Frei Henrique de Coimbra (Coimbra c. 1465 — Olivença, 14 de setembro de 1532) foi um frade e bispo português, célebre missionário na Índia e na África, tendo viajado na frota de Pedro Álvares Cabral em 1500. No Brasil é conhecido por ter celebrado a primeira missa no país, no dia 26 de Abril de 1500.
Henrique de Coimbra foi confessor de D. João II e do Convento de Jesus de Setúbal. Foi OBSERVANTE em Alenquer, no primeiro Convento Franciscano de Portugal. Na expedição de Pedro Álvares Cabral, Henrique de Coimbra dirigia um grupo de religiosos destinados às missões do Oriente. Já em Calecute, após o descobrimento do Brasil e a viagem até à Índia, cinco dos oito religiosos foram mortos no recontro com muçulmanos, na sequência da traição do Samorim. Face ao fracasso da missão, Henrique de Coimbra regressou a Portugal.D. Manuel I escolheu-o então para bispo de Ceuta, cuja confirmação foi dada pelo papa Júlio II a 30 de Janeiro de 1505.Em 1512 celebrou um acordo com o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, que levou à inclusão de Olivença no território do bispado de Ceuta. E foi em Olivença que estabeleceu a sede do seu bispado. Nesta localidade, Henrique de Coimbra construiu os paços episcopais, o tribunal e o aljube, para além da igreja de Santa Maria Madalena, que serviu como sé catedral e é "um dos espécimes mais nobres e mais puros do estilo manuelino" (Reinaldo dos Santos, O Manuelino). Seria neste templo que os restos mortais de Henrique de Coimbra seriam conservados.Em carta datada de, "dia de Cinza, do Mosteiro de Enxabregas", (4 de Março de 1500), cinco dias antes da partida da frota cabralina, Frei Henrique de Coimbra despede-se da abadessa do mosteiro, Soror Coleta Talhada, prenunciando a viagem que o levaria à Índia e à Terra de Santa Cruz: Creio que Deus quer que eu vá, e por isso vos não ouve. E, pois, Ele quer, é bem que queiramos nós todos. Não convém, pois, resistir à sua vontade, porque é sua ofensa não se conformar homem com ele e com o que ele quer e ordena12. Informa a madre que tinha chegado à cidade de Lisboa na segunda feira anterior (ele escrevia na quarta) e o rei o mandara chamar para determinar a sua partida (e assim concluiu que eu iria). A epístola deixa transparecer alguma apreensão, já que refere o facto de não saber se voltará de tal missão, afirmando em jeito de consolo: e, ainda que vá, não me espera logo a morte. Poderá ser que me vereis e a mais cedo do que pensais. Palavras quase proféticas já que o missionário regressaria ao Reino pela impossibilidade de concretizar a sua tarefa no Índico, ao contrário de alguns dos seus confrades que ali encontraram muito cedo, a morte. Destes, deixou-nos o autor da História Seráfica, o seguinte depoimento: «Seus companheiros eram os seguintes: Frei Gaspar, Frei Francisco da Cruz, Frei Simão de Guimarães e Frei Luís Salvador, todos quatro pregadores e excelentes letrados; Frei Masseu, sacerdote, organista e músico, que também com estas prendas podia ter parte na conversão das almas, havendo experiência certa de que o demónio também se afugenta com as suavidades das harmonias; Frei Pedro Neto, corista de ordens sacras; e Frei João da Vitória, frade leigo e do número daqueles idiotas em cuja boca imprime o Senhor dos humildes o que hão-se responder na presença dos tiranos»13.
A missa incluiu o acto do sermão, que, segundo Caminha, teve como tema a chegada dos portugueses e o achamento da terra e, embora, desconhecendo o sentido da cerimónia e muito menos o teor da mensagem pregado, os índios escutavam silenciosamente, mas com admiração. Para eles tudo isto também era novidade.Terminada a cerimónia, segundo a descrição de Caminha e dos cronistas que servem de apoio a este estudo, os índios fizeram grandes festas com danças, saltos, cânticos e trejeitos, tocando cornos e buzinas ou disparando setas para o ar em sinal de contentamento.
Importa reter o sentido da festa na cerimónia religiosa. Esta dialética entre o lúdico e o sagrado foi depois "explorada" pelos missionários que entretanto chegariam, como instrumento de evangelização, sobretudo pelo aproveitamento da música e da expressão teatral como veículos de difusão da mensagem cristã26.
Do mesmo modo é importante reflectir sobre o significado da bandeira com a Cruz de Cristo, hasteada ao lado do altar enquanto decorria a celebração litúrgica. A mesma que tinha sido entregue pelo monarca, D. Manuel, em Belém, ao capitão-mor, e que acompanhava a frota. De novo, e desta vez em terras americanas, os dois níveis se interpenetravam como corolário da política de Estado então vigente.
A segunda grande cerimónia de cunho cristão foi a chantadura da cruz, a cujo símbolo ficou ligado o nome do lugar encontrado: "Terra de Vera Cruz": «E hoje, que é sexta-feira, primeiro dia de Maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira e fomos desembarcar acima do rio contra o sul, onde nos pareceu que seria melhor chantar a cruz, para melhor ser vista. Ali assinalou o capitão o lugar onde fizessem a cova para a chantar.
Enquanto a ficaram fazendo, ele como todos nós outros fomos pela cruz abaixo do rio, onde ela estava. Trouxemo-la dali com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, à maneira de procissão.
Fonte: Instituto-camões
Maria Adelina Amorim





