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A Cristandade medieval entre o mito e a utopia

Neste ensaio apresentaremos três temas para reflexão: em primeiro lugar discutiremos a hipótese sobre o caráter eminentemente religioso da ideologia na Cristandade medieval; em seguida, ressaltaremos o papel da
reforma “gregoriana” nos séculos XI e XII para a reestruturação desta Cristandade; e, por último, analisaremos mais detidamente a relação particular que os reformadores “gregorianos” articularam com a temporalidade enquanto categoria antropológica.

Entendemos por Cristandade um sistema de relações da Igreja e do Estado (ou qualquer outra forma de poder político) numa determinada sociedade e cultura. Na história do cristianismo, o sistema iniciou-se por
ocasião da Pax Ecclesiae em 313 e deu origem à primeira modalidade de Cristandade dita “constantiniana” a qual se apresenta como um sistema único de poder e legitimação da Igreja e do Império tardoromano.
As características gerais desta modalidade “constantiniana” de Cristandade são, entre outras, o cristianismo apresentar-se como uma religião de Estado, obrigatória portanto para todos os súditos; a relação particular
da Igreja e do Estado dar-se num regime de união; a religião cristã tender a manifestar-se como uma religião de unanimidade, multifuncional e polivalente; o código religioso cristão, considerado como o único oficial, ser
todavia diferentemente apropriado pelos vários grupos sociais, pelos letrados e iletrados, pelo clero e leigos.


Fonte:

Topoi, Rio de Janeiro, dezembro 2002, pp. 221-231.

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