Um caráter prático é o objetivo desta obra: defender o "depósito da fé" contra os heréticos (sobretudo gnósticos), e expor com clareza aos fiéis o "cânon imutável da verdade". Nem preocupação científica, nem artística, mas como ele mesmo dizia: "Tu não procurarás junto a nós -que vivemos entre os celtas, e que usamos costumeiramente a bárbara língua deles -nem a arte da palavra -que nunca aprendemos -, nem o vigor do estilo -que não procuramos; mas o que, de forma simples, clara e pura, foi escrito para ti com amor, tu com amor o acolherás, e desenvolverás por ti mesmo, pois que és um dos mais capazes entre nós -a quem te demos, por assim dizer, o germen e os princípios"
(Adv. haer., I, Introdução, 3).
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - INTRODUÇÃO
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PARTE I (A)
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PARTE I (B-I)
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PRÓLOGO
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PARTE II
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PARTE II (A)
CONTRA AS HERESIAS - LIVRO I - PARTE II (B)
Fonte: Santo Irineu/Veritatis
As origens do Episcopado e ministério Episcopal na Igreja primitiva
Antecedentes Pré-cristãos : a) judaico b) gentílico
O termo “bispo” vem do grego “epi” (super) e “skopos” (ver) e é, literalmente, supervisor ou superintendente ou ainda inspetor ( no latim medieval, “especulador”). Tentativas foram feitas para encontrar protótipos do “bispo” cristão nos antecedentes judaicos ou gentílico do cristianismo. Consideremos, primeiro, o antecedente judaico, no ofício do regente da sinagoga, que presidia o culto e selecionava os que tomavam parte em suas liturgias. Na versão LXX, versão grega do Antigo Testamento (Jó 20.29; Sabedoria de Salomão 1.6) como também freqüentemente em Filon, judeu helenizado de Alexandria, o termo episkopos é usado com referência a Deus, mas também em número de exemplos refere-se a “supervisor” comum, todavia, nunca a respeito das pessoas com funções litúrgicas.
Filon deu esse título uma só vez a Moisés. No primeiro livro de Macabeus o termo é aplicado aos supervisores colocados sobre os judeus por Antíoco Epifânio para implementar sua política religiosa.Mais recentemente as descobertas dos manuscritos de Qumrã perto do Mar Morto, aventaram novamente a origem judaica de tal ofício conhecido pelo termo hebraico, “mebbaqer”. O Documento de Damasco descreve tal supervisor ou inspetor de campo, que ensinou as obras de Deus aos membros da comunidade da aliança, cuidou deles como “ um pastor cuida do seu rebanho” e supervisou a admissão de novos membros, a disciplina dos transgressores e todas as transações financeiras. Semelhantemente, no Manual de Disciplina de Qumrã, a mesma espécie de ofício aparece comparável à do “mordomo” da comunidade dos essênios observado por Josefo.
Não se pode determinar com certeza se há ou não relação direta entre o supervisor dessas comunidades e o ofício do bispo na Igreja primitiva. Todavia, tudo parece indicar que o “mebaqqer” dos documentos do Mar Morto é muito mais “monárquico”do que o “episkopos” dos textos do Novo Testamento e, por essa razão, e não por outra, a conexão parece remota.Quaisquer relações possíveis com o antecedente gentílico são ainda mais remotas do que com o judaico. O termo “episkopos” é razoavelmente comum na literatura grega, nos papiros e inscrições, tanto em seu sentido geral - “supervisão” - como termo técnico para designar os oficiais civis e religiosos. Nas obras de Homero e outros depois dele o termo é aplicado aos deuses. Os filósofos estóicos fizeram o uso da expressão para descrever sua própria missão como mensageiros e arautos dos deuses.As inscrições sírias registram “episkopoi” como supervisores de edifícios, abastecimentos, cunhagem e associações cúlticas da Grécia. Nas Ilhas do Mar Egeu o termo é registrado com referência aos diretores e caixas. Deve-se dizer, em conclusão, nesta seção que a evidência pré-cristã tanto judaica quanto gentílica, embora esclarecedora, não é determinante para a compreensão da Igreja primitiva. Para ler o texto completo, clique aqui
Fonte: Rev. Cônego J. Robert Wright
Professor de História Eclesiástica
da Catedral de S.João Teólogo, Nova York.
História do diaconado (ou: figuras históricas do diaconado)
Podem-se distinguir quatro grandes épocas na história do diaconado: a Igreja pré-nicena, a Igreja sob a paz constantiniana até Gregório Magno, a Igreja a partir da alta Idade Média, a Igreja pós-Vaticano II, embora dentro de cada uma das épocas seja possível distinguir fases diferente. Em parte essa história não é do diaconado em si, mas de sua vivência e concepção na Igreja Latina, onde ele, a partir da alta Idade Média, acaba por extinguir-se como ordem autônoma, precisando ser restaurado como tal no Vaticano II, numa obra que apenas começou. Por isso, a quarta época é, em verdade, mais um desiderato que uma realidade.
Nas Escrituras cristãs 1Tm 3,8.12 é o único texto que fala seguramente dos diáconos2. A menção de Fl. 1,1 é discutível. Poderia tratar-se simplesmente dos encarregados da coleta de dons para o apóstolo ou para a Igreja de Jerusalém. Ou seriam epíscopos e diáconos as mesmas pessoas, nomeadas uma vez por título outra por função? A pergunta tem sua razão, pois Policarpo, ao escrever em meados do séc. II, sua carta aos filipenses, não sabe da existência de epíscopos na Igreja de Filipos. Os Sete de At 6,1-6 não são diáconos, embora desde a antiguidade sejam identificados como tais3. Os Padres estabeleceram essa identidade baseados na divisão de trabalho discriminada como razão da instituição dos Sete: os apóstolos entregam a eles a diaconia assistencial e reservam para si o ministério da Palavra. Para ler o texto completo, clique aqui
b) O apogeu do diaconado (séc. IV-VI)
c) O declínio do diaconado
d) A restauração do diaconado pelo Concílio Vaticano II
Nas Escrituras cristãs 1Tm 3,8.12 é o único texto que fala seguramente dos diáconos2. A menção de Fl. 1,1 é discutível. Poderia tratar-se simplesmente dos encarregados da coleta de dons para o apóstolo ou para a Igreja de Jerusalém. Ou seriam epíscopos e diáconos as mesmas pessoas, nomeadas uma vez por título outra por função? A pergunta tem sua razão, pois Policarpo, ao escrever em meados do séc. II, sua carta aos filipenses, não sabe da existência de epíscopos na Igreja de Filipos. Os Sete de At 6,1-6 não são diáconos, embora desde a antiguidade sejam identificados como tais3. Os Padres estabeleceram essa identidade baseados na divisão de trabalho discriminada como razão da instituição dos Sete: os apóstolos entregam a eles a diaconia assistencial e reservam para si o ministério da Palavra. Para ler o texto completo, clique aqui
a) A ascensão do diaconado (séc. I-III)
b) O apogeu do diaconado (séc. IV-VI)
c) O declínio do diaconado
d) A restauração do diaconado pelo Concílio Vaticano II
Fonte: Francisco Taborda S.J.
A construção da imagem do Mártir na obra Apologeticum de Tertuliano
TERTULIANO: UMA ANÁLISE DO MARTIRIO NOS PRIMEIROS
SECULOS DO CRISTIANISMO.
Palavras- chave: Tertuliano, Cristianismo,Apologética, Martírio.
SECULOS DO CRISTIANISMO.
O Martírio é com certeza um dos acontecimentos mais relevantes da história do cristianismo. Vários apologistas destacaram-se dentro do cristianismo, mas poucos da envergadura de Tertuliano. Este Teólogo-Filósofo-Historiador é responsável por toda uma perspectiva sobre o cristianismo que marcou indelevelmente a história do ocidente cristão. Não só no terceiro século, mas todos os pensadores cristãos posteriores são devedores, ao menos parcialmente, de sua perspicácia e capacidade analítica sobre o cristianismo e em especial a sua análise do martírio e sua função dentro da teologia cristã. Para ler o texto completo, clique aqui
Palavras- chave: Tertuliano, Cristianismo,Apologética, Martírio.
Fonte:
Eduardo Soares de Oliveira
O Episcopado cristão no império Romano do século IV: Práticas cotidianas e ação política
O propósito deste trabalho é colocar em foco o cotidiano dos homens que constituíram o episcopado cristão no Império Romano do século IV e que se afirmaram enquanto autoridade temporal e espiritual na sociedade da época. Com este fim, abordamos a conjuntura que influenciou na construção e legitimação dos bispos como figuras centrais da Igreja e analisamos o perfil desses clérigos, suas práticas e relações.
Para tanto, utilizamos como documentação um conjunto de fontes de origem eclesiástica, como crônicas, epístolas e sermões.O bispo é, segundo Teja, a criação mais original do mundo antigo em sua etapa final e, talvez, o que melhor caracteriza a sociedade da Antiguidade tardia. Ele é uma junção de sacerdote, político, filósofo, jurista e retórico. Este perfil pode ser explicado pela origem social de um número considerável de bispos. Como membros das aristocracias urbanas, recebiam uma formação clássica, alguns possuíam riqueza familiar e, na tarefa de dirigir a sociedade do seu tempo, somavam ao status social as prerrogativas eclesiástica[1] Vários bispos estudaram retórica e exerceram funções públicas, antes, ou mesmo depois, de serem alçados à condição de clérigos. Basílio de Cesaréia e João Crisóstomo foram alunos de Libânio – um célebre retor pagão do século IV; Agostinho de Hipona foi mestre de retórica; e Ambrósio de Milão foi retor e exerceu cargo público. Eram os homens cultos das cidades e transformaram-se nos gestores da Igreja cristã. Em princípio, a eleição do bispo era uma prerrogativa do povo. Contudo, o clero local ou os bispos da província a exerceram livremente, em diversas ocasiões. A Igreja afirmava que o bispo era eleito por um juízo de Deus, que se manifestava por meio do sufrágio do povo, e que a sua posterior validação cabia à assembléia de bispos. Segundo Fox, essa concepção garantiu ao bispo uma distinção dentre os outros poderes do mundo antigo: ele assumia uma magistratura perpétua que o fazia chefe único e vitalício de sua comunidade, uma espécie de poder sagrado e monárquico, muito similar ao doImperador.[2] Para ler o texto completo, clique aqui
Fonte: Márcia Santos LEMOS UESB
Fonte: Márcia Santos LEMOS UESB
Praça de São Pedro será totalmente restaurada no Vaticano
A praça de São Pedro, com a célebre colunata de Bernini, será totalmente restaurada para reencontrar o brilho do século 17, anunciou nesta sexta-feira (12) o jornal do Vaticano, "l'Osservatore Romano".
As obras, que já começaram em torno de uma parte da colunata barroca à esquerda da praça, devem durar 30 meses, para recuperar as cores e a beleza deste imenso conjunto em travertino, um tipo especial de calcário, informou ao jornal o diretor dos serviços técnicos da governadoria do Estado do Vaticano, Pier Carlo Cuscianna. Serão restauradas 376 colunas e pilastras, 140 estátuas, 1.200 metros de varandas e cornijas, as fontes gêmeas Clementina e Gregoriana, o obelisco egípcio no centro da praça, construída em 1586 por Sisto V. Até mesmo os lampadários, datando do século 19, em torno do obelisco passarão por reformas. Para "l'Osservatore Romano", a colunata é uma "criação artística de forte conteúdo alegórico, expressando o abraço ecumênico da Igreja Universal em todos os povos".
"Patrocinadores generosos" estão financiando estas obras importantes, declarou Cuscianna, sem revelar os nomes. As responsabilidades artística, científica e histórica dos trabalhos são de competência dos museus do Vaticano, dirigidos por Antonio Paolucci. Duas empresas italianas foram escolhidas para os trabalhos.
Fonte:
Folha de S Paulo
Vaticano aceita pedido de beatificação de freira mineira
A Congregação das Causas dos Santos do Vaticano aceitou o pedido para o início do processo beatificação de Madre Tereza do Coração de Maria, que fundou o Carmelo São José, em Minas Gerais. Ela morou em Três Pontas, na região sul do Estado, durante 43 anos. Agora, a religiosa, que morreu em 14 de novembro de 2005, pode se tornar beata. No carmelo que ela fundou em julho de 1962, moram 19 irmãs que vivem enclausuradas. As informações são da EPTV.
Veja os candidatos a santo no Brasil
O nome de batismo de Madre Tereza era Maria Luisa Resende Marques, que decidiu seguir a vida religiosa entrando para a Congregação das Carmelitas aos 21 anos de idade. Além dela, outros quatros religiosos estão com o processo de beatificação em andamento no sul de Minas Gerais: Monsenhor Alderije (Santa Rita de Caldas), Padre Vítor (Três Pontas), Nhá Chica (Baependi) e Irmã Carmelita Madre Maria Imaculada (Pouso Alegre).
Fonte:
Notícias Terra
Veja os candidatos a santo no Brasil
O nome de batismo de Madre Tereza era Maria Luisa Resende Marques, que decidiu seguir a vida religiosa entrando para a Congregação das Carmelitas aos 21 anos de idade. Além dela, outros quatros religiosos estão com o processo de beatificação em andamento no sul de Minas Gerais: Monsenhor Alderije (Santa Rita de Caldas), Padre Vítor (Três Pontas), Nhá Chica (Baependi) e Irmã Carmelita Madre Maria Imaculada (Pouso Alegre).
Fonte:
Notícias Terra
O túmulo do Apóstolo São Filipe
Francesco D’Andria lidera a equipa de arqueólogos na cidade de Denizli, onde se encontra a antiga cidade de Hierápolis, na região de Pamukkale. Esta é conhecida também por “cidade sagrada” e é atualmente considerada Património Mundial da Unesco, famosa pelas suas águas termais, rochas sedimentares e a pedra calcária branca que lhe dá o epíteto de “castelo de algodão”.
O arqueólogo comunicou à agência Anatólia que durante as escavações foi encontrado um túmulo onde tinha gravado o nome de São Filipe, nome este que é mencionado na Biblia como sendo um dos doze apóstolos de Jesus.
Os arqueólogos estão já “há vários anos a trabalhar em escavações para encontrar o túmulo desta figura bíblica, e finalmente conseguiram encontrar o monumento, enquanto escavavam nas ruínas de uma igreja da antiga cidade de Hierápolis”, sublinhou Francesco D’Andria à agência noticiosa.
D’Andria disse ainda que a estrutura e as escrituras no túmulo, são prova que pertenceu ao apóstolo São Filipe, que é reconhecido como um dos mártires na história do Cristianismo. Os arqueólogos não anunciaram para quando será a abertura do túmulo sagrado.
O arqueólogo italiano referiu ainda que o “túmulo é um grande desenvolvimento no mundo da arqueologia e do Cristianismo”. É esperado que aquela região oeste da Turquia, Pamukkale se torne um dos lugares de peregrinação no mapa cristão.
São Filipe venerado por várias religiões
São Filipe é originário da Galileia, atual Israel, e foi um dos discípulos de Jesus, tendo viajado para evangelizar as regiões da Ásia Menor. Segundo documentos e testemunhos históricos, o apóstolo terá morrido lapidado e crucificado pelos romanos na antiga cidade de Hierápolis, nos anos 80 d.c..
Após a sua morte, um túmulo octogonal, intitulado “O Martírio”, foi edificado em sua memória naquela cidade. Nos dias de hoje, São Filipe é venerado tanto por católicos, evangélicos, anglicanos, ortodoxos, coptas e arménios.
Fonte:
Boas Notícias
EDITH STEIN: MÁRTIR DO NAZISMO
A Igreja celebra, nesta terça-feira, a festa litúrgica de Santa Teresa Benedita da Cruz, no século, Edith Stein, co-padroeira da Europa. Filósofa judia alemã converteu-se ao cristianismo em 1921, após ter lido a autobiografia de Santa Teresa d'Avlia. Morreu em 1942 em Auschwitz, junto à irmã Rosa.
Mais vezes Bento XVI deteve-se, em suas catequeses, sobre essa extraordinária figura de mártir. Foram comoventes as palavras que o Papa pronunciou sobre a co-padroeira da Europa, por ocasião da visita ao campo de concentração nazista de Auschwitz, em maio de 2006.
No "horror da noite" da II Guerra Mundial, jamais perdeu de vista "a esperança, o Deus da vida e do amor". Edith Stein é uma mártir do nosso tempo, ressalta Bento XVI. Mártir porque seguiu o Senhor até o fim, e assim venceu o ódio e a violência.
Edith Stein, refugiada num convento carmelita na Holanda, teve a possibilidade de fugir da fúria nazista, mas não quis trair o seu povo: mesmo convertida ao catolicismo, sentiu-se filha de Israel e quis partilhar o seu destino até o fim.
Por isso, na memorável e comovente visita a Auschwitz, o Papa, filho da Alemanha, se deteve, justamente, sobre o testemunho de Edith Stein:
"Como cristã e judia, ela aceitou morrer junto com o seu povo e por ele. Os alemães, que então foram trazidos a Auschwitz-Birkenau e aqui morreram, eram vistos como o opróbrio da nação. Agora, porém, nós os reconhecemos com gratidão como as testemunhas da verdade e do bem, que também em nosso povo não haviam desaparecido. Agradecemos a essas pessoas porque não se submeteram ao poder do mal e agora se encontram diante de nós como luzes numa noite escura." (Auschwitz, 28 de maio de 2006)
Como filósofa, aluna de Husserl, Edith Stein sempre esteve em busca da verdade. E a encontrou na Cruz e compreendeu que a verdade é uma Pessoa: Jesus Cristo. Somente tomando a Cruz podemos acolher a vontade do Senhor, mesmo diante dos sofrimentos mais terríveis – foi o seu ensinamento. "Quanto mais se faz trevas em torno a nós – dizia Edith Stein –, mais devemos abrir o coração à luz que vem do alto":
"A santa carmelita Edith Stein testemunhou-nos isso num tempo de perseguição. Assim escrevia do Carmelo de Colônia, em 1938: "Hoje entendo... o que significa ser esposa do Senhor no sinal da cruz, embora jamais se possa compreender isso totalmente, vez que é um mistério..." (Angelus, 20 de junho de 2010)
Edith Stein, como São Maximiliano Maria Kolbe – também ele vítima do horror nazista –, revelam-nos qual é a lógica do martírio: a morte de Jesus, o "seu sacrifício supremo de amor":
"É a lógica do grão de trigo que morre para germinar e dar vida (cfr. Jo 12,24). Jesus é o grão de trigo vindo de Deus, o grão de trigo divino, que se deixa cair na terra, que perece, que morre e, justamente por isso, se abre e assim pode dar fruto na vastidão do mundo." (Audiência Geral, 11 de agosto de 2011)
"Se lermos a vida dos mártires – observou o Papa, justamente pensando em figuras como Edith Stein e Maximiliano Maria Kolbe – ficaremos surpresos com a serenidade e a coragem deles ao enfrentar o sofrimento e a morte." A graça de Deus "não suprime ou sufoca a liberdade de quem enfrenta o martírio, mas, pelo contrário, a enriquece e a exalta" – reitera Bento XVI:
"O mártir é uma pessoa sumamente livre, livre em relação aos poderes do mundo. Uma pessoa livre que num único ato definitivo doa a Deus toda a sua vida, e num supremo ato de fé, de esperança e de caridade, se abandona nas mãos de seu Criador e Redentor; sacrifica a sua vida para ser associado num modo total ao Sacrifício de Cristo na Cruz. Numa palavra: o martírio é um grande ato de amor em resposta ao imenso amor de Deus." (Audiência Geral, 11 de agosto de 2010) (RL)
Fonte:
Rádio Vaticano
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Fonte:
Ecclesia
A Divina Liturgia de São João Crisóstomo
I– Preparação do Sacerdote
II– A Proskomídia
I– Ritos Iniciais
II– Prelúdio
III– Pequena Entrada
IV– Liturgia da Palavra
V– Preces por toda a Igreja
I– Orações pelos Fiéis
II– A Grande Entrada
III– Rito dos Santos Dons
IV– Abraço da Paz
V– Símbolo da Fé
VI– Anáfora
VII– Ação de Graças
VIII– Preces de Intercessão pelos Santos
IX– Preparação para a Comunhão
X– Ritos de Comunhão
XI– Ação de Graças
XII– Ritos Finais
XIII– Distribuição do Antídoron
Fonte:
Ecclesia
Rito Ortodoxo: Explicação da Divina Liturgia
"Liturgia", termo já incorporado à língua portuguesa, é palavra de origem grega, e significa, de forma mais literal, "serviço prestado ao povo" ou "serviço prestado para o bem comum", e poderia ser entendida, modernamente, como "ação geral".
De termo estritamente civil, passou, com o decorrer dos tempos, à terminologia própria da Igreja Cristã, vindo a designar, no Oriente cristão, especialmente a celebração da Santa Missa, daí, para nós, a celebração da Eucaristia ser a Liturgia por excelência, ou melhor, a Divina Liturgia. De celebrações mais simples em seus primórdios, nos tempos apostólicos, a forma da celebração foi, aos poucos, se desenvolvendo, até atingir o ápice no Império Bizantino, com a liberdade de culto que a Igreja passou a ter inicialmente (no ano 313), e, posteriormente, como a liturgia da Igreja oficial do império (ano 380), período em que sofreu influência da corte bizantina. E foi essa liturgia da capital imperial, Constantinopla, que, num processo de unificação, passou a ser praticada em todas as Igrejas do império.
Tal Liturgia, com fórmula sistematizada, foi obra de São Basílio, o Grande (329-379) Arcebispo de Cesaréia da Capadócia, que fez um trabalho de revisão da liturgia celebrada em Jerusalém e Antioquia, creditada ao apóstolo São Tiago.
Essa Liturgia de São Basílio foi, depois, revisada e abreviada, especialmente nas orações feitas em particular pelos Sacerdotes, por São João "Crisóstomo" ("boca de ouro" - 347-407), Arcebispo de Constantinopla, daí ser conhecida, até nossos dias, como "A Divina Liturgia de São João Crisóstomo".
Foi essa Liturgia de Constantinopla, ou bizantina, como é mais conhecida (Bizâncio era o primitivo nome de Constantinopla), com seus ulteriores desenvolvimentos e acréscimos, adotada pelo conjunto das Igrejas Ortodoxas, que, sem mudanças substanciais, chegou até nós, como parte de todo um tesouro de fé.
Conservamos, outrossim, também, a Liturgia de São Basílio, celebrada dez vezes ao ano, nas seguintes ocasiões: na festa de São Basílio (1º de janeiro), nos domingos da Quaresma (mas não no Domingo de Ramos), nas vésperas do Natal e Epifania, na Quinta-feira Santa e no Sábado Santo. Há, ainda, na Ortodoxa, a Liturgia dos Pré-Santificados ou dos Dons Pré-Santificados, atribuída a São Gregório "Diálogo" (540-604), Bispo de Roma, que é um rito de comunhão para as quartas-feiras e sextas-feiras da Quaresma, assim chamada por não haver nela a oração de santificação (consagração) das ofertas ou dons, e se dar a comunhão aos fiéis com os dons pré-santificados, ou seja, santificados na Divina Liturgia do domingo precedente.
Divisões da Divina Liturgia
I- Preparação, Prótese ou Proscomidia, ou seja, a preparação das oferendas (pão e vinho) ou matéria do Sacrifício Eucarístico, feita pelos Sacerdotes durante a oração do Orthros (Matinas), a qual se encerra com a Grande Doxologia; antes que se cante "Bendito seja o Reino do Pai...");II- Liturgia dos Catecúmenos ou Liturgia da Palavra, único parte da celebração eucarística da qual, nos primórdios da Igreja, os que se preparavam para receber o Santo Batismo (catecúmenos) podiam participar; vai da invocação da Santíssima Trindade ("Bendito seja o Reino do Pai...") até a leitura do Santo Evangelho, e o sermão, que se fazia, então, logo após a leitura do Evangelho;
III- Liturgia dos Fiéis ou Liturgia Eucarística, da qual só os já batizados participavam. Esta parte compreende desde o Hino Querúbico até o final da Santa Missa.
Devemos nos lembrar que a Divina Liturgia, antes de mais nada e acima de tudo, é a celebração da Eucaristia: memorial, ação de graças e sacrifício, revivendo os mistérios da Redenção, e que esta é uma celebração instituída e ordenada pelo próprio Senhor Jesus Cristo na Santa Ceia, a última Ceia, segundo suas palavras: "Tomai, comei, isto é o meu corpo... Bebei dele todos, pois este é o meu sangue da nova aliança...Fazei isto em memória de mim."
A Divina Liturgia, em seus diversos momentos de celebração de Cristo e do dom de sua própria vida em favor de todos, culminando com sua gloriosa Ressurreição, nos faz rememorar a vida do Salvador. Desta forma, podemos dividi-la em quatro partes:
A primeira, da Preparação à Procissão do Evangelho, que nos apresenta a vida "oculta" de Cristo, até seu Batismo no rio Jordão;
A segunda, da Procissão do Evangelho à Procissão das Oferendas, apresentando-nos a vida pública do Senhor, que se iniciou a partir do Batismo;
A terceira, da Procissão das Oferendas à Comunhão, que nos apresenta a "vida padecente" de Jesus, ou seja, sua Paixão e morte;
E a quarta, da Comunhão ao final da Liturgia, a nos apresentar a "vida glorioso" de Cristo, a partir de sua Ressurreição.
Não podemos esquecer que a experiência da vida litúrgica é também fonte da doutrina cristã. Na Divina Liturgia as Sagradas Escrituras e a Santa Tradição são vivificadas e apreendidas por aqueles que, de forma ativa e consciente, dela participam. Nossos textos litúrgicos - hinos, orações, benções, etc. - revelam a doutrina cristã, com os ensinamentos bíblicos e patrísticos, especialmente como os entende a Igreja Ortodoxa, tal como transmitidos pelos Santos Padres e Doutores da Igreja, durante os séculos de história do Cristianismo.
Fonte:
Igreja Ortodoxa São Nicolau
Rito bizantino
litúrgicos de Antioquia e Jerusalém, complementada pelo luxo da igreja e corte imperiais. Possui quatro ordinários para a celebração eucarística, conhecida como Divina Liturgia: Divina Liturgia de São João Crisóstomo, Divina Liturgia de São Basílio, Divina Liturgia de São Gregório Nazianzeno dos Dons Pré-Santificados e Divina Liturgia de São Tiago.
É usado na maioria das Igrejas Ortodoxas e nas seguintes igrejas católicas orientais:
Igreja Católica Ítalo-Albanesa
Igreja Católica Bizantina Macedônia
Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma
Igreja Católica Russa
Igreja Católica Rutena
Igreja Greco-Católica Eslovaca
Igreja Greco-Católica Ucraniana
Fonte:
Wipédia
É usado na maioria das Igrejas Ortodoxas e nas seguintes igrejas católicas orientais:
Igreja Católica Ítalo-Albanesa
Igreja Católica Bizantina Macedônia
Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma
Igreja Católica Russa
Igreja Católica Rutena
Igreja Greco-Católica Eslovaca
Igreja Greco-Católica Ucraniana
Fonte:
Wipédia
Basílio Magno, 2 de Janeiro
Bispos, Confessores e Doutores da Igreja (+ 379 e + 390)
São Basílio, este grande doutor da Igreja, nasceu em 330, na cidade de Cesaréia, na Capadócia, como o mais velho de quatro irmãos, dos quais três alcançaram a dignidade episcopal. De cinco irmãs, a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a Deus.
Os pais do nosso Santo, Basílio e Emélia, eram ricos e gozavam de grande estima. Criança ainda, Basílio foi acometido de grave doença, da qual a oração do pai maravilhosamente o curou. Entregue aos cuidados de sua avó, Macrina, recebeu Basílio as primeiras instruções na prática cristã. Mais tarde, começou os estudos em Cesaréia, contemplando o curso em Constantinopla onde se ligou a São Gregório Nazianzeno em íntima amizade. Quando voltou a Cesaréia, estava morto já o pai. O exemplo e as palavras animadoras da avó Macrina, confirmaram-lhe o desejo de abandonar o mundo e levar uma vida de penitência e abnegação. Neste intuito, visitou diversos eremitas no Egito, Síria, Palestina e Mesopotâmia, voltando para cesaréia com disposição ainda maior de realizar esse plano. O bispo Diânio, conferiu-lhe o leitorado. Diânio, embora fiel à Religião Católica, por umas declarações feitas nos concílios de Antioquia e Sárdica, fez com que a ortodoxia fosse posta em dúvida. Basílio, profundamente entristecido com esse fato e para não se expor e perder a fé, com grande pesar se separou do bispo, a quem dedicava grande amizade, e dirigiu-se para Ponto, onde a santa mãe e uma irmã tinham fundado um convento para donzelas cristãs.
Basílio, imitando o exemplo, tornou-se fundador de um convento para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a seu irmão, São Pedro de Sebaste. A essas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu consideravelmente o número de conventos no Ponto. Foi nesta época, em que Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa, compôs a regra da vida monástica, que até hoje é observada pelos monges da Igreja Oriental.
São Basílio assim se tornou o pai do monaquismo na Igreja Oriental.
A vida de São Basílio era regida por uma austeridade, que causava admiração a todos. Ele, fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas. Era tão magro que parecia só pele e osso. Aos 49 anos já era velho. Entretanto, fraco de corpo, era um herói de espírito.
O bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de si o santo amigo. Sucedeu-lhe no bispado Eusébio, de quem Basílio recebeu o presbiterato, com a ordem de pregar. Basílio continuou a vida austera, como se estivesse no meio dos confrades. Como, porém, a fama de santIdade e sabedoria do santo servo de Deus, começasse a incomodar e irritar ao bispo Eusébio, Basílio retirou-se para a solidão. Não podiam ficar desapercebidos os sentimentos rancorosos de Eusébio, o qual, intimado pelas reclamações e ameaças do povo, tratou de reabilitar o suposto êmulo. A insistente propaganda do Arianismo, a calamidade pública, provocada por uma grande carestia, a direção de diversos conventos de ambos os sexos, tornaram necessária e imprescindível a presença de Basílio em Cesaréia.
Os serviços que naquela ocasião prestou à população, quer como pregador, quer como confessor e esmoler, foram tantos que o próprio bispo, de desafeto que era, se lhe tornou um dedicado amigo e nada fazia, sem antes se aconselhar com Basílio.
Eusébio morreu em 370 e teve por sucessor Basílio, o qual, como arcebispo de Cesaréia, veio a ser um astro luminoso da Igreja Oriental. Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em todas as virtudes, era Basílio um baluarte fortíssimo do catolicismo contra os contínuos e rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais ardentes e poderosos se achavam nas imediações do imperador Valente, o qual, por sua vez, era adepto fanático da seita. Valente não podia de bons olhos, observar o desenvolvimento grandioso que a arquidiocese de Cesaréia tomava, sob a direção do santo pastor. Uma comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, seguiu com ordens especiais para Cesaréia, para por um paradeiro à atividade apostólica de Basílio.
O êxito dessa missão foi tão humilhante para os emissários, que maior não podia ser. Com todas as instruções de que eram portadores, com todas as lisonjas e ameaças, com todas as argumentações sutis e sofísticas, não puderam impedir que o espírito, a inteligência, a coragem e a intrepidez do santo arcebispo, se mostrassem de uma superioridade admirável. Em três audiências, para as quais convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão, clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram redondamente a derrota.
Valente, em conseqüência desse fracasso, não mais importunou os católicos. Por ocasião da festa da Epifania foi ele mesmo a Cesaréia assistir ao Santo Sacrifício celebrado por Basílio. Tão admirado ficou da majestade e esplendor da santa função que, embora não se atrevesse a receber a Santa Comunhão das mãos do arcebispo, foi com os fiéis fazer oferenda, a qual, aceita por Basílio que, por motivos de prudência, julgou conveniente dispensar, por esta vez, o rigor das leis disciplinares da Igreja. Valente caiu em si e começou a tratar os católicos com mais clemência e tolerância.
Não estavam com isto de acordo alguns palacianos, os quais lançando mão de todos os meios, conseguiram, por fim, um decreto que ordenava a expatriação de Basílio. No dia em que devia ser executada a iníqua sentença, caiu gravemente enfermo o único filho do imperador, e no estado de saúde da imperatriz se deram manifestações alarmantes de perturbações sérias. Entre dores e desesperos, dizia ela ao imperador que não havia dúvida tratar-se de um justo castigo de Deus.
Basílio foi reabilitado e com grandes honras recebido no palácio imperial. Valente prometeu ao arcebispo a educação do príncipe herdeiro na religião Católica, se lhe alcançasse Deus o restabelecimento do mesmo. De fato, o príncipe sarou, mas o imperador, não cumprindo depois a palavra, teve o desgosto de perder o filho. Recomeçaram, então, as maquinações contra Basílio. Estava lavrada a ata, que ordenava o exílio do arcebispo. Três vezes, o imperador se dispôs a dar-lhe assinatura e três vezes, quebrou-se-lhe a pena. Assustado com este fato, Valente tomou do papel e, com a mão trêmula, rasgou o documento. Nunca mais se abriu campanha contra o santo.
Modesto fez as pazes com Basílio. Um outro oficial, Eusébio, que tinha dado ordem de prisão ao bispo, retirou-a diante da atitude ameaçadora do povo, em defesa de seu pastor.
À tempestade, seguiu a bonança. Basílio pôde com tranqüilidade e paz, dedicar-se aos trabalho do apostolado. O ano de 379 trouxe-lhe a recompensa do céu. As últimas palavras que disse, foram: “Senhor, em vossas mãos restituo minha alma”. Morreu com 49 anos de idade. Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja do Oriente.
Fonte:
Aonde vais, Igreja? Leitura das novas Diretrizes Gerais da CNBB
No início da Via Appia Antica, na saída de Roma, se encontra a pequena Igreja Quo vadis, Domine ("Aonde vais, Senhor?”). Ela lembra a lenda de uma fuga e a história de uma perseguição. Segundo a lenda, o apóstolo Pedro teria fugido das perseguições do imperador Nero (54-68) e se encontrou, no perímetro da Quo-vadis-Domine, com Jesus ressuscitado. À pergunta de Pedro "Aonde vais, Senhor?”, Jesus teria respondido "vou a Roma para ser novamente crucificado”. Neste exato momento, em que o afrouxamento do espírito de pertença à Igreja Católica aponta a diferentes razões de fuga, a CNBB procurou em suas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015” (DGAE 2011) responder à pergunta: "Aonde vais, Igreja?”
1. Do objetivo geral
Para nossa reflexão sobre caminhar histórico e direção contemporânea da Igreja no Brasil pode ser fecundo comparar o objetivo da XVII Assembleia Geral da CNBB, de abril de 1979, com os objetivos das DGAE de 2008 e de 2011. O Objetivo geral de 1979 rezava:
1979Evangelizara sociedade brasileira em transformação,
a partir da opção pelos pobres,
pela libertação integral do homem,
numa crescente participação e comunhão,
visando à construção de uma sociedade fraterna,
anunciando assim o Reino definitivo.
a partir da opção pelos pobres,
pela libertação integral do homem,
numa crescente participação e comunhão,
visando à construção de uma sociedade fraterna,
anunciando assim o Reino definitivo.
Se colocarmos o novo Objetivo geral das Diretrizes de 2011 ao lado do Objetivo de 2008 e compararmos ambos com o de 1979, temos uma informação "objetiva” sobre mudanças significativas e continuidades a longo e curto prazo. Nos Objetivos de 2008 e 2011, com ênfase no discipulado missionário, percebe-se a influência de novos setores e movimentos. Estes, nos últimos anos, ganharam força na Igreja Católica, influenciaram fortemente o evento de Aparecida (2007) e se sintonizaram mais com o discurso universal, genericamente romano, do que com os contextos geográficos, onde deveriam estar enraizados: Tabela
A continuidade verbal das DGAE está na própria evangelização, na opção pelos pobres e no anúncio do Reino de Deus e da Vida. As mudanças significativas que se percebem nos Objetivos gerais de 2011 se encontram em seu cunho nitidamente introvertido. A Igreja das Diretrizes gira em torno de si mesma e perdeu, aparentemente, o horizonte da "libertação integral do homem” (1979) e da "construção de uma sociedade justa e solidária” (2008) de outros tempos. As palavras-chave, na ordem das Diretrizes de 2011 são: evangelizar, Jesus Cristo, Espírito Santo, Igreja discípula, missionária e profética (sem respaldo significativo no próprio texto das Diretrizes), Palavra de Deus, Eucaristia, (finalmente!) a opção preferencial pelos pobres, vida e Reino.
Há uma divergência sobre o ponto de partida para a evangelização: evangelizar "a partir da opção pelos pobres” (1979) ou evangelizar "a partir de Jesus Cristo” (2011) que alguns bispos consideram uma tautologia. Evangelizar a partir da realidade social ou da revelação e doutrina? O "a partir de” pode apontar para um ponto de partida geográfico-social ("a partir do lugar dos pobres”) ou para uma fonte doutrinal ("a partir de Jesus Cristo”). Não devemos confundir "lugar” com "fonte”. Para definir o uso da fonte doutrinal, precisa-se dizer antes a partir de que lugar sociogeográfico se faz uso daquela fonte. A fonte é um instrumento a serviço da causa dos pobres. "Fonte” e "lugar” apontam para níveis diferentes. Uma solução atenuante se oferece através da aproximação de Jesus Cristo aos pobres, portanto, da "fonte” ao "lugar”, como está implícito no "julgamento das nações”, de Mt 25,31-46.
O Objetivo geral das DGAE 2011 aponta para essa discussão de fundo, que é uma discussão semântica e metodológica. Ela procura esclarecer o conceito de realidade e versa sobre a aceitação da metodologia do ver, julgar, agir e da precedência do "lugar social” ante a "fonte doutrinal”.
2. Da realidade
Na 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida (2007), o papa Bento XVI assumiu essa questão e tranquilizou o ambiente, dando, aparentemente, razão a gregos e a troianos. Deve-se, antes de tudo, saber que a metodologia do ver-julgar-agir não é uma invenção da Teologia da Libertação. Trata-se de uma herança da Juventude Operária Católica (JOC), da Bélgica, assumida pelo papa João XXIII, em sua Carta Encíclica Mater et Magistra, de 1961 (MM 236). Por conseguinte, Bento XVI, em Aparecida, não teve mais a possibilidade de rejeitar a metodologia do ver, julgar, agir, mas introduziu nela acréscimos significativos.
A análise da realidade, em documentos eclesiais latino-americanos, está muito ligada ao lugar da "opção preferencial pelos pobres”. No Objetivo geral das DGAE 2011, a opção preferencial pelos pobres está no último lugar possível e seu conteúdo fica aquém da proposta de Aparecida que deu um novo peso a essa opção explicando o significado do "preferencial”, nas DGAE apenas formalmente citada (69): "Que seja preferencial implica que deva atravessar todas as nossas estruturas e prioridades pastorais” (DAp 396).
A opção pelos pobres e pelos "outros” nos coloca em meio a conflitos centrais da humanidade, conflitos que exigem discernimentos e "análise da realidade”. Discernir quer dizer distinguir entre diferentes níveis dessa realidade. Nas Diretrizes de 2011, essa realidade é descrita com certo pessimismo. As "marcas de nosso tempo”, segundo as Diretrizes, são transformações profundas. Em tempos desnorteadores (20) perdemos valores, referenciais e critérios. Tudo isso produz: relativismo, fundamentalismo, laicismo militante contra a Igreja, irracionalidade midiática, amoralismo generalizado (20). Somos dominados por leis do mercado, lucro, bens materiais, hedonismo, sucesso pessoal, individualismo. As Diretrizes acrescentam ainda como "marcas de nosso tempo”: corrupção, violência, narcotráfico, emocionalismo, sentimentalismo, utilitarismo (21 e 22).
O tópico dos "sinais dos tempos”, as Diretrizes mencionam duas vezes (24, 140), sem apontar para seu conteúdo. Quais são esses sinais dos tempos? Qual é seu significado? De fato, a Igreja das Diretrizes não soube nomear os sinais do tempo de hoje. Preocupações internas dificultam a percepção daquilo que Deus nos quer dizer através do mundo. Essa incapacidade de ver Deus atuar fora da Igreja nos faz lembrar a gigantesca coragem de João XXIII que, em sua Carta Encíclica Pacem in Terris (1963), soube ler os "fenômenos [que] caracterizam a nossa época” como "sinais dos tempos”: a emancipação da classe operária, das mulheres e dos países colonizados (cf. PT 39ss), o reconhecimento crescente dos "laços comuns da natureza” que unem a humanidade (PT 126-129) e a Declaração Universal dos Direitos do Homem (PT 142ss).
Em seu Discurso Inaugural (DI) da Conferência de Aparecida, Bento XVI sublinhou a base cristológica da opção pelos pobres. Repetidas vezes o DAp cita essa parte do DI (148, 392, 405, 505). A articulação cristológica e, em sua consequência, trinitária da opção pelos pobres faz dessa opção, e de seus desdobramentos concretos, não só imperativos pastorais irrevogáveis, mas premissa da teologia latino-americana e de sua análise da realidade. Isso nos permite escutar as perguntas de Bento XVI sobre a realidade em geral, a partir da nossa realidade latino-americana e caribenha: "O que é esta `realidade´? O que é o real? São `realidade´ só os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos?” Os sistemas marxistas e capitalistas "falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante, e por isso decisiva, que é Deus”. E o papa continua: "Só quem reconhece Deus, conhece a realidade e pode responder a ela de modo adequado e realmente humano”.
Pelo bem da verdade temos que acrescentar que não só sistemas ateístas, mas também religiões e, inclusive o cristianismo, podem responder inadequadamente aos reclamos da realidade. Em seguida temos de admitir que nessa visão da realidade se trata de uma mescla de dois níveis de realidade, de uma teológica sobreposta a uma sociológica.
Entretanto, é possível, numa teologia contextual articular os dois níveis da realidade, nos termos cristológicos de Calcedônia, sem confusão (inconfuse) e sem separação (indivise). O Cristo da fé assumiu como Jesus de Nazaré a cruz, que nos protege "da fuga para o intimismo”, como disse o papa, e de interpretações ideológicas da realidade. A análise da realidade com a premissa da opção pelos pobres, que significa "ver Deus nos rostos dos pobres”, não permite o abandono da realidade sociológica nem a sua redução aos grandes problemas econômicos, sociais e políticos. Mas, igualmente, não permite voltar a um Credo desencarnado ou a um Pai-Nosso sem pensar o "pão nosso” de toda a humanidade.
O prefixo de uma cristologia gloriosa em documentos oficiais recentes da Igreja, quase paralelo à realidade das vítimas dos sistemas e dos crucificados da história, se torna repetitivo, cansativo e distante do povo de Deus. Esse povo de Deus que, provavelmente, não se reconhece nas Diretrizes, ama Jesus e se reconhece, sobretudo, em Jesus crucificado. A Igreja precisa reaprender a falar de Jesus crucificado nos pobres. Nos DGAE 2011, a cruz aparece duas vezes (5, 69) e apenas uma vez essas Diretrizes falam do martírio (3).
3. Da estrutura
A 49ª Assembleia Geral, de 2011, considerou sumariamente "a mudança de época como maior desafio” (27). O tópico da "mudança de época” faz, no mínimo, dez anos que aparece em documentos eclesiais. Na estrutura das DGAE 2011 não somos mais confrontados com desafios do mundo, mas com cinco urgências da Igreja na ação evangelizadora, urgências que representam escolhas caseiras e reparos institucionais dos estragos que a mudança de época causa às Igrejas. Eis as cinco urgências que no IV capítulo das Diretrizes se tornam cinco "perspectivas de ação”:
(1) Igreja em estado permanente de missão;
(2) Igreja: casa de iniciação à vida cristã;
(3) Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral;
(4) Igreja: comunidade de comunidades;
(5) Igreja a serviço da vida plena para todos.
(2) Igreja: casa de iniciação à vida cristã;
(3) Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral;
(4) Igreja: comunidade de comunidades;
(5) Igreja a serviço da vida plena para todos.
Como a "opção preferencial pelos pobres” no Objetivo geral, também a verdadeira razão de ser da Igreja, estar "a serviço da vida plena para todos”, se encontra em último lugar nas perspectivas de ação. O quê é realmente urgente na Igreja? Urgente é o grito dos pobres, a dor dos excluídos, a cruz dos injustiçados! O resto são tarefas permanentes (estado permanente de missão, iniciação à vida cristã, animação bíblica, construção de comunidades). Com as urgências, os autores das DGAE não conseguem, como é a sua intenção, "ultrapassar uma pastoral de mera conservação ou manutenção para assumir uma pastoral decididamente missionária, numa atitude que, corajosa e profeticamente, [Aparecida] chamou de conversão pastoral” (DAp 370, DGAE 2011 n. 26).
Não podemos trocar desafios por urgências! E as Diretrizes admitem que as urgências elencadas nem sempre correspondam aos desafios reais (131). A urgência das DGAE 2011 aponta, como uma espécie de PAC (Programa de Aceleração dos Católicos) eclesial apenas para a velocidade, não para o caminho. Pela falta de recursos e agentes de pastoral nas periferias das nossas grandes cidades, os ministros que restam se tornaram, muitas vezes, missionários e missionárias de Fórmula 1, sobrecarregados com tarefas e distâncias. Estão "na onda” da aceleração exigida pelo mercado e agora pelas DGAE.
No conjunto das Diretrizes não falta uma cesta básica de desafios. O que falta é a devida priorização. Todos os desafios são subordinados à "mudança de época como o maior desafio a ser atualmente enfrentado” (27, cf. 26): educação na fé (40, 98), ambientes virtuais (59), mundo plural, globalizado, urbanizado e individualista (60), diversificação dos ministérios leigos, a vida dos abandonados, excluídos, ignorados em sua miséria e dor (66). As Diretrizes elencam ainda outros desafios: juventude (81), ecumenismo (82), diálogo interreligioso (83), missão ad gentes (84), testemunho de Cristo e dos valores do Reino (91), aproximação entre fé e razão (117).
Como já mencionamos, as urgências, que representam as partes centrais das DGAE (capítulo III e IV), são precedidas por uma reflexão cristológica, como ponto de partida (capítulo I), e por "Marcas de nosso tempo” (capítulo II). O capítulo V propõe a operacionalização dessas urgências nas Igrejas particulares através de "um processo de planejamento”. Para este propõe sete passos metodológicos, que as próprias DGAE nem sempre seguem.
Aos sete passos metodológicos correspondem sete perguntas: Onde estamos (1)? Onde precisamos estar (2)? Quais são as urgências pastorais (3)? O que queremos alcançar (4)? Como vamos agir (5)? O que vamos fazer (6)? Como renovar as estruturas (7)? Infelizmente, as perguntas bem feitas não podem romper o círculo de giz eclesiocêntrico previamente estabelecido.
4. Nas entrelinhas
O que não pode ser dito na praça pública, atravessa as Diretrizes nas entrelinhas. Queria destacar algumas dessas palavras quase clandestinas que permitem uma leitura mais profunda do que funcional das DGAE. Na esteira de Aparecida, as DGAE desenvolvem um guia de densa espiritualidade para o discípulo missionário universal em torno dos substantivos "alteridade” e "gratuidade”. Aparecida nos lembrou que "na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho” (DAp 31). As DGAE 2011 continuam: "As atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do discípulo missionário de todos os tempos. Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que, em Jesus Cristo, é meu irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta” (8). As DGAE, quando falam do outro como irmão e do apostolado como graça, enfatizam, em determinados enxertos, a fonte cristológica: "Gratuidade e alteridade são, portanto, modos de compreender o que há de mais decisivo em Jesus Cristo: a saída de si, rumo à humanidade [...]” (12).
Na acolhida do outro acolhemos Jesus e na acolhida de Jesus, que se fez Palavra do Pai, acolhemos o outro (cf. 50s). As diferenças nos convidam "ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha e ao intercâmbio de vida e à solidariedade” (ibd.). O intercâmbio da vida é prefigurado em Jesus e se resume nas palavras "doação”, "desprendimento” e "esvaziamento” (16). Por conseguinte, "todo relacionamento é [...] chamado a acontecer na gratuidade. À semelhança de Cristo Jesus que, saindo de si, foi ao encontro dos outros, nada esperando em troca (cf. Fl 2,5ss)” (9). O discípulo missionário "é chamado a profeticamente questionar, através de suas escolhas e atitudes, um mundo que se constrói a partir da mentalidade do lucro e do mercado” (DGAE n. 9). A gratuidade corta "a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia” (9). Ela é a "vitória sobre a ambição” (69). Num mundo dominado por lucro e mercado, por vingança e ressentimento, a acolhida gratuita do outro significa despojamento e perdão. São atitudes proféticas que fazem parte de um mundo novo, do outro mundo que é possível, do Reino de Deus no meio de nós (cf. 9s, 140).
Gratuidade e alteridade lembram o que já foi dito no documento "Evangelização e missão profética da Igreja” da 43ª Assembleia Geral, de 2005: "Evangelizar é uma ação eminentemente profética, anúncio de uma Boa-Nova portadora de esperança. A profecia será, pois, a forma mais eficaz de anunciar a Boa Nova” (Evangelização e missão, cap. 1).
Aonde vais, Igreja? Não estamos indo por aí, sem rumo. As reais urgências e os verdadeiros anseios do povo de Deus revelam-se nas entrelinhas das DGAE: a Igreja profética, o reconhecimento da alteridade, a gratuidade da missão e a fidelidade a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado no meio do povo. Aí se encontra a possibilidade de a Igreja no Brasil interromper a fuga e ser, o que deve ser: "expressão da encarnação do Reino de Deus no hoje de nossa história” (141).
Fonte: Adital
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