Fatos históricos da primeira missa no Brasil


Frei Henrique de Coimbra (Coimbra c. 1465 — Olivença, 14 de setembro de 1532) foi um frade e bispo português, célebre missionário na Índia e na África, tendo viajado na frota de Pedro Álvares Cabral em 1500. No Brasil é conhecido por ter celebrado a primeira missa no país, no dia 26 de Abril de 1500.
Henrique de Coimbra foi confessor de D. João II e do Convento de Jesus de Setúbal. Foi OBSERVANTE em Alenquer, no primeiro Convento Franciscano de Portugal. Na expedição de Pedro Álvares Cabral, Henrique de Coimbra dirigia um grupo de religiosos destinados às missões do Oriente. Já em Calecute, após o descobrimento do Brasil e a viagem até à Índia, cinco dos oito religiosos foram mortos no recontro com muçulmanos, na sequência da traição do Samorim. Face ao fracasso da missão, Henrique de Coimbra regressou a Portugal.D. Manuel I escolheu-o então para bispo de Ceuta, cuja confirmação foi dada pelo papa Júlio II a 30 de Janeiro de 1505.Em 1512 celebrou um acordo com o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, que levou à inclusão de Olivença no território do bispado de Ceuta. E foi em Olivença que estabeleceu a sede do seu bispado. Nesta localidade, Henrique de Coimbra construiu os paços episcopais, o tribunal e o aljube, para além da igreja de Santa Maria Madalena, que serviu como sé catedral e é "um dos espécimes mais nobres e mais puros do estilo manuelino" (Reinaldo dos Santos, O Manuelino). Seria neste templo que os restos mortais de Henrique de Coimbra seriam conservados.
Em carta datada de, "dia de Cinza, do Mosteiro de Enxabregas", (4 de Março de 1500), cinco dias antes da partida da frota cabralina, Frei Henrique de Coimbra despede-se da abadessa do mosteiro, Soror Coleta Talhada, prenunciando a viagem que o levaria à Índia e à Terra de Santa Cruz: Creio que Deus quer que eu vá, e por isso vos não ouve. E, pois, Ele quer, é bem que queiramos nós todos. Não convém, pois, resistir à sua vontade, porque é sua ofensa não se conformar homem com ele e com o que ele quer e ordena12. Informa a madre que tinha chegado à cidade de Lisboa na segunda feira anterior (ele escrevia na quarta) e o rei o mandara chamar para determinar a sua partida (e assim concluiu que eu iria). A epístola deixa transparecer alguma apreensão, já que refere o facto de não saber se voltará de tal missão, afirmando em jeito de consolo: e, ainda que vá, não me espera logo a morte. Poderá ser que me vereis e a mais cedo do que pensais. Palavras quase proféticas já que o missionário regressaria ao Reino pela impossibilidade de concretizar a sua tarefa no Índico, ao contrário de alguns dos seus confrades que ali encontraram muito cedo, a morte. Destes, deixou-nos o autor da História Seráfica, o seguinte depoimento: «Seus companheiros eram os seguintes: Frei Gaspar, Frei Francisco da Cruz, Frei Simão de Guimarães e Frei Luís Salvador, todos quatro pregadores e excelentes letrados; Frei Masseu, sacerdote, organista e músico, que também com estas prendas podia ter parte na conversão das almas, havendo experiência certa de que o demónio também se afugenta com as suavidades das harmonias; Frei Pedro Neto, corista de ordens sacras; e Frei João da Vitória, frade leigo e do número daqueles idiotas em cuja boca imprime o Senhor dos humildes o que hão-se responder na presença dos tiranos»13.
A missa incluiu o acto do sermão, que, segundo Caminha, teve como tema a chegada dos portugueses e o achamento da terra e, embora, desconhecendo o sentido da cerimónia e muito menos o teor da mensagem pregado, os índios escutavam silenciosamente, mas com admiração. Para eles tudo isto também era novidade.Terminada a cerimónia, segundo a descrição de Caminha e dos cronistas que servem de apoio a este estudo, os índios fizeram grandes festas com danças, saltos, cânticos e trejeitos, tocando cornos e buzinas ou disparando setas para o ar em sinal de contentamento.
Importa reter o sentido da festa na cerimónia religiosa. Esta dialética entre o lúdico e o sagrado foi depois "explorada" pelos missionários que entretanto chegariam, como instrumento de evangelização, sobretudo pelo aproveitamento da música e da expressão teatral como veículos de difusão da mensagem cristã26.
Do mesmo modo é importante reflectir sobre o significado da bandeira com a Cruz de Cristo, hasteada ao lado do altar enquanto decorria a celebração litúrgica. A mesma que tinha sido entregue pelo monarca, D. Manuel, em Belém, ao capitão-mor, e que acompanhava a frota. De novo, e desta vez em terras americanas, os dois níveis se interpenetravam como corolário da política de Estado então vigente.
A segunda grande cerimónia de cunho cristão foi a chantadura da cruz, a cujo símbolo ficou ligado o nome do lugar encontrado: "Terra de Vera Cruz": «E hoje, que é sexta-feira, primeiro dia de Maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira e fomos desembarcar acima do rio contra o sul, onde nos pareceu que seria melhor chantar a cruz, para melhor ser vista. Ali assinalou o capitão o lugar onde fizessem a cova para a chantar.
Enquanto a ficaram fazendo, ele como todos nós outros fomos pela cruz abaixo do rio, onde ela estava. Trouxemo-la dali com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, à maneira de procissão.

Fonte: Instituto-camões
Maria Adelina Amorim

IMPORTÂNCIA E DIGNIDADE DAS EXÉQUIAS CRISTÃS

A liturgia cristã dos funerais é uma celebração do mistério pascal de Cristo. Nas Exéquias, a Igreja pede que os seus filhos, incorporados pelo Baptismo em Cristo morto e ressuscitado, com Ele passem da morte à vida e, devidamente purificados na alma, sejam associados aos santos e eleitos no Céu, enquanto o corpo aguarda a bem-aventurada esperança da vinda de Cristo e a ressurreição dos mortos. Por isso, a Igreja oferece pelos defuntos o Sacrifício Eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo, eleva orações e faz sufrágios por eles, para que, pela comunhão de todos os membros de Cristo, todos aproveitem os frutos desta liturgia: auxílio espiritual para os defuntos, consolação e esperança para os que choram a morte.  Ao celebrar as Exéquias dos seus irmãos, procurem os cristãos afirmar sem reservas a esperança na vida eterna, de tal modo, porém, que não pareçam ignorar ou menosprezar o modo de pensar e de proceder dos homens do seu tempo no que se refere aos defuntos. Quer se trate de tradições familiares, quer de costumes locais, quer de organizações constituídas para cuidar dos funerais, acolham de boa vontade tudo o que de bom encontrarem; mas o que de algum modo pareça contrário ao Evangelho, procurem transformá-lo, de modo que as Exéquias celebradas pelos cristãos exprimam a fé pascal e manifestem o espírito verdadeiramente evangélico.

Fonte: Ritual de Exéquias

AS BÊNÇÃOS NA VIDA DA IGREJA

Fiel à recomendação do Salvador, a Igreja participa do cálice de bênção, dando graças a Deus pelo seu dom inefável, adqui rido pela primeira vez no Mistério Pascal e em seguida comunicado a nós na Eucaristia. Efectivamente, a Igreja recebe no mistério eucarístico a graça e a virtude pelas quais se torna ela mesma uma bênção no mundo: como sacramento universal de salvação,exerce sempre entre os ho mens e em favor dos homens a obra da santifi cação e simultaneamente, unida a Cristo sua cabeça, glorifi ca o Pai no Espírito Santo. A Igreja, pelo poder do Espírito Santo, exprime de diversos modos este seu ministério e por isso instituiu diversas formas de bên ção; com elas convida os homens a louvar a Deus, anima-os a pedir a sua protecção, exorta-os a tornarem- se dignos da sua misericórdia pela santidade de vida, utiliza fórmulas de
oração para implorar os seus benefícios, a fi m de alcançar bom êxito naquilo que suplica.
A isto se destinam as bênçãos instituídas pela Igreja, sinais sensíveis que «signifi cam e realizam, cada um a seu modo, a santifi cação dos homens em Cristo» e a glorifi cação de Deus, que é o fi m para o qual se orientam todas as outras acções da Igreja As bênçãos, como sinais que se fundamentam na palavra de Deus e se celebram à luz da fé, pretendem ilustrar e devem manifestar a vida nova em Cristo, que tem a sua origem e crescimento nos sacra mentos da nova aliança instituídos pelo Senhor. Além disso, as bênçãos, que foram instituídas imitando de certo modo os sacramentos, signifi cam sempre efeitos principalmente espirituais,que se alcançam graças à súplica da Igreja. Com esta convicção, a Igreja manifesta sempre a sua solicitude para que a celebração da bênção se oriente verdadeiramente para o louvor e glorifi caçãode Deus e se ordene ao proveito espiritual do seu povo. Para que isto apareça com mais clareza, as fórmulas de bênção, segundo a antiga tradição, têm como objectivo principal glorifi car a Deus pelos seus dons,
implorar os seus benefícios e afastar do mundo o poder do Maligno. Glorificando a Deus em todas as coisas e procurando principalmente a manifestação da glória de Deus aos homens __ tanto os já renascidos como os que vão renascer pela graça __ a Igreja, cele brando as bênçãos, louva o Senhor por eles e com eles nas diversas circunstâncias da vida e invoca para eles a sua graça. Por vezes a Igreja abençoa também as coisas relacionadas com a actividade humana ou com vida litúrgica e também com a piedade e o culto,mas tendo sempre em conta os homens que utilizam essas coisas e actuam nesses lugares. Na verdade, o homem, em cujo favor Deus quis todas as coisas boas, é o receptáculo da sua sabedoria, e por isso, com a celebração da bênção, o homem pretende manifestar que utiliza de tal modo as coisas criadas que, com o seu uso, busca a Deus, ama a Deus e serve fi elmente o único Deus.

Fonte: Ritual de Benção

BEATO João Paulo II

Hoje foi beatificado o cidadão universal, João Paulo II. Soube amar e deixou-se amar por todos. Foi o grande anunciador do Kerigma a todos que pediu para que ninguém tivesse medo e abrisse as portas a Cristo! O operário, professor, que viveu em regimes de exceção em sua terra natal é para nós o sinal que em qualquer situação podemos corresponder à graça de Deus para viver a nossa vocação à santidade.

São muitos os enfoques desse homem de Deus e poderíamos discorrer sobre tantos assuntos, mas creio que, hoje, temos necessidade de refletir a importância de uma fé madura com pessoas que se convertem e se tornam discípulas missionárias anunciadoras do Cristo Ressuscitado. A misericórdia de Deus e o tempo da Páscoa, nesse dia que nos recorda toda a questão social com relação ao trabalho, sem dúvida, que necessitamos de uma fé que se traduza em atos, mas também que seja aprofundada no conhecimento e na vida.

O Beato João Paulo II tanto com seus escritos, como suas homilias e mensagens foi alguém que procurou aprofundar a fé como um bom catequista, além de tantas outras virtudes.

Quando falamos de catequistas, logo pesamos em testemunhas vivas tanto da mensagem como do próprio Cristo. Numa catequese verdadeiramente cristocêntrica, o catequista não pode ser senão uma testemunha não só em palavras, mas também em atitudes junto aos seus catequizandos. Porque a grande missão da catequese se dá mediante o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo. Assim quando dizemos ou pesamos em exemplos ou testemunhos de pessoas com relação a catequese, logo nos vêm aqueles e aquelas que trabalham junto conosco, que se doam no trabalho catequético junto a nossas comunidades, como também alguns que se destacam mais no amor e na vivência do Múnus de Ensinar da Igreja.

Na sua primeira visita ao Brasil em 1980, durante uma homilia em Porto Alegre, o Papa João Paulo II fez uma belíssima exortação aos catequistas, que é muito atual. No início de sua pregação o Romano Pontífice exorta: "Filhos diletíssimos, vim para conhecer-vos melhor, para escutar-vos, para entrar em diálogo convosco, para mostrar-vos que a Igreja está perto de vós e partilha os vossos problemas, as vossas dificuldades e sofrimentos, as vossas esperanças".

Percebemos, com esta saudação, que o Papa veio ao nosso país com um desejo muito grande de escutar o apelo do nosso povo, de conhecer melhor a Igreja no Brasil e, principalmente, dialogar, conhecendo os nossos problemas, na busca de encontrar novos caminhos. Como sucessor de Pedro, veio encorajar todos os brasileiros a permanecerem unidos na fé.

O educador na fé procura continuar a missão iniciada por Jesus guiado pelo Espírito Santo. Este serviço na Igreja é de fundamental importância. O Santo Padre valorizando o ministério dos catequistas afirma: "Que serviço mais belo que o do catequista que anuncia a Palavra divina, que se une com amor, confiança e respeito ao próprio irmão, para ajudá-lo a descobrir e realizar os desígnios providenciais de Deus sobre ele?" Eis que a missão do catequista consiste também em fomentar que as nossas comunidades sejam mais acolhedoras e catequizadoras. O catequista é um anunciador da Palavra, alguém que procura de fato vivenciá-la no dia a dia.

O testemunho do Papa João Paulo II é fundamental, pois não se pode separar a fé da vida quotidiana. O educador na fé tem uma tarefa extremamente árdua e delicada, porque a catequese não é um simples ensino, mas a transmissão de uma mensagem de vida e salvação, como jamais será possível encontrar em outras expressões do pensamento humano. Quem diz “mensagem”, diz algo mais do que doutrina.

A mensagem não se limita a expor idéias, ela exige uma resposta, pois é interpelação entre pessoas, entre aquele que propõe e aquele que responde. A mensagem é vida. Cristo anunciou a Boa Nova, a salvação e a felicidade. Por ser uma mensagem de vida, é que o Papa, todas as quartas-feiras, em audiência geral no Vaticano, catequiza o povo.

Sendo assim, diante do reconhecimento da Igreja, o Beato João Paulo II, no seu longo e profícuo pontificado, foi um Papa que foi Papa e também um grande exemplo de catequista em seu zelo e amor a Jesus Cristo e a sua Igreja; fez o que devia fazer, porém de maneira extraordinária no modo como fez e nos meios usados para isso. O Beato João Paulo II, grande catequista que foi e fez com amor e usou dos recursos que o mundo moderno lhe ofereceu, o que lhe proporcionou ser um Papa Santo e exemplo de um grande catequista, carregando em seu coração de Papa as dores e as alegrias de toda a humanidade.

Amando os seus, no caminho do amor de Jesus Cristo, soube fazer com que nos colocássemos no mesmo caminho. Não teve receio de conhecer o mundo e de ser conhecido por ele, não teve medo de abraçar e de ser abraçado, não sucumbiu à tentação de resguardar-se, mas viu e deixou-se ver, até mesmo em sua fragilidade física durante as doenças e no final de sua vida. Não esperou as pessoas, foi ao encontro delas, estreitando-as em seus braços.

Como Papa, mas também antes como fiel, catequista, padre e bispo, viveu oblativamente, fazendo de sua vida uma oferenda a Deus através do serviço à Igreja. Assim vivendo, perdendo a sua vida para retomá-la depois, tornou-se semente que morre, produzindo muitos e bons frutos que enriqueceram a Igreja e tornaram o mundo melhor e mais bonito.
A sua vida foi uma experiência “de morte”, a sua morte é uma fonte de vida. A sua existência torna-se um estímulo para vivermos a fé, a esperança e a caridade de modo novo, como servos cuja preocupação não deve ser outra senão a de fazer a Vontade do Pai, como fez Jesus Cristo, obediente até à morte e morte de cruz, e que se tornou fonte de salvação para a humanidade. Como “servo dos servos de Deus”, o Beato João Paulo II fez o que devia ter feito, foi um autêntico cristão servindo a Igreja como Papa.

Agradecemos a Deus a vida e o ministério do Papa João Paulo II, agora nosso Beato. Nós nos alegramos com a sua beatificação, associamo-nos à oração de toda a Igreja e, oxalá, esperamos que sua vida de fé, de discípulo e missionário de Jesus Cristo, seja estímulo para buscarmos, também nós, a santidade como modo fecundo de vida, respondendo positiva e propositivamente ao dom da santidade que Deus nos oferece em Jesus Cristo, morto e ressuscitado para a nossa santificação.

Assumindo a Catequese como prioridade no seu pontificado, o papa motivou nos países a elaboração de diretórios nacionais e regionais adaptando-os a cada realidade. Respondendo a esse desejo a Igreja no Brasil que busca, na Iniciação Cristã encontrar o melhor caminho para aprofundar a fé de nosso povo.

Toda a Igreja hoje expressa sua gratidão e amor ao Santo Padre, o Beato João Paulo II, pela sua doação, serviço, instrução e entrega da vida. Ele, como ninguém, soube ser presença cristã no limiar do século XXI anunciando e vivendo valores importantes para a pessoa humana. Hoje pedimos: Beato João Paulo II, roga por nós!

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Fonte: Rádio Vaticano

Kyriakós, Ekkesia, Ecclesia, Igreja

A palavra Igreja, deriva do grego Kyriakós ( que pertence ao Senhor ), serve para traduzir o termo ekkesia, utilizado pela Septuaginta para indicar Israel como o povo da Aliança com Javé.Os cristãos retomaram a tradição da Aliança veterotestamentária e consideravam-se como Igreja de Deus a comunidade da salvação escatológica.  A palavra ekkesia, tradução hebraico qahal, foi significamente conservada, tal qual, quando se passou para a língua latina (ecclesia) além de indicar Igreja Local.

Fonte: Lenzenweger,Josef
Historia da Igreja Católica
editora Loyola

A Igreja de tradição antioquena


Hoje o Apostolado traz um artigo sobre a Tradição oriental de origem antioquena,
focando-se na Liturgia (ML)”.ROMA, terça-feira, 12 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - A segunda grande tradição oriental é conhecida como antioquena ou siro-ocidental, compartilhada também pelas Igrejas Católica e Ortodoxa. Dentro da Igreja Católica, são três as agrupações pertencentes a este rito: a Igreja siro-católica, a Igreja maronita e a Igreja siro-malancar.
Esta tradição venerável procede da Antioquia, cidade que tem um lugar muito importante na história do cristianismo, como narram os Atos dos Apóstolos. Foi fundada, segundo a tradição, pelo próprio São Pedro. Lá, os seguidores de Cristo receberam pela primeira vez o nome de "cristãos".
Antioquia, chamada "Rainha do Oriente", foi uma das sedes dos quatro patriarcados originais, junto com Jerusalém, Alexandria e Roma. Foi também um grande centro teológico, monástico, cultural e litúrgico na Igreja antiga. A Igreja síria se separou da com o resto da Igreja, rejeitando o Concílio de Calcedônia (451) e adotando o monofisismo, heresia que afirma que em Cristo existe apenas uma natureza, a divina.
Posteriormente, no século VI, um bispo monofisita, Jacob Baradai, enviado secretamente pela imperatriz Teoodora, organizou e estruturou a Igreja síria ortodoxa, que desde então é conhecida também como Igreja jacobita ou siro-ocidental. Os cristãos sírios que não abraçaram o monofisismo são os melquitas, de quem falaremos no capítulo sobre a Igreja bizantina, já que abandonaram o rito siríaco. Outros cristãos que conservaram o rito siríaco, mas permaneceram católicos, são os maronitas, de quem trataremos mais adiante. Segundo explica o especialista Juan Nadal Cañellas, o monofisismo da Igreja síria foi mais uma questão política, para atender os persas frente ao império bizantino. No entanto, nunca desembocou em proclamações heterodoxas, senão que nunca houve um cisma real no conteúdo da fé.
De fato, afirma, não foi difícil chegar a uma declaração comum, em 1984, entre o patriarca ortodoxo sírio, Ignace Zakka Ivas, e João Paulo II, na qual ambos afirmam que os "mal-entendidos e os cismas que vieram depois do Concílio de Niceia (...) não tocam o conteúdo da fé".
Ao longo dos séculos, a Igreja síria sofreu muitas perseguições, nas mãos dos bizantinos, dos árabes, dos mongóis e, finalmente, do império otomano. Este - além da emigração - é o motivo pelo qual o número de fiéis sírios é muito pequeno. A liturgia antioquena é muito antiga, ainda que tenha muita influência bizantina. Entre outras características, são proclamadas 6 leituras (3 do Antigo e 3 do Novo Testamento); o ósculo da paz é colocado antes da consagração; a liturgia eucarística está repleta de gestos simbólicos; o Batismo é por imersão.

Igreja Católica síria

Durante a época das cruzadas, os cristãos jacobitas mantiveram boas relações com os católicos romanos e, inclusive no Concílio de Florença (1442), apresentou-se uma volta à comunhão com Roma, mas sem êxito.
Em 1656, conseguiu-se criar a primeira hierarquia reconhecida por Roma, ao ser eleito como patriarca o jacobita convertido ao catolicismo, Abdul Ahijan. No entanto, a linha hierárquica unida a Roma se interrompeu em várias ocasiões. Em 1782, o Santo Sínodo Ortodoxo Sírio elegeu o metropolitano Miguel Jarweh como patriarca, quem se declarou católico e teve de refugiar-se no Líbano, fugindo dos ortodoxos, que elegeram outro patriarca. Com Jarweh, explica o especialista do sínodo, Pier Giorgio Gianazza, restabeleceu-se até hoje a hierarquia siro-ocidental católica. O patriarca de Antioquia dos Sírios atualmente é Ignace Youssef III Younan, e os fiéis são cerca de 120 mil. A sede está em Beirute e sua liturgia é praticamente igual, exceto pequenos detalhes, à dos sírios ortodoxos.

Igreja maronita

Em meio às disputas cristológicas da Calcedônia, no século V, houve um monge sírio com fama de santidade, Maron, que permaneceu unido a Roma. Seus seguidores, devido às perseguições dos monofisitas, tiveram de retirar-se às montanhas do Líbano. Esta Igreja permaneceu oculta até a chegada dos cruzados no século XII, segundo explica Nadal Cañellas. A Igreja de Roma a reconheceu sem problemas e seus representantes já participaram do Concílio Lateranense IV. Trata-se, portanto, da única Igreja oriental que permaneceu desde sempre fiel a Roma. Devido a isso, lamenta Nadal, seu rito está muito latinizado. Conta com cerca de 3,5 milhões de fiéis, segundo os dados da última edição do Anuário Pontifício da Igreja.
Sua cabeça atual é Pedro Sfeir de Reyfoun, com o nome de patriarca de Antioquia dos maronitas, e tem sua sede de Bkerke (Líbano). Devido à emigração, têm importantes comunidades nos Estados Unidos, México, Brasil, Canadá, Austrália e Argentina.

 Igreja siro-malancar católica.

Como vimos anteriormente na Igreja caldeia, os siro-orientais evangelizaram, durante os séculos VII a XIII, grande parte da Ásia Central. Daquela evangelização surgiu a Igreja siro-malabar, que, séculos mais tarde, com a chegada dos portugueses, passou a depender de Roma. No entanto, segundo explica Nadal, em 1665, aproveitando certo vazio de poder deixado pelos portugueses, e com o desejo de preservar seu próprio rito, o arquidiácono Tomás Parambil e muitos seguidores romperam com Roma e passaram a obedecer o patriarca ortodoxo siro-ocidental. Criou-se assim a Igreja malancar ortodoxa. No entanto, em 1930, uma parte da Igreja siro-malancar ortodoxa voltou novamente a obedecer Roma.
Esta Igreja malancar católica é presidida pelo arquieparca maior de Trivandrum, chamado de maneira informal de Catolicós, Baselios Cleemis Thottunkal. A sede está em Trivandrum (ou Thiruvananthapuram), no estado indiano de Kerala. São cerca de 340 mil fiéis.


Catolicismo: 60 anos do bom combate em defesa da civilização cristã.

Em janeiro de 1951, Catolicismo explicitava na primeira página do seu primeiro número a Cruzada do Século XX, em artigo de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira, inspirador e principal colaborador da nossa publicação. No curso desses 60 anos de existência, sempre procuramos ser inteiramente fiéis ao programa delineado no memorável artigo, que se tornou o nosso ideário.*
Atalaia em prol da Igreja e da civilização cristã e paladino das verdades esquecidas, é o que pretende Catolicismo ter como sua missão no conjunto de órgãos da imprensa católica. Sendo católicos seus colaboradores, têm todos muito presente a orientação expressa pelo Papa Pio XI quando, em 26 de janeiro de 1923, sintetizou na encíclica Rerum omnium o papel dos jornalistas católicos:
“O exemplo do Santo Doutor [São Francisco de Sales] lhes traça claramente sua linha de conduta: estudar com o maior cuidado a doutrina católica e possuí-la na medida das próprias forças; evitar que seja alterada a verdade, atenuá-la ou dissimulá-la, sob pretexto de não ferir os adversários; cuidar da forma e da beleza do estilo, realçar e ornar as idéias com o brilho da linguagem, de modo a tornar a verdade atraente ao leitor; quando um ataque se impõe, saber refutar os erros e se opor à malícia dos artífices do mal, de maneira a sempre mostrar que se está animado de intenções retas, e que se age antes de tudo em um sentimento de caridade”.
Caminha esta posição em inteira coerência com o que determinou nosso Divino Mestre: “Que o vosso sim seja sim, e o vosso não, não” (Mt 5, 37). Como podem atestar nossos leitores, Catolicismo sempre procurou não atenuar a verdade a fim de ser bem aceito, ou de não melindrar eventuais adversários.
Como pretendemos defender a doutrina católica, temos o dever de nos opor aos erros contrários à lídima doutrina da Igreja, consubstanciada em suas verdades claras e cristalinas. Nisto agimos segundo o lema de São Pio X: Restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo — meta à qual nos dedicamos. Renovando este propósito no 60º aniversário de nossa publicação, somos muito agradecidos à Santíssima Virgem por sua maternal e generosa proteção, que sempre tivemos e pedimos que Ela continue a nos conceder.

Há meio-século: Congresso Latino-americano de Catolicismo.

Na presente edição, não poderíamos deixar de mencionar ainda outra grande data de nossa história, que é também um marco na irradiação do pensamento contra-revolucionário nas Américas: 50 anos do Congresso Latino-americano de Catolicismo.
Dez anos após o aparecimento de Catolicismo em janeiro de 1951 (ainda em formato de jornal), sua rápida difusão junto aos católicos de pensamento tradicional — dentre os quais se destacavam, por todo o Brasil, congregados marianos e antigos leitores do semanário Legionário, que fora dirigido pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira — havia angariado e congregado muitos admiradores e propagandistas, em trabalho que se dera ao longo dos anos.
Uma primeira reunião desses colaboradores se realizara quando Catolicismo tinha apenas dois anos de publicação, e a iniciativa foi repetida com êxito no ano imediato, consolidando-se nos anos seguintes, sempre no mês de janeiro. Eram dias de estudos com a duração de uma semana, e com número crescente de participantes. Em 1959, na VII Semana de Estudos, esse número chegara a 180.
Pari passu foram se estabelecendo Agências de notícias que congregavam os propagandistas, criadas nas cidades mais importantes do País. Circunstâncias de momento determinaram a não realização do encontro em 1960, entretanto tudo foi disposto para sua retomada no ano seguinte, quando se realizaria a VIII Semana de Estudos. Esse intervalo acarretou grande expectativa acerca do evento. Ao mesmo tempo, os contatos estabelecidos por Catolicismo com pessoas de idéias afins na América Latina ocasionaram grande número de inscrições do exterior.

Fonte: Revista Catolicismo

Lino, papa ~ 30 - 76

Segundo papa apostólico da Igreja Cristã de Roma (67-76) nascido em Volterra, na Etrúria, que segundo a tradição foi indicado como sucessor pelo primeiro papa, Pedro, antes de sua crucificação, de quem pessoalmente recebeu o poder das chaves para guiar o rebanho de Cristo. Depois que os apóstolos Pedro e Paulo tinham fundado e organizado a Igreja em Roma, passaram o exercício do escritório episcopal para ele. Grande colaborador de Pedro, recebeu a missão de pregar na Gália e levar a luz da fé às nações pagãs do norte romano e estabeleceu-se em Beçanson, capital de Franco Condado. Com apoio do tribuno Onósio, principal magistrado que tinha por missão lutar pelas causas do povo, transformou-se em um importante homem público e líder influente junto à população. Seu intenso esforço para afastar o povo da idolatria, da feitiçaria e da adoração de deuses pagãos, fez com que fosse açoitado e forçado a sair da cidade pelos líderes pagãos. Ferido e abandonado, retornou para Roma, onde permaneceu até ser escolhido como sucessor de São Pedro. , porém as sementes do cristianismo que deixou na região germinaram com vigor irreversível e ele passaria a ser venerado pelo povo, tempos depois. Como papa testemunhou a queda de alguns imperadores romanos e a destruição de Jerusalém. Combateu firmemente a feitiçaria e os falsos missionários que tentavam adulterar a doutrina cristã. Consta que sagrou 15 bispos e 18 sacerdotes em duas ordenações coletivas, transmitindo-lhes os poderes apostólicos do clero católico nascente e retransmitindo-lhes os ensinamentos cristãos deixados por seu criador, Jesus Cristo, a seus outros apóstolos. Prescreveu diversas normas fundamentais, decretando por exemplo, que as mulheres, para entrarem na igreja, deveriam cobrir a cabeça com véu.  Segunda a tradição, pressionado pelos sacerdotes dos falsos ídolos e acovardado, o cônsul Satunino ordenou sua decapitação, mesmo sabendo que ele tinha curado sua própria filha, considerada endemoninhada. Foi sepultado no hoje Vaticano, e seu corpo encontra-se ao lado do príncipe dos apóstolos, Pedro, tendo a Igreja o incluído no catálogo dos Santos Mártires. Foi sucedido pelo papa de número 3, Anacleto, também chamado Cleto (76-88) e, canonizado (1615), tem sua festa votiva comemorado no dia 23 de setembro. Seu nome aparece mencionado na Bíblia Católica, no texto da Epístola de São Paulo para Timótio (4:21).

Fonte: Só Biografia

Pedro Apóstolo ~ 10 a. C. - 67

Inicialmente um pobre pescador da Galiléia nascido em Betsaida, às margens do rio Jordão, junto ao lago de Genesaré, que se tornou discípulo de Jesus, conhecido como o Príncipe dos Apóstolos, e tido como fundador da Igreja Cristã em Roma e considerado pela Igreja Católica como seu primeiro Papa (42-67). Ignora-se a precisa data de seu nascimento e as principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas, da tribo de Neftali, e irmão do apóstolo André, seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc 4,38-39). Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus, em Betânia, por seu irmão que já era discípulo de São João Batista e lá tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de São João. No primeiro encontro Jesus o chamou de Cefas, que significava pedra, em aramaico, determinando, assim, ser ele o apóstolo escolhido para liderar os primeiros propagadores da fé cristã pelo mundo. Jesus, além de muda-lhe o nome, o escolheu como chefe da cristandade aqui na terra: "E eu te digo: Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus" (Mt. 16: 18-19). Convertido, despontou como líder dos doze apóstolos, foi o primeiro a perceber em Jesus o filho de Deus. Junto com seu irmão e os irmãos Tiago e João Evangelista, fez parte do círculo íntimo de Jesus entre os doze, participando dos mais importante milagres do Mestre sobre a terra. Teve, também, seus momentos controvertidos, como quando usou a espada para defender Jesus e na passagem da tripla negação, e de consagração, pois foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar. Após a Ascensão, presidiu a assembléia dos apóstolos que escolheu Matias para substituir Judas Iscariotes, fez seu primeiro sermão no dia de Pentecostes e peregrinou por várias cidades. Fundou as linhas apostólicas de Antioquia e Síria (as mais antigas sucessões do Cristianismo, precedendo as de Roma em vários anos) que sobrevivem em várias ortodoxias Sírias. Encontrou-se com São Paulo, em Jerusalém, e apoiou a iniciativa deste, Paulo de Tarso, de incluir os não judeus na fé cristã, sem obrigá-los a participarem dos rituais de iniciação judaica. Após esse encontro, foi preso por ordem do rei Agripa I, encaminhado à Roma durante o reinado de Nero, onde passou a viver. Ali fundou e presidiu à comunidade cristã, base da Igreja Católica Romana, e, por isso, segundo a tradição, foi executado por ordem de Nero. Conta-se, também, que pediu aos carrascos para ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo Salvador. Seu túmulo se encontra sob a catedral de S. Pedro, no Vaticano, e é autenticado por muitos historiadores. É festejado no dia 29 de junho, um dia de importantes manifestações folclóricas, principalmente no Nordeste brasileiro.


Fonte: Só Biografias

A primeira vez que aparece o nome Cristão

Atos dos Apostolos 11, 19-25

Uma nova Igreja em Antioquia -* 19 Aqueles que se haviam espalhado por causa da tribulação que se seguiu à morte de Estêvão, chegaram à Fenícia, à ilha de Chipre e à cidade de Antioquia, embora não
pregassem a Palavra a ninguém que não fosse judeu. 20 Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também para os gregos, anunciando-lhes a Boa Notícia do Senhor Jesus. 21 A mão do Senhor estava com eles, de modo que foi grande o número dos que acreditaram e se converteram ao Senhor. 22 A notícia chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e esta enviou Barnabé para Antioquia. 23 Quando Barnabé chegou e viu a graça de Deus, ficou muito contente e os animou a permanecerem de todo o coração ligadas ao Senhor. 24 Barnabé era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma considerável multidão se uniu ao Senhor. 25 Barnabé foi, então, para Tarso em busca de Saulo. 26 E o encontrou e levou para Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos nessa igreja, e instruíram muita gente. Foi em Antioquia que, os discípulos receberam pela primeira vez, o nome de «cristãos.»





Fonte: Bíblia Sagrada