’, nos anos 30. O Papa Pio XII procurava um lugar para ser sepultado e, os arqueólogos, ao escavarem um mausoléu, acabaram por descobrir que abaixo dele existia uma grande necrópole.
Assim, quando a visita tem início, a guia que acompanhou a reportagem da Rádio Vaticano fez um convite: “imaginem que este grande cemitério, há 2 mil anos, estava a céu aberto”. Não foi difícil imergir no passado e pensar que este, que hoje é um ambiente contra indicado para quem sofre de claustrofobia, eram ruas movimentadas do maior cemitério do império.
Ao longo de centenas de anos, os primeiros cristãos de Roma - sabendo do local do martírio de Pedro – quiseram, com muita discrição, ser sepultados próximos ao apóstolo. É possível identificar as lápides dos primeiros cristãos pelo o símbolo do cristograma e pelas escritas em latim. A primeira representação de Cristo em Roma – um mosaico no teto de uma das tombas – mostra Jesus como o deus sol, cujos raios saem de sua cabeça. Um divisor de águas para a história da arte.
Todavia, o local também era a necrópole para as famílias ricas e pagãs. Durante a visita admiram-se os afrescos ainda intactos, além de diversos sarcófagos decorados com imagens de deuses egípcios e figuras mitológicas do império romano.
Descobrimos que o obelisco que hoje está no centro da Praça São Pedro foi feito com mão de obra romana no Egito e transportado até Roma em uma embarcação especial.
O obelisco era uma referência da primeira basílica que o imperador Constantino ergueu sobre a Tomba de Pedro e que marcou o início do culto livre do cristianismo que, mais tarde, viria a ser a religião oficial do império, por volta do VI século, com o imperador Teodósio. Constantino foi o responsável por preservar as relíquias do apóstolo da tomba original e colocá-las em um altar, circundado por um muro levantado para proteger o local sagrado, que então já se tornava meta de peregrinação.
Aquilo que a história conta, os arqueólogos confirmaram. A presença do Troféu de Gaio, uma pequena coluna de mármore que indicava o local de sepultura do Apóstolo. Ao ver o Troféu há poucos metros de distância, percebemos que estamos no centro de algo que as palavras não podem descrever. 
A visita continua, subimos novamente ao nível da basílica de Constantino. Podemos ouvir o som do órgão que vem da Basílica atual. Chegamos à Capela Clementina, onde os papas com frequência descem para rezar junto à tomba de São Pedro. A guia nos explica que ali os arqueólogos encontraram umpedaço do muro de proteção do sepulcro original - hoje nos apartamentos pontifícios - com a escrita em grego: Pedro está aqui.
Porém, na lateral, atrás do altar é que confirmamos a nossa própria fé. A presença física da pequena caixa de madeira, cuja iluminação faz saltar aos olhos em meio à terra escura, toca todos os visitantes, que são convidados a silenciar. A oração é profunda. Lágrimas brotam em comunhão com a presença do Primaz da Igreja Católica: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. (RB)

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